Chrysler New Yorker

Rival direto dos requintados Lincoln e Cadillac, ele se tornou um dos mais longevos modelos americanos

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Após o fracasso do revolucionário Airflow, as finanças da Chrysler não andavam bem em meados dos anos 30. Sua recuperação se deu com um novo carro de luxo, que cativou o público com doses homeopáticas de ousadia: assim nasceu, em 1938, o New Yorker, que atravessou sete décadas. Ele surgiu como variação do Chrysler Imperial: chamado New York Special, foi oferecido nas versões sedã e cupê com o mesmo oito cilindros em linha de 135 cv do Airflow. Remodelado, ganhou identidade própria em 1940, além de um versão conversível.

Com a Segunda Guerra, a produção foi interrompida em 1942 e retomada quatro anos depois. Um New Yorker todo novo chegaria só em 1949, com para-lamas integrados e capô mais baixo. O primeiro V8 da Chrysler estrearia no New Yorker em 1951: o motor FirePower Hemi trazia câmaras de combustão hemisféricas e 182 cv. Agora havia fôlego de sobra para dois equipamentos indispensáveis, a direção hidráulica e a transmissão automática PowerFlite de duas marchas. O prestígio do New Yorker cativou até o excêntrico aviador e magnata Howard Hughes. A concorrência não era páreo para os 238 cv do V8 Hemi na versão DeLuxe.

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Em 1955, o Imperial deixou de ser um modelo Chrysler para virar divisão própria, batendo de frente com os luxuosos Lincoln e Cadillac. O estilo conservador deu lugar à ousadia do designer Virgil Exner: linha de cintura baixa, colunas finas e ampla área envidraçada. Cada vez mais belo, potente e futurista, ganhou o câmbio automático Torqueflite, acionado por botões no painel. Em 1957, Exner chegava ao ápice com o Forward Look, estilo de influência aeroespacial com rabos de peixe que antecipava a tendência para a próxima década: automóveis cada vez maiores, mais baixos e mais largos.

Em 1959, veio o V8 413 de bloco grande (um 6.8 de 344 cv brutos) e a estrutura monobloco foi adotada um ano depois. Em 1961, Exner foi afastado do departamento de estilo: sem os rabos de peixe, as vendas caíram. O New Yorker voltaria a se destacar só em 1965, agora com linhas retas. Tudo ficaria mais rápido e veloz no ano seguinte, com o enorme V8 7.2 de 355 cv – seu torque era de absurdos 66,4 mkgf.

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A inspiração aeronáutica voltaria em 1969, com vidros de perfil baixo e laterais curvas: era o estilo Fuselagem, que foi até 1973. Com o fim da divisão Imperial em 1975, o New Yorker Brougham assumiu o posto de carro mais exclusivo da empresa. O modelo 1977 das fotos pertence ao colecionador paulista Pedro Ramiro Horn e representa o ápice do carro. Daí em diante, ele entrou em declínio: ficou menor e perdeu o V8 7.2 em 1979. Os V8 de bloco pequeno (5.2 e 5.9) deram adeus em 1983, substituídos por quatro cilindros que tracionavam a dianteira: o bom desempenho agora ficava restrito às versões turbo.

Após esse período de vacas magras, a Chrysler tentou resgatar o prestígio do modelo com motores V6 em 1988, mas o estrago estava feito: sem personalidade, o New Yorker era só um entre tantos. O último exemplar deixou a linha de produção em 1996, encerrando de maneira melancólica uma gloriosa carreira de 56 anos.

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MISCIGENAÇÃO

Cidadão tipicamente americano, o New Yorker acabou se miscigenando nos anos 80, quando a Mitsubishi passou a fornecer motores de quatro e seis cilindros. A plataforma de sua última versão, de 1994, era uma evolução da usada no aclamado Renault 25.

FICHA TÉCNICA
Motor 8 cilindros em V de 7,2 litros
Potência 198 cv a 3 600 rpm
Torque 44,3 mkgf a 2 000 rpm
Câmbio automático de 3 marchas
Carroceria fechada, 2 portas, 6 lugares
Dimensões comprimento, 586 cm; largura, 202 cm; altura, 138 cm; entre-eixos, 315 cm;
Peso 2 121 kg
0 a 100 km/h 13 s
Velocidade máxima 182 km/h
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