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Volvo EX60 é elétrico com bons argumentos para aposentar o híbrido XC60

Avaliamos na Espanha o novo SUV elétrico que chega ao Brasil até novembro e pode colocar o XC60 em maus lençóis

Por Henrique Rodriguez, de Barcelona (Espanha) 20 Maio 2026, 11h05 | Atualizado em 20 Maio 2026, 11h57
Carro Volvo EX30 verde escuro em movimento numa estrada asfaltada, com árvores ao fundo e guard-rail prateado à direita
 (Divulgação/Volvo)
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A Volvo pode até ter desistido de vender apenas carros elétricos na próxima década, mas está dificultando as coisas para os compradores de híbridos. Calma: o XC60, híbrido plug-in, seguirá à venda por muitos anos. A questão é que o novo Volvo EX60 tem ótimos argumentos para que seus clientes – inclusive os brasileiros – migrem logo para os elétricos.

Todas as evoluções técnicas que uma terceira geração do XC60 – que não muda de geração há quase 9 anos – viria a ter estão no EX60. Também há um aumento natural das dimensões, o que leva o entre-eixos do elétrico aos 2,97 m, um ganho de 10 cm que faz dele apenas 1 cm mais curto que o de um XC90, que tem sete lugares. O porta-malas tem 634 litros de capacidade e, caso falte espaço, há mais 58 litros disponíveis sob o capô dianteiro, livre de um motor a combustão.

O EX60 representa um amadurecimento da Volvo com seus SUVs elétricos. Não é tão pequeno e simples quanto um EX30 (que não tem quadro de instrumentos ou alto falantes traseiros), nem tão grande e complexo quanto o EX90 (que atrasou quase dois anos por causa do seu software), é exatamente o meio termo que estava faltando. Dos três, o caçula também é o mais evoluído.

A nova plataforma SPA3 faz sua estreia no EX60. Ela usa baterias que dispensam módulos internos, com cada célula montada diretamente na carcaça estrutural do componente. Outra otimização está na seção traseira do chassi, composta por uma única peça fundida em alumínio pelo processo de megacasting. Juntas, as duas estratégias reduzem o peso do veículo em 70 kg.

SUV Volvo EX30 cinza-escuro, visto de trás, em uma estrada asfaltada com faixa branca. Ao fundo, colinas verdes e céu azul com nuvens esparsas
(Divulgação/Volvo)
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Também para conter o peso, a fabricante abriu mão da suspensão pneumática adaptativa, eliminando compressores, molas a ar, reservatórios de pressão e atuadores. O conjunto de amortecedores ativos 4C, que se ajustam até 500 vezes por segundo, assume a função de garantir conforto equivalente, sem a sensação de flutuação típica dos sistemas a ar. A solução ainda reduz o consumo de energia e amplia a autonomia.

A suspensão a ar também geraria ruídos indesejados que a engenharia buscou eliminar. A Volvo adotou vidros laminados em todas as janelas, injetou espumas expansivas nas cavidades do assoalho para evitar ressonâncias e instalou um sistema de cancelamento ativo de ruído operado por meio de 28 alto-falantes Bowers & Wilkins. Microfones na cabine filtram os barulhos externos, preservando a conversa a bordo sem bloquear sons de sirenes de emergência.

Carro SUV verde escuro, com rodas de liga leve pretas e prateadas, estacionado de perfil em uma rua de asfalto cinza, com um prédio marrom ao fundo
(Divulgação/Volvo)

Embora o asfalto nos arredores de Barcelona seja perfeito e os elétricos sejam silenciosos por natureza, o Volvo EX60 se posiciona em um patamar superior. O SUV isola a cabine das irregularidades do piso, de vibrações e de ruídos externos. Para o sistema de som, há inclusive um par de alto-falantes integrado a cada um dos encostos de cabeça laterais.

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Os 510 cv são suficientes para deixar a condução bem divertida, especialmente no modo Sport, quando os amortecedores eletrônicos deixam a carroceria mais firme e a direção mais pesada. Mas também é interessante explorar o modo Eco, no qual o carro pode desconectar o motor dianteiro para evitar arrasto e deixar o traseiro encarregado de mover o EX60.

Interior de um carro moderno com volante cinza claro à esquerda e uma tela central exibindo um mapa e reprodutor de música. O para-brisa revela uma paisagem verde de colinas sob céu azul
(Divulgação/Volvo)

A cabine reforça a maturidade do projeto. Mesmo com o arranjo de telas destacadas do painel, o painel de instrumentos de 11 polegadas fica posicionado mais alto e próximo do para-brisa, no campo de visão do motorista. A combinação com o volante compacto lembra o conceito i-Cockpit da Peugeot, embora a posição de dirigir no Volvo seja superior.

