Novo jeito de comprar

O financiamento balão permite a troca por outro veículo novo dois anos após a primeira compra. Mas é bom ficar atento aos riscos

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Nos Estados Unidos, o leasing é a forma mais usada de compra a prazo. Nele, o comprador dá uma entrada pequena, paga uma parcela menor que a habitual e, no fim, entrega seu usado para quitar a dívida e dar entrada em um novo automóvel. Como o leasing nunca pegou no Brasil, algumas marcas estão apostando em uma nova forma de parcelar o carro que é parecida com o leasing. Mas é o tradicional financiamento CDC (Crédito Direto ao Consumidor) num formato diferente.

Para o cliente, é a chance de colocar um automóvel novo na garagem a cada dois anos sem gastar muito. E o carro fica no nome do comprador, ainda que alienado, diferentemente do leasing. Para a montadora, é a oportunidade de reter o cliente, permitindo até que ele compre na segunda vez um modelo mais caro.

A maior parte das empresas apresentou essa nova modalidade no fim do ano passado, como a Hyundai (Compra Certa), Audi (Audi Pass) BMW (Sign & Go) e Mercedes-Benz (Flexibility). A GM também oferece o novo financiamento, mas sem nome específico. É chamado apenas de CDC Balão, nome genérico que ajuda a explicar bem o novo formato.

Os percentuais de entrada e da parcela variam. Na Hyundai, a entrada é de 30%. Na Mercedes, 10% para pessoa jurídica e 20% para física, como na Audi. Na BMW, vai de 0 a 49%. O que os planos têm em comum é o “balão”, a prestação alta, de 40% a 50%, que é paga no fim. Isso se o comprador quiser ficar com o carro. Senão, pode entregá-lo à autorizada. Isso é suficiente para quitar a dívida, mas também pode servir para dar a entrada no próximo veículo.

A diferença entre a parcela final e o valor de recompra do carro é que dá origem ao dinheiro que pode ou ficar com o consumidor ou ser usado na compra de um modelo novo. No caso da Hyundai, o balão é de 40%. Se o Compra Certa existisse há dois anos, o cliente que comprou o HB20 por R$ 31 468, na época, teria dado de entrada R$ 9 440 (30%), deixaria R$ 12 587 (40%) para o fim e pagaria 23 parcelas de R$ 700. O carro, depois de dois anos, valeria R$ 23 000. O cliente revenderia o usado e usaria esse dinheiro para cobrir a parcela balão, sobrando ainda R$ 10 000 para guardar no banco ou dar de entrada em um novo HB20. Num financiamento comum, a prestação seria 50% mais cara, cerca de R$ 1 050.

RECOMPRA GARANTIDA

“No Flexibility, a principal vantagem é permitir que a parcela entre mais facilmente no bolso do cliente, já que ela é menor que o normal”, diz Angel Martinez, diretor comercial do Banco Mercedes. “Ela fica até 42% mais barata. Se o cliente financiar um C 180 em 24 meses por um financiamento comum, com 20% de entrada, ele vai pagar uma parcela de R$ 5 732. Se for pelo Flexiblility, a parcela cai para R$ 3 298.”

Martinez ressalta outro aspecto positivo: “Como nós envolvemos os concessionários, e como o Flexibility tem dois contratos, um com a fabricante e outro com o revendedor, a recompra do automóvel é garantida, desde que ele atenda aos requisitos estabelecidos. É uma preocupação a menos para o consumidor”.

Mas é aí que essa nova modalidade de crédito pode se mostrar desvantajosa. Cada fabricante estabelece critérios mínimos para a recompra do carro, como quilometragem máxima ou condições de conservação. Se o veículo não atender a esses critérios, o negócio deixa de valer e será preciso pagar do próprio bolso o valor para quitar a dívida. Outro problema é que balões muito grandes, como os de 50%, tornam menor a quantia de dinheiro que sobra para a troca do automóvel. Por fim, há a questão da avaliação que o concessionário fará do seu usado. A BMW, por exemplo, tem o compromisso de

pagar no mínimo 50% do valor pelo qual o modelo foi comprado – não é uma maravilha para dois anos de uso. Se o concessionário achar que vale mais do que isso, a diferença vai para o bolso do cliente.

Mas será que a loja pagará um preço justo no usado ou só os 50% mínimos previstos no contrato? Para promover seu programa Compra Certa, a Hyundai ressalta que a desvalorização do HB20 é uma das mais baixas do mercado. A recompra, portanto, seria a confiança da rede nesse trunfo do modelo, uma vez que a procura por unidades usadas do HB20 seria muito grande.

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