Impressões: Fiat Argo 1.3 tem fôlego, equilíbrio e conforto

Versão Drive agrada pelas respostas rápidas do motor Firefly; suspensão firme e câmbio bem escalonado são outros destaques

Design moderno é uma das principais armas do Argo (divulgação/Fiat)

O futuro da Fiat depende do Argo. O modelo tem a missão de engrossar o volume de produção da montadora, que perdeu participação no mercado em diversos segmentos importantes para a marca, como o dos compactos.

Já andamos no modelo e optamos por avaliar a versão Drive 1.3 com câmbio manual. Da projeção de 35 mil unidades vendidas até o fim do ano, a fabricante estima que 40% delas sejam equipadas com o motor 1.3. E para cada quatro Argo 1.3 vendidos, a expectativa é de que 3 sejam manuais e 1 tenha câmbio automatizado GSR.

Lateral lembra bastante o VW Gol (divulgação/Fiat)

Embora não tenha um visual tão esportivo quanto o do Argo HGT topo de linha, o modelo também seduz pelo design. As belas linhas desenvolvidas pelo centro brasileiro de estilo da Fiat remetem ao Tipo europeu e até alguns modelos da Alfa Romeo, principalmente o hatchback Giulietta.

Lanternas invadem as laterais, ao estilo Alfa Romeo (divulgação/Fiat)

O interior tem acabamento acima da média dos carros de entrada da Fiat – e mais refinado que o Chevrolet Onix, para citar um rival direto. Conta até com plásticos texturizados na parte inferior do painel – semelhante ao padrão adotado na picape Toro. A unidade avaliada, porém, apresentava alguns problemas de encaixe nas peças, especialmente nas portas.

Com acabamento superior à de Palio e Punto, cabine tem elementos da picape Toro (divulgação/Fiat)

Acompanhado de mais dois adultos de estatura média, não senti falta de espaço dentro do hatch – mesmo quem viajou atrás tinha mais espaço para as pernas do que em Onix e HB20. O porta-malas de 300 litros é ligeiramente maior do que a maioria dos hatches, com exceção do Renault Sandero e seus 320 litros.

Espaço atrás é suficiente para três adultos, com cintos de três pontos e fixações Isofix (divulgação/Fiat)

O painel de instrumentos traz uma tela de TFT de 3,5 polegadas com visor colorido para o computador de bordo, incluindo funções como velocímetro digital e o sensor de pressão de pneus, que vem de série.

Tela do computador de bordo é mais simples na versão Drive

Tela do computador de bordo é mais simples na versão Drive (divulgação/Fiat)

No centro da cabine fica a tela de 7 polegadas da central multimídia UConnect, bastante intuitiva de operar. Bastam poucos minutos para se familiarizar com os menus e funções principais do item, cuja principal vantagem é o suporte a Apple CarPlay e Android Auto.

Emprestada do Tipo europeu, central multimídia é de série no Argo Drive 1.3. Comandos estão em inglês

Emprestada do Tipo europeu, central multimídia é de série no Argo Drive 1.3. Comandos estão em inglês (divulgação/Fiat)

Outro ponto positivo é que a central reconhece dispositivos em qualquer uma das entradas USB (o Argo Drive possui duas, sendo uma logo à frente da manopla do câmbio e a outra entre os bancos dianteiros).

Equipado com o mesmo motor Firefly 1.3 de quatro cilindros em linha (109/101 cv e 14,2/13,7 mkgf a 3.500 rpm) que equipa o Uno, o Argo Drive acelera de 0 a 100 km/h em 10,8 segundos e atinge velocidade máxima de 184 km/h com etanol, segundo a Fiat.

Se o combustível for gasolina, os números são de 11,8 segundos e 180 km/h, respectivamente. De acordo com a montadora, o carro faz 9,2 km/l na cidade e 10,2 km/l na estrada se abastecido com etanol e 12,9 km/l e 14,3 km/l com gasolina.

Motor Firefly gera até 109 cv e 14,2 mkgf se abastecido com etanol (divulgação/Fiat)

Os números divulgados pela marca são otimistas – no teste feito por QUATRO RODAS, com gasolina, o Uno com motor 1.3 Firefly e quase 100 kg a menos fez o 0 a 100 km/h em 12,5 segundos, com consumo de 10,2 / 14,2 km/l.

