Ford Country Squire: madeira nobre

Espaçosa e potente, a perua desceu a lenha nas estradas americanas, mantendo um reinado que durou 41 anos

Ford Country Squire A madeira das primeiras Country Squire daria lugar a adesivos nesta perua 1974

A madeira das primeiras Country Squire daria lugar a adesivos nesta perua 1974  (/)

O general Dwight D. Eisenhower ficou surpreso ao conhecer o sistema viário alemão na Segunda Guerra: composto por rodovias rápidas e seguras, elas desempenharam um importante papel nas estratégias de Adolf Hitler. Assim, eleito presidente dos EUA em 1953, ele tratou de ampliar a malha rodoviária do país, abrindo novos caminhos para os viajantes.

Com gasolina barata e sem muitos voos comerciais, as famílias americanas saíram em busca das station wagons, veículos ideais para percorrer distâncias continentais com muito desempenho, conforto e espaço para bagagem. E entre as favoritas do público estava a Ford Country Squire, caracterizada pela construção com aço e madeira.

Baseada no Ford 1949, a Country Squire surgiu em 1950 como uma perua de apenas duas portas: o aço estava em capô, para-lamas dianteiros, estrutura e teto. Portas e laterais eram feitas de bétula, bordo, tília e eucalipto, todas madeiras extraídas de uma floresta na Califórnia. A Ford era a única a oferecer esse tipo de construção: Chevrolet e Plymouth haviam abandonado a madeira para reduzir custos.

Outra exclusividade era a opção do V8 de 3,9 litros: com válvulas no bloco, o velho propulsor de 1932 proporcionava desempenho superior ao das rivais.

Ford Country Squire Com dois assentos extras no porta-malas, levava até 8 pessoas

Com dois assentos extras no porta-malas, levava até 8 pessoas  (/)

As quatro portas vieram só em 1952: para evitar torções, a carroceria passou a ser só de aço estampado. A madeira deixou de ter função estrutural, mas continuou como decoração até 1953, quando passou a ser simulada por apliques de fibra de vidro, que dispensavam a manutenção com verniz – a fibra daria lugar a adesivos em 1955.

Então única fabricante a oferecer esse tipo de decoração, a Ford cativou a clientela que se deliciava com o torque e potência dos motores Y-Block: com válvulas no cabeçote, nada deviam aos novos V8 da Plymouth e Chevy.

Em 1957, a station ganhou as proporções que fizeram sua fama: carroceria maior, mais larga e mais baixa, sustentada por um novo chassi apoiado em pequenas rodas de 14 polegadas. No ano seguinte, vieram os enormes V8 FE de bloco grande (5,4 e 5,8 litros) e, em 1959, a terceira fileira de bancos tornou-se rebatível no assoalho do porta-malas.

A década de 60 trouxe avanços no porta-malas: em 1961, o vidro traseiro virou basculante e, em 1966, surgiu a Magic Door Gate, uma quinta porta que podia ser aberta para baixo (como em picapes) ou para o lado (como numa van). Seguindo a tendência da época, a dianteira passou a ter os faróis escondidos em 1968.

Ford Country Squire Os decalques de vinil simulando madeira estavam até no painel e no volante

Os decalques de vinil simulando madeira estavam até no painel e no volante  (/)

A Country Squire chegou ao ápice em 1973: mais de 2 toneladas em quase 6 metros, como esta versão 1974, do músico Luiz Schiavon (sim, o tecladista do RPM é colecionador de carros). Nem a crise energética conteve a popularidade dos enormes V8 de 7,5 litros. Uma versão menor e mais racional viria só em 1979: com 28 cm e 450 kg a menos, a nova plataforma dispensou osV8 de bloco grande: agora só havia osV8 de bloco pequeno Windsor (5 e 5,7 litros), com um novo câmbio de quatro marchas em 1980 e injeção eletrônica em 1983. Era uma adequação aos novos tempos: uma perua prática e econômica.

Mas a década de 1980 foi ingrata para as peruas: sob o comando de Lee Iacocca, a Chrysler sacudiu o mercado com suas minivans Dodge Caravan e Plymouth Voyager, nova moda entre as mães americanas. A Squire saiu de cena em 1991, deixando um vazio no público que não se adaptou às minivans. Por ironia do destino, estas também passaram a simular o acabamento exterior de madeira, reverenciando a época de ouro das station wagons.

PAU NO SURF

A construção de madeira das primeiras Country Squire resultava em uma sucessão de rangidos que fazia o preço delas despencar com o tempo. Mas, como eram baratas, espaçosas e quase imunes à corrosão, as woodies logo viraram o carro favorito dos surfistas californianos nos anos 50 e 60.

FICHA TÉCNICA – Ford Country Squire 1974
Motor 8 cilindros em V de 6,6 litros
Potência 172 cv a 3 400 rpm
Câmbio automático de 3 marchas
Carroceria fechada, 2 volumes, 5 portas, 8 lugares
Dimensões comprimento, 572 cm; largura, 203 cm; altura, 144 cm; entre-eixos, 307 cm
Peso 2.210 kg
0 a 100 km/h 14,2 segundos
Velocidade máxima 168 km/h
Comentários
Deixe um comentário

Olá,

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s