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Interior de um carro moderno com volante cinza claro, painel digital exibindo
(Divulgação/Volvo)

A central multimídia de 15 polegadas instalada na horizontal quebra o padrão vertical dos demais modelos da marca, facilitando o manuseio de menus e aplicativos. O sistema roda a interface Google Automotive e traz o assistente de inteligência artificial Gemini integrado. É possível comandar funções do carro, solicitar sugestões de itinerários ou fazer perguntas ao assistente, embora o sistema exija comandos em inglês neste primeiro momento.

Interior de carro moderno com console central bege claro, porta-copos duplo e tela multimídia exibindo um carro e temperatura de 19 graus
(Divulgação/Volvo)

Para evitar a dependência exclusiva da tela, há botões físicos para volume e troca de música logo abaixo do monitor. O console central abriga a base de carregamento por indução e o porta-luvas. “Optamos por colocar o porta-luvas no meio do carro para que esteja acessível aos dois ocupantes da frente”, explica Louise Annermalm, designer de interiores sênior da Volvo. O console é, na verdade, um grande porta-objetos, sendo que os porta-copos estão em uma gaveta e são retráteis.

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Carro elétrico Volvo EX30 cinza-escuro, visto de lado, estacionado em piso de concreto com uma parede marrom ao fundo
(Divulgação/Volvo)

Sentiu falta das saídas de ar-condicionado? Elas estão camufladas em uma estreita faixa que divide o painel do meio. Infelizmente o ajuste da direção do ar é feito pela central, mas com essa disposição dos elementos do painel o ar fresco pode passar por dentro do aro do volante, evitando que o motorista mais calorento fique com as mãos geladas.

Traseira de um carro Volvo preto em uma estrada asfaltada com faixas brancas, sob luz solar, com vegetação seca à direita
(Divulgação/Volvo)

A marca também atualizou o cinto de segurança de três pontos, dispositivo criado pela própria fabricante em 1959. No EX60, o sistema substitui o tensionamento mecânico padrão por sensores internos que identificam o tamanho, peso e postura dos ocupantes, adaptando a carga do pré-tensionador para reduzir o risco de fraturas em colisões.

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O Volvo EX60 comprova que ainda há espaço para a criatividade e para novas soluções úteis entre os carros elétricos. Tem itens inovadores, soluções inteligentes, boa potência e espaço de sobra. A boa notícia é que seu lançamento não demora. O Volvo EX60 chega ao Brasil entre outubro e novembro, sempre na configuração mecânica P10 – a mais potente disponível por enquanto.

Carro Volvo escuro, modelo EX30, visto de frente em uma estrada asfaltada com montanhas e vegetação ao fundo sob céu azul
(Divulgação/Volvo)

Nosso primeiro contato com o carro, na Espanha, é justamente com esta versão que tem tem dois motores elétricos, um em cada eixo, que somam 510 cv e 72,4 kgfm – muito próximo dos 462 cv e 72,3 kgfm dos XC60 vendidos no Brasil. A bateria de 95 kWh proporciona até 660 km de autonomia no padrão WLTP, europeu. O preço ficaria ao redor dos R$ 550.000, logo acima do XC60 – que parte dos R$ 459.950.

Futuro

Para 2027, está previsto o lançamento do EX60 P12, com 680 cv e 80,6 kgfm, e bateria gigante, com 117 kWh para rodar até 810 km (WLTP) entre as recargas. A configuração P6, com um motor elétrico traseiro de 367 cv e bateria de 83 kWh (para rodar 611 km), por sua vez, é apenas cogitada: a fabricante quer entender como será a migração dos proprietários do XC60 antes de lançar uma configuração menos potente.

Ficha Técnica – Volvo EX60 P10 AWD

Motores: elétricos, 510 cv e 710 Nm
Bateria: NCM, 95 kWh, até 660 km no ciclo WLTP
Recarga: 10% a 80% em 16 min, a 400 kW
Câmbio: automático, 1 marcha, tração integral AWD
Suspensão: duplo braço triangular com amortecedores CCD e molas helicoidais (dianteiro), multilink de cinco braços com amortecedores CCD e molas helicoidais (traseiro)
Freios: discos ventilados de 345 mm (dianteiro), discos ventilados de 325 mm (traseiro)
Direção: elétrica, 11,3 m de diâmetro de giro
Rodas e pneus: rodas de liga leve de 20 a 22 polegadas, pneus 235/55 R20 dianteiros e 255/50 R20 traseiros
Dimensões: comprimento 4,80 m, largura 1,91 m, altura 1,64 m, entre-eixos 2,97 m, peso 2.114 a 2.330 kg, vão livre 17,8 cm, porta-malas 523 litros; tanque não aplicável

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