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Investigada pelo governo, Lecar devolve dinheiro de 90% das reservas do híbrido 459

Empresa brasileira recua em vendas antecipadas do híbrido Lecar 459 em meio a suspeitas de pirâmide financeira

Por Nicolas Tavares 2 jul 2026, 12h13
Lecar 459
Lecar 459 (Divulgação/Lecar)
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A fabricante brasileira Lecar iniciou a devolução dos pagamentos referentes às pré-reservas do híbrido Lecar 459. Em entrevista ao Jornal do Carro, Flávio Figueiredo Assis, fundador da Lecar, disse que aproximadamente 90% dos valores já foram reembolsados aos consumidores que haviam aderido ao plano de compra antecipada.

O executivo não dá detalhes sobre a razão da devolução do dinheiro, se os clientes que pediram a reserva de volta ou se foi uma decisão da própria empresa.

Lecar 459
Lecar 459 (Divulgação/Lecar)

A decisão ocorre poucos meses depois em que a companhia capixaba passou a ser investigada pelo Ministério da Fazenda e pelo Ministério Público Federal (MPF) sob suspeita de operar um esquema de pirâmide financeira. Uma das bases a acusação era justamente a empresa vender um veículo inexistente, não homologado e que ainda não tinha capacidade de produzir.

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A modalidade de venda adotada pela empresa, batizada de Compra Programada, trabalhava com um contrato de longo prazo, com parcelamento em até 72 meses e isenção de juros. O atrativo principal para o consumidor era a promessa de entrega do automóvel assim que metade do período estipulado fosse quitado.

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Lecar Campo (João Vitor Ferreira/Quatro Rodas)

O Ministério da Fazenda, no entanto, constatou que a companhia não possui a autorização legal exigida para gerenciar grupos de consórcio ou realizar vendas antecipadas nesses moldes. Um documento elaborado pela Secretaria de Prêmios e Apostas Esportivas aponta indícios de conduta fraudulenta no modelo de negócios.

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Entre os agravantes listados pelo órgão de fiscalização estão a cobrança de taxa de adesão para que participantes atuem como revendedores e o uso de gatilhos de urgência. O relatório também destaca a admissão expressa de que o fluxo de caixa da empresa depende diretamente da entrada de novos pagantes para viabilizar as entregas futuras.

Em sua defesa, Flávio Assis nega qualquer irregularidade e rejeita a tese de esquema fraudulento. O empresário argumenta que a operação comercial sempre foi transparente quanto à atual ausência de instalações industriais e de um produto finalizado. Nas redes sociais, a fabricante publicou uma nota afirmando que não foi notificada oficialmente pelas autoridades e que nenhum cliente registrou queixa de prejuízo financeiro até o momento.

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Trecho da análise do Ministério da Fazenda sobre a Lecar

A procuradoria do MPF em São Paulo, contudo, já solicitou apoio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para investigar como a empresa pretendia honrar as promessas. O cronograma da fábrica em Sooretama, no Espírito Santo, acumula atrasos e não há prazo para o início das obras.

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(Dongfeng/Divulgação)
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Acordo frustrado com os chineses

A crise de imagem gerada pelas investigações teve reflexos imediatos nos planos de expansão da marca. Uma negociação com a fabricante chinesa Dongfeng foi encerrada recentemente, frustrando o projeto da empresa de importar um carro elétrico no formato white label, onde um produto pronto é vendido sob outra marca.

O modelo escolhido era o hatch elétrico Dongfeng Box, conhecido como Nammi 01 no mercado asiático, que seria rebatizado e vendido no Brasil como Lecar Pop. A montadora asiática classifica os contatos apenas como conversas preliminares que não evoluíram após análises internas de estratégia.

Assis, por outro lado, confirma que o recuo chinês ocorreu pela perda de confiança no projeto após a repercussão negativa na mídia nacional. Com o fim do acordo de importação, o foco atual da companhia volta a ser a promessa de desenvolver internamente um propulsor híbrido nacional e a picape Lecar Campo, mas ainda sem garantias financeiras concretas de execução.

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Torcedor com camisa do Brasil e braços erguidos em estádio de futebol lotado, com bandeira brasileira e bola no campo. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas, sobre fundo verde escuro. No canto superior direito, um ícone de árvore brancaTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
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