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Como cuidar de um carro que fica ao relento

Seu carro fica em vaga descoberta? Veja como minimizar os efeitos da exposição ao tempo

Por Carlos Guimarães Atualizado em 22 abr 2021, 14h34 - Publicado em 21 ago 2012, 15h31

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Deixar o carro ao ar livre é um drama de muita gente. São vários os agentes que atacam a pintura: sol forte, chuva ácida, dejetos de pássaros, seivas vegetais e as temidas quedas de granizo fazem parte do pesadelo de quem não tem como estacionar em vagas cobertas.

A bancária Ritiele Veiga é daquelas que sofrem com a necessidade de deixar seus carros dormindo ao relento, já que ela e o marido sempre gostaram de automóveis antigos, mas nunca houve espaço para todos eles em vagas cobertas. Ela pensou ter achado a solução ao deixar seu L’Automobile Ventura, uma rara réplica nacional do Alfa Romeo 1931, protegido por uma capa. Mas nem isso ajudou. “Apesar de ter forração, a capa acabou provocando manchas na pintura depois de alguns anos”, afirma Ritiele. “Sob sol e chuva, ela acabou grudando na carroceria, mesmo tendo o interior de feltro. Por isso, faz mais ou menos um mês que desisti da capa, que fica guardada no porta-malas, não apenas por causa desses problemas, mas também para espantar os curiosos que queriam ver que carro estava por baixo.”

Isso não quer dizer que a capa não deva ser usada, mas ela precisa ser de boa qualidade e colocada com alguns cuidados, além de dar um belo trabalho se você precisar tirá-la e colocá-la todos os dias. Se esse for seu caso, o ideal então é ficar atento ao estado geral da pintura e providenciar toda semana uma lavagem, segundo recomendação dos especialistas.

De acordo com Antônio Cosimato, proprietário do centro de estética automotiva Deep Cleaning, “um carro que fica ao relento sofre e vai precisar de mais proteção para a pintura, com a utilização de uma cera de longa duração”. A aplicação da cera deve obedecer ao critério visual. Quando o carro perde o brilho, é hora de passar por um novo enceramento. Outro truque é ver se a água se acumula na lataria ou não. Se as gotas escorrem com facilidade, é sinal de que a carroceria está protegida pela cera e não precisa de uma nova aplicação.

Operação plástica

Cosimato também explica que, dependendo do tipo de automóvel, varia o grau de preocupação do dono. “O verniz da pintura de modelos importados de primeira linha, como Audi, Mercedes-Benz e BMW, é mais resistente, com aditivos de cerâmica. Por outro lado, uma lataria que foi repintada é mais suscetível à ação das intempéries”, diz Cosimato. “Mas em todos os casos existem alguns componentes, como plásticos e borrachas, que vão se deteriorando até chegar ao ponto de terem de ser trocados por outros, como é o caso dos frisos e vedações.” Para esse tipo de peça, existem em lojas de autopeças e hipermercados produtos conhecidos como protetores ou renovadores de partes plásticas.

Um dos agentes mais agressivos à pintura é o dejeto de pombos. “Recomendo ter sempre no carro uma garrafa d’água e um pano para retirar esse tipo de sujeira o mais rápido possível, principalmente se ele estiver exposto ao sol”, diz Cosimato. Já marcas de seiva vegetal, que pingam de alguns tipos de árvores, devem ser retiradas com solventes à base de hidrocarbonetos, conhecidos popularmente como tira-grude. Outro grande problema é a chuva ácida, causada pela combinação da água com os poluentes do ar, que acaba corroendo a pintura e deixando marcas esbranquiçadas. Nessa situação, pode ser necessário submeter a pintura a tratamentos mais intensos, conhecidos como polimento, cristalização e vitrificação, cada um com prazo diferente de duração.

Wilson Zimmermann, proprietário da funilaria SP Center Car, explica que o polimento tem efeito reparador e é realizado com o objetivo de corrigir danos na pintura e dar brilho, mas sem proteger a lataria. Feito com uma politriz que aplica uma cera especial, mais abrasiva, deve ser usado com parcimônia, sob risco de diminuir a camada de tinta. O processo é indicado para pinturas que estejam mais desgastadas ou riscadas e deve ser feito no máximo uma vez a cada dois anos, ao custo médio de 250 reais. “Já a cristalização tem algum efeito protetor contra sol e goteiras, entre outros agentes não tão nocivos. Ela custa em média 300 reais e chega a durar seis meses”, diz Zimmermann. Há ainda um terceiro estágio, a vitrificação, que forma uma camada de resina protetora da Tribond em cima do verniz, dura três anos e fica em torno de 600 reais, preço que acaba aumentando se o serviço for feito em concessionárias.

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Outro vilão para o carro que dorme a céu aberto é a chuva de granizo. Aqui só mesmo um teto sobre a garagem ou uma capa revestida com forro espesso pode evitar o prejuízo. Especialistas em consertar esses pequenos amassados dizem que o tempo e o custo desse tipo de serviço varia conforme o tamanho das pedras de gelo que atingiram a carroceria. “Há casos em que conseguimos entregar o carro no dia seguinte e outros que exigem trabalho mais longo. O custo parte de 1000 reais e pode superar 2 000 reais em casos mais graves”, diz.

MANTO PROTETOR

Usar uma boa capa automotiva pode ser uma saída para proteger a pintura do carro que fica estacionado ao ar livre, porém é preciso ter alguns cuidados e escolher bem antes de comprar, senão você vai acabar gastando dinheiro à toa e ainda correrá o risco de ter a lataria manchada. Segundo a gerente de vendas da Bezi Indústria e Comércio, Valéria Rosa, a capa mais indicada para quem deixa o carro ao relento é a feita de polietileno especial texturizado com forração total, inclusive nas laterais. Ela deve ter também outros dois itens importantes: cabo de aço preso por um pequeno cadeado (o que evita furto e que ela se solte do carro com vento forte) e um pequeno balão inflável, colocado entre a capa e a capota, para facilitar a ventilação. Um modelo de boa qualidade custa entre 120 e 200 reais, dependendo do tamanho.

A dica mais importante, explica Valéria Rosa, é que a capa não deve ser colocada se ela estiver com a parte interna molhada, ou ainda caso o motor do carro esteja quente. “Só se deve usá-la com a lataria completamente seca. O material é impermeável, por isso não deixa a água penetrar e, em caso de mau uso, também não deixa a umidade sair. É isso que pode causar manchas”, diz ela. Portanto, evite os modelos mais baratos, feitos de PVC ou polipropileno, já que não resistem ao sol e podem até esfarelar com o tempo. E não use capa se a pintura não estiver em bom estado, ou no caso de veículos recém-pintados.

ABC DA LATA

Enceramento: simples aplicação de cera para dar brilho e proteger a lataria, pode ser feito em casa.

Polimento: usa-se cera mais abrasiva e uma politriz para espalhá-la. Serve só para recuperar o brilho e deve ser realizado em pinturas desgastadas ou com pequenos riscos.

Espelhamento: nome dado pela 3M a um processo parecido com o polimento, que tem efeito reparador e pode ser feito, no máximo, uma vez a cada dois anos.

Cristalização: utiliza uma resina especial para proteger contra as intempéries e mantém seu efeito brilhante por cerca de seis meses.

Vitrificação: forma avançada de cristalização, dura até três anos.

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