No clima da Copa: Assine por apenas 9,90

Carro elétrico da Shell tem bateria imersa em líquido e pode revolucionar a recarga rápida

Com carro conceito, a Shell propõe baterias menores e gerenciamento térmico eficiente para resolver o maior gargalo dos veículos elétricos

Por Henrique Rodriguez Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 jun 2026, 10h06
Carro elétrico branco com teto preto e detalhes azuis e verdes, logotipos Shell Recharge e Triple 10 Challenge, em movimento numa estrada com turbinas eólicas ao fundo
 (Shell/Divulgação)
Continua após publicidade
Carro elétrico da Shell tem bateria imersa em líquido e pode revolucionar a recarga rápida Priorizar nos meus resultados Google

A Shell é mais conhecida como uma petroleira, mas criou seu próprio carro elétrico. Chamado de Shell Triple 10 Challenge, o conceito é um hatch focado em atingir metas agressivas de eficiência energética. Na prática, ele também prova que carros elétricos não precisam de baterias maiores para ampliarem sua autonomia.

Desenvolvido como um laboratório rolante para promover a nova linha de fluidos térmicos da marca, o modelo não possui qualquer plano de produção em série. Ainda assim, a novidade antecipa soluções técnicas de engenharia que podem baratear custos e reduzir o peso dos próximos veículos elétricos que chegarão ao mercado.

O projeto foi batizado em referência às três metas do desenvolvimento do carro, feito em parceria com as empresas RML e Empel. A primeira meta era recarregar as baterias de 10% a 80% em menos de 10 minutos. Na prática, o veículo recupera 245 km de autonomia em exatos 9 minutos e 54 segundos, utilizando um carregador de 175 kW, potência abaixo daquela entregue pelos carregadores ultra-rápidos mais caros.

Carro elétrico branco e preto com adesivos Shell Recharge e Triple 10 Challenge na lateral, estacionado em frente a um posto de gasolina. O veículo tem um design futurista, com aerofólio traseiro e rodas aerodinâmicas. No para-choque traseiro, lê-se Powering E-Motion
(Shell/Divulgação)

A segunda premissa determinava um consumo de energia baixíssimo, fazendo com que o modelo rodasse 10 km gastando apenas 1 kWh de energia. Segundo a marca, isso representa uma melhoria de 30% frente aos carros elétricos equivalentes à venda atualmente.

Continua após a publicidade

O terceiro objetivo focava na pegada de carbono, limitando as emissões a 10 toneladas de CO2 durante todo o ciclo de vida do automóvel. Trata-se de um volume correspondente à metade do que é emitido por um carro tradicional em sua vida útil.

Simplificação e resfriamento imersivo

Para atingir esses índices, os engenheiros evitaram o caminho óbvio de instalar baterias enormes. O hatch abriga um pacote de baterias equivalente ao de um híbrido plug-in, com 32 kWh, alocado sob o assento traseiro. A verdadeira inovação está no sistema de gerenciamento térmico. Em vez das clássicas placas de refrigeração indireta, as células de bateria ficam submersas em um fluido dielétrico de água e glicol fornecido pela própria Shell.

Diagrama de um motor de carro com tubulações azuis e vermelhas, indicando fluxo de fluidos, e uma roda cinza à esquerda
(Shell/Divulgação)
Continua após a publicidade

Esse líquido anticongelante absorve o calor quando em contato direto com a bateria, estabilizando a temperatura abaixo dos 60 °C mesmo quando está sendo recarregada em potência máxima. Ao controlar o superaquecimento, o sistema evita que o carregamento perca velocidade ao longo dos minutos. Após circular pela bateria, o mesmo fluido segue para a dianteira, onde resfria o motor elétrico e os inversores antes de passar por um radiador convencional.

Painel digital de carro com velocímetro marcando zero, logo da Shell, indicador de bateria em 52% e autonomia de 44 milhas. Ao fundo, um posto de gasolina
(Shell/Divulgação)

A utilização de um único circuito térmico para todo o trem de força dispensa peças e dutos adicionais, aliviando o peso do veículo. Esse rigor no controle de peso trabalha em conjunto com refinamentos aerodinâmicos, evidenciados pelas rodas com calotas integrais, ausência de espelhos retrovisores e perfil de gota na carroceria. Quanto menos esforço para vencer a resistência do ar, menor é o consumo elétrico.

Continua após a publicidade

A Shell estima que esse ganho, combinado com o maior rendimento da carga da bateria, permitem que o tamanho da bateria seja reduzido em 25% sem comprometer a autonomia. Mas o que muda tudo é um carro com bateria tão pequena conseguir recarregar tão rápido mesmo com um carregador de 175 kW. Para outros carros recuperarem de 10 a 80% de carga em 10 minutos, precisam de carregadores de 300 kW – e o pico de potência só é alcançado por alguns instantes, por causa da temperatura.

Carro elétrico branco com detalhes azuis e verdes, logotipos Shell Recharge e Triple 10 Challenge, parado em uma estrada asfaltada com vegetação ao fundo
(Shell/Divulgação)

O exercício de engenharia deixa claro que otimizar o tempo de recarga e apostar em circuitos integrados de fluidos pode ser uma estratégia mais inteligente. Baterias menores reduzem o preço final do carro, gastam menos matéria-prima e entregam uma dirigibilidade mais natural. No entanto, o carro da Shell não foi concebido para ser produzido em série. O que a petroleira quis demonstrar é que a evolução dos carros elétricos pode não estar no aumento da capacidade da bateria, mas na otimização da gestão térmica.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Torcedor com camisa do Brasil e braços erguidos em estádio de futebol lotado, com bandeira brasileira e bola no campo. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas, sobre fundo verde escuro. No canto superior direito, um ícone de árvore brancaTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
ECONOMIZE ATÉ 82% OFF

Digital Básico

Apaixonado por carros? Então isso é pra você!
Pare de dirigir no escuro: com a Quatro Rodas Digital você tem, na palma da mão, testes exclusivos,comparativos, lançamentos e segredos da indústria automotiva.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
OFERTA CAMPEÂ

Revista em Casa + Digital Premium

Quatro Rodas impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo + Abril Signature Ouro, o novo programa de benefícios da Abril, que te dá acesso a descontos exclusivos e cashback em centenas de estabelecimentos.
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).