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Chinesas querem triplicar produção de automóveis fora da China até 2030

Na América Latina, uma das regiões visadas, as marcas chinesas já detêm cerca de um quinto do mercado automotivo total e mais da metade das vendas de elétricos

Por Mauro Balhessa 2 Maio 2026, 10h19
Fábrica da GWM no Brasil
Fábrica da GWM no Brasil (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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Durante anos, aa fabricantes de automóveis chinesas fabricavam em seu próprio país com foco no mercado local. Depois, houve o boom das exportações com os automóveis eletrificados chegando em outros mercados, como uma forma de dar vazão à produção chinesa.

Agora, os fabricantes da China querem produzir externamente. Isso pode ser observado no Brasil com as inaugurações das fábricas da BYD e GWM, a montagem local dos Changan e Chevrolet Spark e Captiva EV (que são projetos chineses) além de outras futuras produções em solo brasileiro previstas para Geely, Omoda & Jaecoo e Leapmotor, para citar.

Um relatório recente da AlixPartners, empresa global de consultoria, mostra que as montadoras e fornecedores chineses pretendem fazer dos mercados internacionais sua principal fonte de lucro e prometem quase triplicar produção no exterior até 2030.

Fábrica da BYD em Camaçari (BA)
Fábrica da BYD em Camaçari (BA) (Mauro Balhessa/Quatro Rodas)

A produção passaria de 1,2 milhão de carros para 3,4 milhões, com foco em pelo menos 16 países fora da China – sendo o Brasil um deles. Não por acaso, na América Latina, as marcas chinesas já detêm cerca de um quinto do mercado automotivo total e mais da metade das vendas de veículos elétricos. Países como Hungria, Turquia e Tailândia também seriam foco para as chinesas. 

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América do Sul e Austrália são regiões que representam oportunidades de curto prazo para as montadoras chinesas expandirem seus negócios, graças à fragilidade das vantagens competitivas das companhias já estabelecidas nesses locais e à forte sensibilidade ao valor dos preços. O sul da Europa, por sua vez, está se consolidando como a principal porta de entrada para o continente.

O motivo dessa estratégia, segundo a consultoria, é um mercado interno chinês bem competitivo, associada a uma redução deliberada dos riscos da exposição geopolítica, além de uma demanda mais estável e de maior valor agregado.

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Fábrica da GWM no Brasil
(Fernando Pires/Quatro Rodas)

O relatório também evidencia o que já é possível notar em alguns aspectos no mercado brasileiro. O modelo de crescimento da China nos últimos anos é baseado em “vantagens de custo”, com preços competitivos para os carros; ciclos de produtos mais rápidos, com a utilização de um produto chinês já pronto por uma montadora ocidental com pequenas alterações; e tecnologia mais avançada, por um preço menor.

Além disso, a pesquisa ressalta a construção de redes locais de concessionárias e serviços, a utilização de fabricação por contrato e joint ventures (aliança entre duas empresas) para contornar tarifas e acelerar a expansão – a exemplo da Stellantis com a Leapmotor e a da Renault com a Geely.

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