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Mercedes-Benz S 63 AMG Coupé

Muito mais que um Classe S duas portas, ele tem design exclusivo (e que design!), alta esportividade e um luxo sem igual na categoria

Por Joaquim Oliveira Atualizado em 8 nov 2016, 18h07 - Publicado em 25 set 2014, 12h32
impressoes

Em geral, a versão cupê de um sedã se resume a manter sua dianteira e dar um tapinha na traseira para lhe conferir um ar mais esportivo, quase sempre deixando as colunas traseiras mais largas e com um caimento suave. Pelo menos é o que se esperaria de uma marca tradicional como a Mercedes. Não foi nada disso o que ela fez ao criar a versão duas portas do luxuoso Classe S, que começa a ser vendido na Europa em setembro – no Brasil, ele só chega no primeiro trimestre de 2015, ainda sem preço definido, porém certamente acima dos US$ 320 000.

O que mais chama atenção no novo S Coupé (que substitui o tradicional CL) é sua carroceria

sensualmente esculpida, mais baixa que no sedã, com vincos marcantes na lateral, um conjunto que provoca uma onda de pescoços virados por onde desfila. Esteticamente, os genes esportivos da versão avaliada durante o lançamento, a S 63 AMG, fazem com que o carro seja ainda mais chamativo, mas sem nunca ser exagerado. O capô mais alto e projetado à frente, o spoiler cromado sob o para-choque dianteiro e o difusor negro na traseira com os quatro escapes integrados fazem

com que o veículo pareça ainda mais largo e próximo ao chão que seu irmão de quatro portas.

Na cabine, com espaço e conforto de sobra para quatro adultos, uma novidade: um mostrador digital que vai da frente do motorista até o centro do painel, subdividido em dois monitores de 12,3 polegadas cada um. O da esquerda traz as informações do veículo. O da direita, com a parte multimídia e as regulagens de ajuste de todos os sistemas, pode ser controlado por qualquer um dos dois ocupantes dos luxuosíssimos bancos dianteiros. Há até um recurso que permite ao motorista checar o mapa do navegador GPS enquanto, na mesma tela, o passageiro assiste a um filme. A mágica só é possível por causa da diferença do ângulo de visão de cada pessoa.

Teto de transparência variável

Por dentro, há uma qualidade de materiais, acabamentos e construção geral provavelmente sem

comparação no mercado atual de automóveis de luxo. Percebe-se isso nas finamente trabalhadas

poltronas de couro, dotadas de ventilação, aquecimento e massagem. Na bem-cuidada ergonomia, na sofisticada iluminação ambiente, no emblema AMG bordado no apoio de braço no console central dianteiro, no relógio analógico da marca suíça IWC, personalizado com ponteiros de metal de efeito tridimensional. Outra inovação é o sistema multiuso que permite o acesso independente aos recursos da central multímida (internet, TV, rádio, DVD e entrada USB) a partir de qualquer um dos usuários dos quatro bancos. Nos dois assentos traseiros, há espaço de sobra para passageiros de até 1,80 metro de altura, que podem apreciar o céu pelo teto panorâmico Magic Sky Control, um equipamento que permite alterar a transparência do vidro segundo a preferência dos ocupantes ou conforme a estação do ano.

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Também disponível no sedã, o S 63 AMG Coupé conta com a opção de tração integral 4Matic, com uma divisão fixa do torque de 67% para as rodas traseiras e 33% para as dianteiras. Dessa forma, o esportivo acelera de 0 a 100 km/h em meros 3,9 segundos, ou 0,4 segundo a menos que o cupê equipado só com tração traseira. O S 63 AMG Coupé também oferece de série a suspensão pneumática AirMatic, que utiliza um sistema de amortecimento adaptativo que monitora o asfalto à sua frente para ajustá-la a qualquer irregularidade do piso. O motorista só precisa selecionar o modo Comfort ou Sport para o computador cuidar do resto, dando prioridade ao comportamento mais suave ou garantindo o máximo de estabilidade na curva, conforme o programa escolhido. Mas em qualquer um deles a resposta nunca será macia ou rígida em excesso.

A alma do S 63 AMG é o motor V8 5.5 biturbo, de injeção direta, com 585 cv de potência e 91,8 mkgf de torque. Ele trabalha em harmonia com a transmissão MCT de sete velocidades, que na prática é o conhecido câmbio 7G-Tronic sem o conversor de torque. Em seu lugar há uma embreagem banhada em óleo, diferentemente das caixas de dupla embreagem que funcionam a seco, tão comuns nos esportivos atuais. Esse câmbio casa com perfeição com o V8 de fabricação quase artesanal da divisão AMG, que consegue fazer trocas de marcha em velocidade-relâmpago, especialmente nos modos Sport e Manual.

No dia a dia, porém, o modo Controlled Efficiency é o mais indicado, proporcionando viagens voltadas ao conforto e a médias de consumo mais próximas da homologada oficialmente pela marca, que é de 9,7 km/l, bem próximo do que conseguimos num dos trajetos do nosso test-drive pela ruas de Florença (Itália), onde registramos 9,3 km/l, graças a uma mãozinha do sistema start-stop incrivelmente rápido e silencioso.

Nesse modo, o conforto para quem se senta atrás é ainda auxiliado pelo fechamento de borboletas

dentro dos dois silenciosos traseiros do escapamento, que tornam o ronco do enorme motor mais discreto. O S 63 AMG Coupé é tam bém o primeiro automóvel de produção em série a ter uma bateria de íons de lítio. Ela substitui a convencional que aciona o motor de arranque e a bateria de suporte – a edição especial SLS AMG Coupé Black Series foi o primeiro carro do mundo a surgir com essa solução. Só esse recurso reduziu em 20 kg o peso total do veículo.

Outra contribuição preciosa na sua dieta de emagrecimento veio dos discos de freio de cerâmica, que são 20% mais leves que os de aço (opcionais e pela primeira vez disponíveis na Classe S) e das igualmente novas rodas de alumínio forjado, que são equipamento de série. Em ambos os casos o resultado são massas suspensas mais leves, que melhoram o comportamento em estrada e a capacidade de frenagem e oferecem uma resposta superior do conjunto mola/amortecedor. Este também é o primeiro automóvel do mundo a não ter lâmpadas incandescentes, tanto no interior como no exterior. No lugar, foram instalados 500 leds. Também contribuem para melhorar a visibilidade do motorista vários sistemas de assistência à condução, como as luzes de estrada automáticas e o assistente de visão noturna. Graças a uma nova câmara estereoscópica e a sensores de radar de vários níveis, o carro monitora uma área de 360 graus ao seu redor, o que lhe permite reconhecer melhor os potenciais perigos em trânsito, como colisão traseira iminente ou um pedestre que está para atravessar a pista.

O luxo e a sofisticação no S Coupé chegaram a um nível de esmero tal que chega ao ponto de os faróis ostentarem 47 cristais Swarovski – 17 pedras angulosas para as luzes de uso diurno e 30 cristais de forma arredondada para as luzes dos piscas. Isso é que é ter luz própria.

VEREDICTO

A Mercedes nunca foi conhecida pela beleza do seu cupê grande CL. Com o substituto S Coupé, a história é outra. Além de lindo, esbanja potência e luxo. Vai ser difícil resistir a ele.

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