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Dirigimos a BYD Shark, picape híbrida que atacará Ranger e Hilux no Brasil

Picape média mais potente do mundo, BYD Shark deve ser feita no Brasil e busca patamar inédito aos consumidores do mundo off-road. Será que consegue?

Por Eduardo Passos
Atualizado em 15 set 2024, 10h38 - Publicado em 16 Maio 2024, 19h44
BYD Shark
 (Divulgação/BYD)
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Quem tem medo da BYD? Aparentemente, até o presidente dos Estados Unidos, pois, no mesmo dia em que a BYD Shark era apresentada globalmente para a imprensa, Joe Biden quadruplicou o imposto de importação sobre carros elétricos chineses. Medida pela qual o próprio Biden, há alguns anos, criticou Donald Trump por fazer algo parecido.

Em segmentos estratégicos, como a indústria, muita coisa é velada e com motivos “oficiais” que não correspondem à verdade. Logo, não parece coincidência que a BYD Shark tenha sido um estopim para que os EUA agissem.

A picape média híbrida é o primeiro veículo que a BYD desenvolve  sem foco na China, mas no resto do mundo. Até então, primeiro buscava-se atender ao imenso mercado chinês e, posteriormente, adaptar o carro ao exterior. Mas os chineses não são muito fãs de picapes, ao contrário, principalmente, das Américas.

A BYD Shark já está confirmada no Brasil, onde estreia no ano que vem. É possível que só as primeiras unidades sejam importadas da Ásia, ou nem isso: com plano de ser a terceira marca que mais vende carros em nosso país, a montadora tem pressa para dar volume à sua nova planta em Camaçari (BA). É lógico que uma picape seria opção útil e, segundo Alexandre Baldy, chefe da BYD no Brasil, é questão de alguns detalhes para que sua nacionalização se confirme.

Presidentes na jogada

A BYD Shark une um motor 1.5 turbo a gasolina de 192 cv a dois motores elétricos – o dianteiro com 228 cv e 31,6 kgfm e o traseiro com 201 cv e 34,7 kgfm. Ao todo, são 480 cv, que fazem dela a picape média mais potente do mundo. O torque combinado não foi divulgado, mas deve girar em torno de 70 kgfm. 

BYD Shark

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A disposição dos motores permite que a tração integral esteja sempre disponível, com peculiaridades positivas dos propulsores elétricos como o torque instantâneo e a facilidade de vetorá-lo. 

Um rearranjo no modo de posicionar as células (quase idênticas às pilhas que compramos no mercado) permitiu maior capacidade de armazenamento e melhor função estrutural. Dessa forma, há autonomia para cerca de 100 km sem queimar uma gota de gasolina; no regime híbrido, por outro lado, a BYD promete 840 km de alcance, que, segundo a vice-presidente das Américas, Stella Li, é um atrativo para os brasileiros.

Mais atrativo ainda, para ambos os lados, é a possibilidade de aproveitar o etanol. Em coletiva na presença de QUATRO RODAS, Li contou ‘segredos’ de sua reunião com o Governo Federal há algumas semanas. Entre eles, o investimento para que o conjunto híbrido seja não só ajustado para o álcool, mas que mantenha o máximo possível de sua autonomia.

“Temos mais de 100.000 engenheiros focados em pesquisa e desenvolvimento”, disse a executiva ao demonstrar confiança nos subordinados. A BYD, conta Li, tem até um centro dedicado a pesquisas com cerâmica, entre vários outros assuntos que podem render vantagens na indústria automotiva.

byd sHARK

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Entretanto, é difícil fugir dos impostos, mas não impossível. A BYD já visitou 24 locais no México a fim de encontrar o endereço ideal para a outra fábrica na América Latina; acontece que, segundo relatos da imprensa estrangeira, a fábrica mexicana teria outra função importante.

Trata-se de aproveitar a isenção de tributos para manufaturados mexicanos que são vendidos nos EUA (uma evolução do antigo Nafta). Os chineses negaram à reportagem essa intenção, mas já avisaram que chegarão, sim, aos Estados Unidos, na hora certa. “Temos um plano de longo prazo. Precisamos nos localizarmos, evoluir localmente e aí expandir de novo”, disse Stella Li. Vale lembrar, porém, que as picapes médias norte-americanas não têm tecnologias semelhantes à nova Shark.

Estilo ‘tubarão”

Se o Dolphin busca ter a simpatia de um golfinho e atrair pessoas ligadas à tecnologia dos carros elétricos, a Shark evoca o tubarão e “quer abocanhar a concorrência”. Referências estéticas surgem na dianteira, onde as DRLs que contornam os faróis full-led e cruzam o capô lembram a boca do predador, tal como a grade dianteira diminuta que realça o emblema da fabricante.

BYD Shark

Mas é difícil não ver muita semelhança dessa frente com a da Ford F-150 Lightning. A traseira, por sua vez, já tem estilo mais autêntico, com lanternas largas e de formas tridimensionais e outra régua iluminada horizontal.

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BYD Shark

Em termos de capacidade de carga, são 835 kg, que ficam aquém dos 1.000 kg, no mínimo, que uma picape a diesel carrega. Como a Shark deve ser vendida, ao menos inicialmente, em versões mais refinadas (estimamos entre R$ 300.000 e R$ 350.000), tal limite não deve ser tão crítico.

