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Renault Sandero

Robusto e espaçoso como sempre, agora ele investe em áreas que nunca foram seu forte: design, conforto e equipamentos

Por Paulo Campo Grande | Fotos Christian Castanho - Atualizado em 8 nov 2016, 18h19 - Publicado em 21 ago 2014, 20h24
testes

Nos últimos anos, os lançamentos da Renault se destacaram pela trinca preço bom, robustez e espaço interno. Os carros podiam não apaixonar pelo desempenho ou visual, mas conquistavam pelo racional: ofereciam bastante e custavam pouco. A estratégia deu certo e levou a empresa ao quinto lugar no ranking entre as maiores do Brasil. Mas se esgotou. Em 2013, ela diminui de tamanho, enquanto suas rivais cresceram. E isso ajudou a montadora a decidir que seu argumento de venda também precisava incluir valores como design e conforto. Não é à toa, portanto, que essas são as principais novidades do novo Sandero, que chega em julho às lojas. O hatch, que nasceu para ser um carro barato, mudou seu conceito para a segunda geração. Ganhou design caprichado, acabamento sofisticado e mais equipamentos. A marca justifica as transformações com a tradicional explicação de que elas eram necessárias para acompanhar um consumidor cada vez mais exigente. Mas não tenha dúvida: a Renault quer deixar para trás a imagem de eficiente, porém sem graça. E o Sandero é uma das peças mais importantes dessa mudança.

O Sandero reproduz as linhas já vistas na versão sedã, o Logan. Até aí, sem novidade. Comparando com o hatch da primeira geração, porém, é interessante notar como as laterais agora ostentam vincos suaves demarcando os para-lamas e a coluna traseira é mais elegante. Por dentro, o painel exibe superfícies mais trabalhadas. Mas tão importante quanto o estilo foi a troca de materiais, de melhor aparência e mais agradáveis ao toque. A versão top Dynamique das fotos tem cromados ao redor dos mostradores e console preto brilhante, mas as partes plásticas são iguais para todas as versões. A mais cara possui bancos com relevo, enquanto nas demais o tecido é liso. Já o espaço interno continua o mesmo, excelente como sempre. Na busca de conforto, porém, a fábrica desenvolveu uma nova suspensão, que passou ser montada num subchassi na dianteira, para reduzir ruídos e vibrações. Isso melhorou bastante o comportamento em piso irregular, mas agora percebe-se com mais nitidez o rumor dos pneus no asfalto e a vibração do motor 1.6, que é áspero. Nos demais aspectos dinâmicos, o Sandero não mudou. A fábrica diz que a direção foi recalibrada, mas a alteração não é perceptível ao volante. Os freios também foram retrabalhados. Nesse caso, houve melhoria: em nosso teste, de 80 km/h até parar, a distância de frenagem diminuiu de 32,8 para 28,2 metros.

A fábrica também aperfeiçoou o sistema elétrico devido ao aumento da eletrônica, como a adoção do piloto automático igual ao do Fluence (que tem limitador e controla a velocidade) e do quadro de instrumentos com indicador de troca de marchas. Entre os opcionais, há o ar-condicionado automático e a central multimídia, que na linha 2015 tem mais recursos. Além de som, telefone, GPS e câmera de ré, a nova central Media Nav 1.2 tem as funções Eco-Coaching (orienta o motorista a dirigir de modo econômico) e Eco-Scoring (avalia o desempenho do motorista, dando mais pontos quanto menos ele consumir).

Carro-chefe da marca

Por enquanto haverá quatro versões: Authentique 1.0, Expression 1.0 e 1.6 e Dynamique 1.6. A aventureira Stepway e as com câmbio automático serão mostradas no Salão do Automóvel, em outubro. Desde a básica Authentique, todas têm direção hidráulica, desembaçador traseiro e abertura interna do porta-malas e do tanque de combustível, além dos obrigatórios ABS e duplo airbag. A Expression traz ainda rádio e CD player, com entrada USB e Bluetooth, vidros elétricos dianteiros, alarme, computador de bordo, retrovisores e maçanetas da cor da carroceria e coluna central com acabamento preto. A top Dynamique acrescenta rodas de liga, faróis de neblina, indicadores de direção nos retrovisores, piloto automático, computador de bordo, espelhos e vidros traseiros elétricos, banco traseiro bipartido e volante de couro, de série. Os motores são o 1.0 16V de 80 cv e o 1.6 8V de 106 cv, com etanol. A Renault não havia divulgado os preços até a data de fechamento desta edição, mas, se seguir a estratégia adotada no Logan, deve subir os valores em 5% na versão de entrada e 7% nas demais. Assim, a Authentique 1.0 sairia por R$ 32 000 e a Dynamique 1.6, cerca de R$ 48 000.

Para quem sempre considerou a compra de um Sandero pela relação custo-benefício, pode ficar sossegado. Ele manteve as características que o consagraram: robustez e espaço interno. Afinal, a Renault não quer perder o mercado já conquistado – o Sandero é o principal produto da marca no Brasil, com 40% das suas vendas.

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO


A direção continua pesada. O hatch se saiu bem nas frenagens. E a suspensão filtrou melhor as oscilações do piso.

★★★★

MOTOR E CÂMBIO

O Sandero apresentou ligeira melhora no rendimento em relação ao antecessor equipado com o mesmo conjunto mecânico.

★★★☆

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CARROCERIA

O Sandero ficou mais bonito e bem-acabado.

★★★★☆

VIDA A BORDO

O bom espaço interno foi mantido e a lista de equipamentos cresceu, principalmente para as versões Expression e Dynamique.

★★★★

SEGURANÇA

Traz só os itens obrigatórios: ABS e duplo airbag.

★★★

SEU BOLSO

Tem três anos de de garantia e revisões com preços fechados. Para continuar competitivo, seus preços não podem subir muito.

★★★

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