Quantum, Caravan, Parati, Scala, Panorama e Marajó: a disputa das peruas de 1985
O comparativo de 1985 que reuniu peruas clássicas como VW Quantum e Parati, Chevrolet Caravan e Marajó, Ford Scala e Fiat Panorama para eleger a melhor perua
Se hoje as famílias viajam de avião nas férias, 41 anos atrás o cenário era diferente. Os longos passeios eram feitos de automóvel e as peruas cumpriam o status de acomodar pais, crianças e toda a bagagem com conforto.
Com o tempo, esses modelos perderam espaço para os utilitários esportivos e, atualmente, já não sobrevivem no mercado brasileiro de veículos novos.
Em dezembro de 1985, período de férias de fim de ano, a QUATRO RODAS comparou versões de seis peruas à venda: VW Quantum CG, VW Parati GLS, Fiat Panorama, Ford Scala Ghia, Chevrolet Caravan Diplomata e Chevrolet Marajó SL.
A reportagem destacava que a escolha ideal dependia do uso mais frequente. O consumidor precisava avaliar se o foco seria cidade ou estrada, com ou sem carga. O espaço interno era fundamental, mas outros fatores pesavam na decisão final.
Equipada com motor de 4.100 cm³, a Caravan obteve o melhor desempenho entre as concorrentes. A perua atingiu 174,3 km/h de velocidade máxima e acelerou de 0 a 100 km/h em 12,2 s, números expressivos para um veículo de 1.224 kg.

A Parati (1.6) ficou na segunda posição, superando a Quantum (1.8), seguidas por Marajó, Panorama e Scala. Embora a velocidade máxima da station wagon da Ford fosse superior à da Panorama, a Scala recebeu a pior nota por registrar uma aceleração quase 2 s mais lenta.
Motor antigo
No quesito consumo, o propulsor de seis cilindros da Caravan registrou o pior resultado. A liderança ficou dividida entre Panorama e Parati, impulsionadas pelas boas médias rodoviárias: 13,45 km/l e 13,41 km/l, respectivamente. Marajó, Quantum e Scala apresentaram números intermediários aceitáveis.

Apesar da potência superior, o motor 4.1 da General Motors não foi considerado o melhor. A avaliação explicava que o projeto era antigo e não oferecia uma boa relação peso/potência. A vitória coube aos motores da Volkswagen, representados pelo 1.6 da Parati e pelo 1.8 da Quantum.
Os propulsores da fabricante alemã mostravam bom entrosamento com o câmbio de cinco marchas, marcado pelo bom escalonamento e por engates precisos. Quantum e Parati se destacaram novamente, inclusive em situações de condução mais esportiva.
Panorama e Scala vieram na sequência, punidas por engates ásperos. A caixa da Marajó foi avaliada como dura, enquanto a Caravan era prejudicada pela transmissão de apenas quatro marchas — uma quinta relação ajudaria a conter o consumo.

A segurança é o fator mais crítico em viagens familiares, colocando a eficiência dos freios em primeiro plano. Nessa prova, houve equilíbrio total. Todas as peruas mantiveram a trajetória em frenagens de emergência e registraram espaços de parada dentro da normalidade.
A direção também revelou um cenário parelho. Caravan, Quantum e Scala, mais pesadas, levavam vantagem pelo sistema hidráulico (item de série apenas na perua da Chevrolet). Em estabilidade, todas transmitiram segurança.
Com o veículo carregado, as respostas ficavam mais lentas e as trajetórias em curva se alongavam, sem comprometer a condução. A Parati apresentou o conjunto dinâmico mais homogêneo do grupo.

Na análise de estilo, o desenho mais jovem da Quantum levou a melhor. O design foi considerado equilibrado e beneficiado pela presença das quatro portas, embora a reportagem sugerisse que um leve rebaixamento favoreceria o visual.
O principal defeito da Parati era a traseira, avaliada como desconectada da porção frontal. Em conforto, a Quantum venceu por utilizar bancos espaçosos e envolventes.
Painel completo
A Parati oferecia a melhor posição de dirigir, favorecida pelo banco com ajuste de altura. Marajó, Panorama e Scala tiveram as piores notas porque seus assentos não seguravam o corpo com firmeza nas curvas. O modelo da Fiat ainda era prejudicado pela posição mais horizontal do volante.

Apesar da ergonomia inferior, a Scala possuía o melhor quadro de instrumentos. O painel era completo, de fácil leitura e entregava as informações essenciais ao motorista. As concorrentes apresentaram nível semelhante, mas Caravan e Quantum se diferenciavam por incluir um conta-giros de bom diâmetro.
Sobre a capacidade do porta-malas, Caravan, Quantum e Scala, as opções mais caras, traziam bagageiro de teto e tampa divisória para proteger a bagagem. Com essa cobertura, o volume útil era igual ao dos carros de passeio que lhes davam origem.

