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BMW afirma que câmbios manuais e de dupla embreagem irão morrer

Chefão da divisão Motorsport diz que os automatizados de dupla embreagem já não oferecem vantagens sobre os automáticos convencionais

Por Henrique Rodriguez 24 abr 2017, 20h34
Câmbio manual de um M3: dias contados?
Câmbio manual de um M3: dias contados? arquivo/Quatro Rodas

Os BMW M com câmbio manual ou automatizado de dupla embreagem podem estar com os dias contados. Pelo menos foi isso que o vice-presidente de vendas e marketing da BMW Motorsport, Peter Quintus, disse à revista australiana Drive. 

As grandes vantagens dos câmbios de dupla embreagem (DCT) estavam na velocidade nas trocas de marcha e no peso menor. A questão é que os câmbios automáticos modernos estão muito próximos de cumprir as mesmas exigências.

“Boa parte da vantagem que havia no tempo de troca de marcha desapareceu à medida que as transmissões automáticas ficaram melhores e mais inteligentes”, disse Quintus.

O que mais pesa nesta decisão da Motorsport, porém, seria a confiabilidade. A divisão esportiva da BMW está empenhada em aumentar a potência de seus carros e isso colocaria em xeque a confiabilidade tanto dos câmbios DCT como dos câmbios manuais.

Quintus diz que o limite para os câmbios manuais seria trabalhar com motores de 450 cv e 61,2 mkgf de torque. A partir disso, a durabilidade do conjunto estaria comprometida. Nos Estados Unidos, há carros manuais com até 717 cv, mas o executivo diz que os sistemas americanas, apesar de robustos, são antigos e pesados.

O efeito prático disso veremos no futuro, quando os M2, M3, M4, M5 e M6 aparecerem com transmissões automáticas com quase uma dezena de marchas. Hoje, os X6 M e X5 M já usam câmbio automático de oito marchas. Contudo, o executivo da BMW não soube afirmar com certeza se a próxima geração dos M3 e M4 ainda terão opção de câmbio manual, como ocorre atualmente.

Aparentemente, Mercedes e Audi também estão tateando esse caminho. Com exceção dos A45, CLA45 e AMG GT, todos os carros da AMG usam câmbio automático de nove marchas. Na Audi, o novo S4 também abandonou o S-Tronic de dupla embreagem para usar um automático convencional de oito marchas. 

Por outro lado, mesmo na Europa há superesportivos que contradizem as ideias do chefão da BMW. O Bugatti Chiron, com mais de 1.500 cv, tem câmbio automatizado de dupla embreagem. A nova Ferrari 812 Superfast também manteve uma transmissão automatizada de dupla embreagem e sete marchas. E o Porsche 911 Carrera continua oferecendo opção de câmbio manual de sete velocidades, mesmo nas configurações acima dos 450 cv.

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