A caçamba leva 1.435 litros, com três tomadas que servem para alimentar dispositivos elétricos por várias horas. Um dos opcionais previstos inclui uma barraca, montada sobre o teto da caminhonete e cuja iluminação é toda fornecida pela bateria. A capacidade de reboque não costuma importar tanto para os brasileiros, mas os 2.500 kg são satisfatórios.

Espaço generoso

Ainda mais satisfatório é o espaço interno, principalmente da segunda fileira. Com 5,46 m de comprimento e 3,26 m de entre-eixos, é possível que os bancos da frente sejam ajustados de modo ideal para um adulto com 1,90 m. Mesmo assim, há espaço para outros adultos atrás, sem que os joelhos pressionem o encosto.

O chão completamente plano é fruto da ausência de cardan. Reflexo deles é que o passageiro do meio não perde espaço algum para os pés, completando o trunfo valioso da Shark.

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Na dianteira, quadro de instrumentos digital e central multimídia somam cerca de 23”, que poderiam aparentar mais beleza se a interface dos menus fosse mais bem trabalhada. De todo modo, os clientes tendem a usar Android Auto e Apple Carplay na maior parte do tempo: há conexão sem fio para ambos, com direito a carregador de celular por indução com 50 W de potência. A multimídia, claro, é giratória.

BYD Shark

Ao lado, fica o compartimento do cartão que liga o carro. Como ele utiliza a tecnologia NFC, dá para substituí-lo pelo smartphone e até criar chaves virtuais que podem ser compartilhadas a distância, via internet.

Como em outros BYD, a Shark é amplamente revestida de materiais macios ao toque, e quase não se encontra plásticos duros no seu interior. A estética muitas vezes estranha dos chineses, porém, dá lugar à combinação de preto e laranja que, curiosamente, é a mesma da Ford Ranger Raptor. Mas antes isso do que algo muito “bonzinho” em um veículo batizado com o nome de um assassino dos mares.

O console central foi, oficialmente, inspirado numa nave espacial. Interpretação à parte, o conjunto de botões tem aspecto atraente e, principalmente, operação fácil. Seja pelo botão laranja que liga a Shark ou pelos outros, que operam funções diversas. Mesma coisa vale para o volante, com base chata e raios incompletos que, além da boa empunhadura, trazem amplos comandos de fácil acesso.

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Como anda a Shark?

QUATRO RODAS pôde dirigir a Shark por tempo limitado na Cidade do México, mas já pudemos notar o conforto da eletrificação. A picape vai de 0 a 100 km/h em 5,7 s, que, no mundo real, significa boa agilidade nas retomadas. A autonomia de 100 km permite que deslocamentos urbanos sejam feitos tranquilamente sem queimar gasolina e, caso necessário, a recarga de 10% a 80% pode ser feita em 20 minutos, utilizando eletropostos de corrente contínua.

O arranjo inovador no assoalho permitiu a adoção de suspensão do tipo duplo A, tanto na frente quanto atrás. Isso aproxima a Shark bastante de um SUV, com pouco balanço e suavidade ao transpor buracos. A rigidez torcional elevada pelo compartimento de bateria também ajuda, ainda que essa não seja uma picape monobloco.

BYD Shark

No off-road, a seleção de modos de terreno deve se destacar, com computadores que, em tempo real, identificam a perda de tração nas rodas e redistribuem os três motores de formas complexas, mas ideais. As câmeras 360º prometem ampliar a consciência espacial do condutor, facilitando a travessia em pontos com obstáculos. Mas, acima de tudo, é necessário robustez e confiabilidade.

Para tanto, Stella Li acredita que seus engenheiros jamais deixariam passar aspecto tão caro para um segmento onde a “brutalidade” dita o sucesso mais do que luxos. A segunda fase da BYD (e de outras marcas chinesas) dependerá bastante disso, mas a executiva é categórica: “nos preparamos para oferecer um serviço cinco estrelas aos brasileiros, e vamos entregá-lo”. Se, com o passar do tempo, isso se concretizar, Ford Ranger e Toyota Hilux têm motivos para temer.

Ficha Técnica – BYD Shark

Motor: gasolina, diant., longitudinal, 4 cil. em linha, turbo, 1.5; 16V, 180 cv. Elétrico dianteiro com 231 cv e 31,6 kgfm, e traseiro com 204 cv e 34,7 kgfm. Potência combinada de 480 cv.
Câmbio: EHS, 1 marcha, tração integral com bloqueio virtual do diferencial
Bateria: LFP, 29,6 kWh, recarga máxima de 40 kW
Direção: elétrica
Suspensão: Duplo A (diant. e tras.)
Freios: disco ventilado (diant.), disco sólido (tras.)
Pneus: R18
Dimensões: comprimento, 545,7 cm; largura, 197,1 cm; altura, 192,5 cm; entre-eixos, 326 cm; peso, 2.665 kg; caçamba, 1.400 litros; altura livre do solo, 21 cm; ângulo de ataque, 31°; ângulo de saída, 19,3°; inclinação máxima, 30°

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