Como é o novo chassi flexível que servirá de base para a nova geração do Civic
Honda vai na contramão da indústria e cria uma nova plataforma com menor rigidez torcional, prometendo melhorar a dirigibilidade e o conforto
Ao iniciar o projeto de um veículo, uma das principais preocupações da engenharia é a rigidez torcional, ou seja, a capacidade da carroceria de resistir à torção em seu eixo longitudinal. O chassi precisa ser firme para manter o seu formato e a integridade estrutural ao lidar com a transferência de peso nas acelerações, nas frenagens e nas curvas. Esta tem sido uma regra praticamente imutável da engenharia automotiva, seguida há décadas.
A Honda questiona essa regra com sua nova plataforma, criada para a próxima geração de carros híbridos. Em vez de buscar o máximo de rigidez, a proposta é que essa característica seja gerenciada. Assim, a estrutura se torna flexível o suficiente para apresentar leve torção durante as curvas.
Esse comportamento, segundo a fabricante, ajuda a controlar a distribuição de peso sobre os pneus em manobras, diminuindo a carga aplicada na roda do lado de dentro. O resultado prático é o aumento da aderência e do controle do veículo, o que reduz a tendência de o carro com tração dianteira sair de frente (subesterço).
A arquitetura ainda está em desenvolvimento. A Honda projeta lançar os primeiros carros com essa base estrutural a partir de 2027. Ela será adotada em modelos de porte médio, incluindo o Honda Civic, que serviu de veículo de demonstração para a nova tecnologia.
Regras flexíveis
A arquitetura fará sua estreia em 2027 na nova geração de carros híbridos da Honda. A marca, no entanto, não descarta a aplicação da tecnologia também em seus futuros modelos elétricos.
Mole nos lugares certos
A engenharia mapeou quais partes poderiam ser feitas com material menos rígido. A mudança foi aplicada em áreas externas do chassi, principalmente nas laterais do cofre do motor.
Resistente a vibrações
As partes flexíveis da plataforma da Honda ajudam o carro a absorver as irregularidades do asfalto. Isso reduz as vibrações transmitidas para dentro da cabine, o que beneficia não apenas a dinâmica veicular, mas também o conforto dos ocupantes.
Mudança mínima
A Honda precisou retrabalhar a parte dianteira para compensar a distorção milimétrica do chassi. A marca alterou os tipos de aços utilizados e redesenhou a estrutura para forçar o deslocamento do motor para baixo em caso de colisão frontal. Nota para a edição: O deslocamento do motor para baixo é feito justamente para evitar que o bloco invada a cabine em batidas, preservando os ocupantes.
Equilíbrio de forças
Permitir que a estrutura flexione nas curvas faz com que a roda externa seja pressionada contra o solo, em vez de concentrar a carga excessiva na roda interna. O resultado é um maior contato do pneu com o asfalto, o que aumenta o atrito e a segurança.








