Lotus anuncia preços no Brasil e elétricos são mais baratos que esportivos a combustão
Marca britânica inicia operações com linha dividida entre elétricos pesados de 900 cv e os esportivos puristas a combustão - que custam muito mais
A operação da Lotus no Brasil ganha contornos definitivos com a divulgação dos preços dos cinco modelos disponíveis neste início de operação. A marca britânica, atualmente sob comando da chinesa Geely, aposta em uma linha dividida entre o esportivo a combustão Emira e o alto desempenho dos elétricos, com valores que variam de R$ 795.000 a R$ 1.230.000. A intenção da fabricante é disponibilizar todo o seu portfólio mundial para o consumidor brasileiro.
A estratégia inicial prevê exclusividade, com estimativa de que 70% das vendas sejam feitas sob encomenda, permitindo alto grau de personalização nas duas lojas próprias localizadas em São Paulo. O sedã elétrico Emeya, por exemplo, terá apenas 12 unidades importadas no primeiro ano. O baixo volume serve para testar a receptividade do mercado nacional frente a rivais consagrados, como o Porsche Taycan e o Audi e-tron GT.
Veja a tabela de preços oficial da Lotus no Brasil:
- Lotus Eletre 600 Sport SE: R$ 795.000
- Lotus Emeya 900: R$ 975.000
- Lotus Eletre 900: R$ 995.000
- Lotus Emira Turbo SE: R$ 1.030.000
- Lotus Emira V6 SE: R$ 1.230.000
Força elétrica e peso elevado
Os modelos elétricos produzidos em Wuhan, na China, abrem a gama da marca com arquitetura de 800V e dimensões bastante generosas. O SUV Eletre 600 Sport SE, versão de entrada, entrega 612 cv e 72,4 kgfm, números suficientes para levar seus 2.584 kg aos 100 km/h em 4,5 s. O conjunto garante até 600 km de autonomia no ciclo europeu (WLTP) a partir de uma bateria de 112 kWh.
Para quem busca mais desempenho, o Eletre 900 eleva a potência a 918 cv e o torque a 100,5 kgfm. O tempo de 0 a 100 km/h cai para 2,95 s, mas a contrapartida é um autonomia reduzida para 490 km com o mesmo conjunto de baterias.
O SUV mede 5,10 m de comprimento, porte avantajado que exige soluções como suspensão pneumática de duas câmaras e eixo traseiro direcional, recursos de engenharia vitais para mascarar a massa na casa das 2,6 toneladas durante contornos de curva.
A mesma mecânica de 918 cv equipa o sedã Emeya 900. Mais baixo e aerodinâmico (0,20 cx contra 0,26 do utilitário), ele reduz o tempo de aceleração para 2,7 s.
O preço do purismo a combustão
Enquanto os modelos elétricos apostam na potência, a linha Emira atende quem prefere a dinâmica analógica, mas cobra bem mais caro por isso.
O cupê Emira Turbo SE traz motor 2.0 de origem AMG com 406 cv e 49 kgfm. Aliado ao câmbio de dupla embreagem de oito marchas, ele cumpre o 0 a 100 km/h em 4 s e custa R$ 1.030.000. Com apenas 1.530 kg, é o carro que mais se aproxima do compromisso histórico de leveza deixado pelo fundador Colin Chapman.
A configuração de R$ 1.030.000 é, tecnicamente, mais eficiente na pista que o topo de linha, que custa R$ 1.230.000, mas tem uma configuração mecânica bastante rara no mundo todo.
O Emira V6 SE usa um 3.5 com compressor mecânico (supercharger) que entrega os mesmos 406 cv, porém com torque menor, de 42,9 kgfm. O maior apelo mercadológico aqui é a transmissão manual de seis marchas Tremec. Trata-se de uma conexão tátil que serve como elo com o passado nas pistas, ainda que a versão seja ligeiramente mais lenta, precisando de 4,3 s na mesma prova de aceleração.
Expansão e planos futuros
O cronograma de negócios da Lotus prevê expansão para praças como Curitiba, Brasília e Porto Alegre. A partir de outubro, a marca traz também a variante de pista Emira GT4, projetada para estruturar uma futura categoria monomarca nacional.
Para 2027, a estratégia é lançar o Eletre X no segundo semestre. A versão usará um sistema híbrido de autonomia estendida (REEV), combinando motores elétricos de 965 cv a um motor 2.0 turbo de 282 cv focado em atuar como gerador, o que deve mudar o patamar de alcance do utilitário. A nova geração do Lotus Esprit, que tem lançamento confirmado para 2028, também será lançada no Brasil.








