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Engenho e arte

O design de motocicletas - e a busca pela união entre forma e função - ao longo do tempo

Por Eduardo Viotti | fotos: divulgação Atualizado em 9 nov 2016, 11h58 - Publicado em 24 jul 2012, 17h46
Engenho e arte

A palavra design significa simplesmente “projeto”, em inglês. Pode ser um projeto industrial, de arquitetura ou de engenharia. Entre nós, entretanto, a semelhança com a palavra “desenho” acabou sugerindo um significado mais relacionado à forma – quando não à estética pura. É comum dizer que um objeto belo tem bom design. Os designers, todavia, preferem definir seu trabalho como a busca do compromisso pelo delicado equilíbrio entre forma e função.

Às vezes um chassi, por exemplo, para oferecer toda a rigidez torcional e flexibilidade inerentes ao seu desempenho, não permite o uso de materiais mais leves e tubos em espessura mais delgada que permitiriam exibir maior graça e fluidez visual. Ou, em outro caso, um motor precisa ter um radiador com grande área frontal, prejudicando a aparência de um modelo. Ossos do ofício. Projetistas obstinados sempre perseguem, às vezes com sucesso, a união entre funcionalidade e beleza.

Nas motocicletas, isso não é diferente. É claro que ao longo da história, ou mesmo hoje, as motos mais deliciosas de dirigir nem sempre foram as mais bonitas. Por outro lado, nem todas as motos mais elegantes se destacaram como rainhas da alta performance. Mas podemos considerar que é muito difícil separar as motos de melhor design das motos mais apaixonantes de todos os tempos. Afinal, é o que acabam sendo.

As motos começaram como bicicletas motorizadas, com motores atrelados à coroa e tanques de combustível pendurados sob a viga mestra do quadro. Foram assim durante toda a segunda década do século 20, com o florescimento das primeiras motos comerciais. O tanque passou para cima do quadro na década de 20 e apareceram os primeiros sistemas de suspensão. Foi a década de ouro das motocicletas norte-americanas. A década de 30 marcou uma evolução brutal, com o surgimento das carenagens e dos campeonatos internacionais – com domínio tecnológico da Alemanha. O fim da 2a Guerra Mundial marcou o começo da era moderna, com a predominância dos ingleses até os anos 60 e o ingresso avassalador dos japoneses, que dão as cartas desde os anos 70. Correndo por fora, os italianos sempre valorizaram como ninguém o design no sentido estético de suas motos.

Motos de série

Destacamos aqui motocicletas que marcaram época, estabeleceram tendências e redefiniram conceitos. Deixamos de fora os scooters (alguns clássicos, como a Vespa), as motos desenvolvidas por customizadores e adaptadores (algumas de fato belíssimas), as máquinas especiais de corrida e as motos conceituais – os protótipos de salão, que certamente rendem um bom tema de reportagem para o futuro. É claro que as escolhas poderiam ser outras, assim como os critérios para incluir aqui algum modelo.Trata-se de um tema difícil de esgotar.

Embora alguns profissionais tenham se destacado no design de motocicletas, em geral o projeto das motos é criação coletiva do departamento de estilo das montadoras. Mesmo assim, tentamos localizar o designer da maioria das motos apresentadas – em ordem cronológica.

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