Buick Estate Wagon: a poderosa perua americana

A Buick Estate Wagon foi um dos maiores ícones do modo de vida americano, mas não resistiu à ascensão das minivans e dos SUVs

Acabamento "woodie" marcou época Acabamento “woodie” marcou época

Acabamento “woodie” marcou época (Xico Buny/Quatro Rodas)

Fundada em 1908, a General Motors destacou-se por fidelizar sua clientela separando seus produtos em marcas com identidade própria. A linha começava com os populares Chevrolet e a sofisticação subia de acordo com a hierarquia estabelecida pelo presidente do grupo, Billy Durant: a esportiva Pontiac, a inovadora Oldsmobile, a requintada Buick e a luxuosíssima Cadillac.

Apenas um perfil de consumidor era excluído dessa estrutura: pais de família em busca de uma perua prática, espaçosa e com todo o torque e potência oferecidos por um motor de oito cilindros. Focada apenas em sedãs executivos e limusines, a Cadillac não demonstrava o menor interesse na oferta de um utilitário de luxo, deixando o caminho livre para a Buick.

A primeira perua remonta a 1940: baseada no modelo intermediário Super, a Estate Wagon trazia carroceria de quatro portas em aço e madeira, como a Oldsmobile Station Wagon. Era impulsionada pelo motor Fireball de oito cilindros em linha, 4,1 litros e 107 cv. Reformulado, o modelo 1942 teve a produção encerrada em fevereiro daquele ano por imposição do esforço de guerra.

Tampa do porta-malas abre-se em dois estágios Tampa do porta-malas abre-se em dois estágios

Tampa do porta-malas abre-se em dois estágios (Xico Buny/Quatro Rodas)

Comandada pelo executivo Harlow Curtice, a Buick sabia que deveria se preparar para a chegada dos veteranos da Segunda Guerra Mundial. Era um público ávido para percorrer o país em veículos práticos e confortáveis.

A Buick não perdeu tempo: retomou a produção já em 1946, oferecendo suas peruas nas versões mais caras, Super e Roadmaster, com as mesmas linhas do modelo 1942.

Mogno e freixo deixaram de ser usados na carroceria em 1953, mesmo ano em que as peruas abandonaram o motor Fireball em favor do Nailhead – um V8 5.3 de 164 cv. Gasolina barata e a expansão da malha rodoviária foram determinantes para consolidar a época de ouro das peruas norte-americanas.

Alavanca de transmissão é na coluna de direção Alavanca de transmissão é na coluna de direção

Alavanca de transmissão é na coluna de direção (Xico Buny/Quatro Rodas)

Painel de instrumentos é completo Painel de instrumentos completo

Painel de instrumentos completo (Xico Buny/Quatro Rodas)

A maior ousadia viria em 1957, com a versão Century Caballero: o estilo hardtop aboliu as colunas centrais, elemento típico dos cupês, mas incomum em peruas. As dimensões cresceram até 1965, quando a Buick apresentou a Sport Wagon, uma perua baseada no médio Skylark.

Similar à Oldsmobile Vista Cruiser, a Sport Wagon destacava-se pela oferta do teto panorâmico Skyroof, que consistia em janelas de vidro escurecido sobre uma elevação traseira do teto. Entre os opcionais estava a terceira fileira de bancos e, a partir de 1967, um V8 big block, com 6,6 litros e 345 cv, capaz de levá-la de 0 a 100 km/h em menos de 9 segundos.

Uma perua Buick de grandes dimensões só voltaria a ser oferecida em 1970: com mais de 5,5 metros de comprimento, o objetivo era competir com Chrysler Town & Country e Mercury Marquis Colony Park. Seu V8 7.5 rendia 70,36 mkgf, torque superior ao dos muscle car do período.

Um de seus detalhes mais interessantes era o porta-malas com o mecanismo Glide-Away. Dividida em duas, a parte inferior da porta traseira descia e se escondia no assoa­lho, enquanto a parte superior ficava acondicionada no forro de teto.

Na área do bagageiro há um assento extra Na área do bagageiro há um assento extra

Na área do bagageiro há um assento extra (Xico Buny/Quatro Rodas)

Como uma mãe que perde o controle da dieta, a perua chegou a impressionantes 2,4 toneladas em 1974, fazendo dela o Buick mais pesado desde os anos 40. O comprimento chegou a 5,88 metros em 1975, mas as famílias americanas sentiam os efeitos da crise de 1973 e já procuravam soluções mais viáveis e racionais.

Ciente dos novos tempos, a GM apresentou uma Buick revista em 1977: ficou 25 cm mais curta e quase meia tonelada mais leve, mas sem perdas sensíveis no espaço interno. Era o fim dos V8 de bloco grande: a oferta se limitava ao V8 5.7 e dois V8 Oldsmobile (um deles a diesel).

A derradeira encarnação da Estate se deu em 1991 – o último Buick de tração traseira. O nome Roadmaster era resgatado após um hiato de 33 anos, trazendo com ele os apliques laterais imitando madeira. Oferecida com um pacato V8 5.0, a Estate recebeu o V8 LT1 com 260 cv em 1994, o mesmo que equipava o Impala SS. Mas as famílias já haviam migrado para os SUV, como a Chevrolet Blazer, ou minivans, como a Pontiac Trans Sport. A produção foi encerrada em 1996, finalizando a era de ouro das peruas norte-americanas.

Madeira nobre

Baratas, espaçosas e resistentes à corrosão, as primeiras Buick Estate caíram na preferência dos surfistas californianos nas décadas de 50 e 60. Negligenciadas, restaram pouquíssimas unidades, o que faz delas um dos modelos mais raros e valorizados pelos colecionadores.

Ficha técnica – Buick Estate Wagon 1991

  • Motor:V8 5.0;173 cv a 4.000 rpm; 35,2 mkgf a 2.400 rpm
  • Câmbio: automático, 4 marchas
  • Dimensões: comprimento, 553 cm; largura, 202 cm; altura, 153 cm; entre-eixos, 294 cm; peso, 2.003 kg
  • Desempenho: 0 a 100 km/h: 13,2 s; velocidade máxima, 190 km/h
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  1. Marcus Vinicius

    O motor Fireball de oito cilindros em linha de 4,1 litros de 107 cv de 1940 deve ter sido o mesmo do Opala nacional que tinha como base o Opel Rekord e a motorização americana deve ter sido a mesma da Buick Estate Wagon de 1940 !