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Pneu que não fura da Bridgestone elimina vários problemas e faz sua estreia no Japão

Tecnologia que dispensa calibragem chega às ruas após quase duas décadas, porém ainda não pode ser vendido

Por Nicolas Tavares 15 jul 2026, 18h18 | Atualizado em 15 jul 2026, 18h56
Pneu sem ar com estrutura interna azul vibrante em um carro branco, com um homem asiático de jaqueta preta observando ao fundo
 (Bridgestone/Divulgação)
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A Bridgestone vem flertando com a ideia de pneus sem ar há alguns anos e, finalmente, um produto mais definitivo saiu dos laboratórios para começar a ser utilizado na vida real. Após quase duas décadas de desenvolvimento, a tecnologia batizada de AirFree passou a equipar uma frota real de pequenos veículos autônomos no Japão, focados no transporte de idosos em trajetos urbanos controlados.

A novidade cumpre a promessa de eliminar furos e dispensar a calibragem recorrente, mas a chegada aos carros de passeio tradicionais ainda lida com barreiras físicas importantes.

A ideia de abolir o ar dos pneus acompanha as fabricantes há muito tempo. O desafio sempre foi lidar com algo que é importante para a dinâmica do carro: o ar comprimido dentro dos pneus funciona como uma mola quase perfeita, capaz de suportar o peso da carroceria e absorver os impactos do asfalto sem adicionar massa excessiva ao conjunto dinâmico.

Quatro pessoas idosas, três homens e uma mulher, passeiam em um veículo elétrico azul e cinza com pneus azuis, em uma rua asfaltada. Ao fundo, casas tradicionais japonesas com telhados de telha e árvores verdes. A mulher usa máscara facial
(Bridgestone/Divulgação)

Para replicar essa função de sustentação sem utilizar câmaras pressurizadas, a engenharia da marca japonesa precisou repensar toda a estrutura interna e de contato com o solo, trocando o espaço oco do pneu por uma trama geométrica complexa.

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Resina flexível no lugar do ar

O conjunto troca o ar por uma rede de raios feitos de resina termoplástica reciclável, revestida externamente por uma fina banda de rodagem de borracha. O desenvolvimento dessa estrutura exigiu anos de testes para encontrar o ponto de equilíbrio entre a resistência estrutural e o conforto de rodagem. Nas primeiras gerações do conceito, apresentadas em 2008, o material rígido até suportava bem a carga, mas transferia um nível inaceitável de vibração para a cabine.

A terceira e atual geração do componente tentou contornar esse problema adotando uma resina muito mais flexível. O desenho atual permite que a trama distribua melhor as forças e as tensões laterais geradas durante o movimento, melhorando a dirigibilidade e a capacidade de absorção de impactos. Para a aplicação no mercado japonês, a parte interna dos raios recebeu uma pintura azul de alto contraste, desenhada para maximizar a visibilidade dos veículos ao entardecer.

Do ponto de vista prático de manutenção, o sistema funciona de forma circular. Quando a banda de rodagem atinge o limite de desgaste, a fina camada de borracha pode ser recauchutada. Já a estrutura de resina termoplástica, caso sofra danos, pode ser triturada, derretida e remodelada na produção de novos pneus, reduzindo o descarte de resíduos complexos.

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Dois carros brancos idênticos, com pneus azuis sem ar, cruzam uma faixa de pedestres em uma rua urbana ensolarada
(Bridgestone/Divulgação)

Gargalo térmico e limite de velocidade

Apesar do avanço que a estreia comercial representa, os pneus sem ar ainda não estão prontos para substituir os pneus convencionais. A aplicação na cidade de Kodaira ocorre em carrinhos de golfe alongados e adaptados para a condução autônoma e com velocidade máxima de operação limitada a 20 km/h.

Esse limite de velocidade restrito mostra qual é o maior gargalo técnico da eliminação do ar. Em velocidades de cruzeiro, a deformação constante dos raios de resina gera um nível altíssimo de atrito interno e calor. Sem o ar para ajudar na dissipação térmica, a integridade da resina é comprometida, afetando a durabilidade e a estabilidade direcional do carro. Resolver o superaquecimento em altas rotações sem tornar o pneu excessivamente pesado continua sendo a principal barreira para a adoção em massa.

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Da frota japonesa para a superfície lunar

Enquanto a tecnologia esbarra na barreira da velocidade térmica para chegar aos carros de passeio, a Bridgestone foca em nichos de mobilidade elétrica e compartilhada, onde a velocidade média é baixa e a confiabilidade contra furos justifica o investimento. O mercado de frotas urbanas autônomas é o principal laboratório de validação para recuperar os custos desse projeto.

Curiosamente, o conceito de rodar sem ar encontra um cenário operacional muito mais lógico fora do planeta Terra. A Bridgestone utiliza a base da tecnologia AirFree no desenvolvimento de pneus para veículos de exploração lunar. Como a borracha tradicional se desintegra rapidamente nas condições extremas de radiação e na variação de temperatura do vácuo espacial, as rodas lunares trocam a resina termoplástica por estruturas feitas inteiramente de ligas metálicas.

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