Sem a tampa divisória, o cenário mudava. A Quantum assumia a liderança com 796 litros de capacidade, contra 774 litros da Caravan e 768 litros da Scala. A Marajó ficava em desvantagem no transporte familiar, acomodando apenas 469 litros.

Nós dissemos – dezembro de 1985
“Não causou surpresa a Caravan Diplomata ter sido a mais silenciosa, embora seguida muito de perto pela Quantum CG. Também por se tratar da versão mais luxuosa, a Parati GLS ficou num bom terceiro lugar. Pela mesma razão, no entanto, a Scala Ghia decepcionou. Seu nível de ruído foi semelhante ao das Belina anteriormente testadas. A Panorama foi comprometida pelo ruído de seu câmbio quando em ponto morto.”

Teste Quatro Rodas – dezembro de 1985
| Parati GLS | Quantum CG | Panorama CL | Scala Ghia | Caravan Diplomata | Marajó SL | |
| Aceleração de 0 a 100 km/h | 13,1 s | 14,2 s | 18,5 s | 20,5 s | 12,2 s | 15,8 s |
| Velocidade máxima | 162 km/h | 160 km/h | 139,2 km/h | 141 km/h | 174,3 km/h | 149,3 km/h |
| Frenagem de 80 km/h a 0 | 34,2 m | 31,7 m | 33 m | 31,8 m | 33,4 m | 32,9 m |
| Consumo médio | 10,45 km/l | 9,64 km/l | 10,36 km/l | 9,35 km/l | 5,01 km/l | 10,09 km/l |
| Preço (dezembro de 1985) | Cr$ 65.287.000 | Cr$ 91.302.000 | Cr$ 45.521.000 | Cr$ 90.282.000 | Cr$ 115.333.000 | Cr$ 44.060.000 |
| Preço (atualizado IGP-DI / FGV até 2017) | R$ 97.445 | R$ 136.274 | R$ 67.943 | R$ 134.752 | R$ 172.142 | R$ 65.762 |
Ficha técnica
| Parati GLS | Quantum CG | Panorama CL | Scala Ghia | Caravan Diplomata | Marajó SL | |
| Motor | dianteiro, longitudinal, 4 cilindros em linha, 1.596 cm³, 79,5 x 80 mm, carburador, 85 cv a 5.600 rpm, 12,6 kgfm a 3.000 rpm | dianteiro, longitudinal, 4 cilindros em linha, 1.781 cm³, 81 x 86,4 mm, carburador, 94 cv a 5.000 rpm, 15,2 kgfm a 3.400 rpm | dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 1.297 cm³, 76 x 71,5 mm, carburador, 58,7 cv a 5.200 rpm, 10 kgfm a 2.600 rpm | dianteiro, longitudinal, 4 cilindros em linha, 1.555 cm³, 76,9 x 83,5 mm, carburador, 71,7 cv a 5.000 rpm, 11,9 kgfm a 2.400 rpm | dianteiro, longitudinal, 6 cilindros em linha, 4.093 cm³, 98,4 x 89,7 mm, carburador, 134 cv a 4.000 rpm, 30,1 kgfm a 2.000 rpm | dianteiro, longitudinal, 4 cilindros em linha, 1.599 cm³, 82 x 75,7 mm, carburador, 72 cv a 5.600 rpm, 12,3 kgfm a 3.200 rpm |
| Câmbio | manual de 5 marchas, tração dianteira | manual de 5 marchas, tração dianteira | manual de 5 marchas, tração dianteira | manual de 5 marchas, tração dianteira | manual de 4 marchas, tração traseira | manual de 5 marchas, tração traseira |
| Dimensões | comprimento, 409 cm; largura, 162 cm; altura, 138 cm e entre-eixos, 236 cm; peso, 940 kg | comprimento, 457 cm; largura, 169 cm; altura, 145 cm; entre-eixos, 255 cm; peso, 1.130 kg | comprimento, 392 cm; largura, 154 cm; altura, 141 cm; entre-eixos, 222 cm; peso, 849 kg | comprimento, 452 cm; largura, 168 cm; altura, 134 cm; entre-eixos, 243 cm; peso, 1.078 kg | comprimento, 481 cm; largura, 176 cm; altura, 147 cm; entre-eixos, 266 cm; peso, 1.224 kg | comprimento, 419 cm; largura, 157 cm; altura, 138 cm; entre-eixos, 239 cm; peso, 936 kg |