Partimos de um hotel na zona oeste da capital paulista rumo ao interior, onde pudemos analisar o comportamento do Argo 1.3 tanto na cidade quanto na estrada. Assim como na versão HGT, o hatchback surpreende pelo comportamento da suspensão, rígida para os padrões da Fiat.

Entramos com mais apetite nas curvas de um trecho sinuoso nos arredores de Barueri e o Argo se manteve “na mão” o tempo todo, sem deixar a carroceria rolar excessivamente e nem dando sinais de que perderia estabilidade.

Melhor assim: ao contrário da versão Drive 1.3 equipada com câmbio automatizado GSR, que oferece controle de estabilidade de série, a configuração manual não possui ESP nem como opcional.

Bem escalonado, o câmbio manual tem engates macios e não pede reduções mesmo em situações críticas para um motor de baixa cilindrada, mas o nível de ruído dentro da cabine se torna elevado se o motorista decidir esticar as marchas.

Transmissão manual de cinco marchas tem engates macios e precisos (divulgação/Fiat)

Diferente de Mobi e Uno, a direção do Argo não é tão leve nas manobras de estacionamento. Em contrapartida, esta calibração é apreciada em velocidades mais altas, principalmente para quem gosta de uma tocada mais esportiva.

O Argo Drive 1.3 com câmbio manual tem preço sugerido de R$ 53.900. Por esse preço, ele já oferece ar-condicionado analógico, central multimídia UConnect de 7 polegadas, chave canivete, direção elétrica, volante multifunção, repetidores de setas nos retrovisores, sistema de monitoramento de pressão dos pneus e sistema start-stop no motor.

Há três pacotes de opcionais. O Kit Convenience (R$ 1.200) traz retrovisores com ajuste elétrico e função tilt down, além de vidros traseiros elétricos. O Kit Stile (R$ 1.900) agrega faróis e neblina, rodas de liga leve aro 15 (as originais são aro 14, com calotas) e pneus 185/60 R15.

Câmera de ré é vendida junto com sensor de estacionamento, por R$ 1.200

Câmera de ré é vendida junto com sensor de estacionamento, por R$ 1.200 (divulgação/Fiat)

Por fim, o Kit Parking (R$ 1.200) oferece sensor de estacionamento traseiro e câmera de ré, com imagens exibidas na tela da central multimídia. Com tudo isso, o preço do carro chega a R$ 58.200 – se for adicionada pintura metálica ou perolizada, o valor sobe para R$ 59.800.

A própria Fiat admite que os dois principais alvos do Argo são Chevrolet Onix (atual líder de mercado) e o Hyundai HB20 (que disputa o 2º lugar com o Ford Ka). Vale, portanto, uma prévia dos comparativos que estão por vir.

O Chevrolet Onix com motor 1.4 e câmbio manual de seis marchas parte de R$ 51.650 na versão LT e R$ 56.650 na LTZ (esta última é a mais parecida com o Argo 1.3 Drive em termos de equipamentos). Já o Hyundai HB20 1.6 com câmbio manual de seis marchas é tabelado em R$ 52.530, mas vem menos equipado – não tem central multimídia, por exemplo.

Ficha técnica – Fiat Argo Drive 1.3 M/T

  • Motor: flex, transversal, 1.332 cm3, 4 cilindros em linha, 2 válvulas por cilindro, 109 cv a 6.250 rpm e 14,2 mkgf a 3.500 (etanol), 101 cv a 6.000 rpm e 13,7 mkgf a 3.500 rpm (gasolina).
  • Câmbio: manual, 5 marchas, tração dianteira
  • Suspensão: McPherson (dianteira), eixo de torção (traseira)
  • Freios: discos (dianteira), tambor (traseira)
  • Direção: elétrica
  • Rodas e pneus: aço, 175/65 R14 (série), liga leve, 185/60 R15 (opcional)
  • Dimensões: comprimento, 399 cm; altura, 150 cm; largura, 172 cm; entre-eixos, 252 cm; peso, 1.140 kg; tanque, 48 litros.
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  1. Vejo sempre comparações do Argo com o HB20, Onix e Novo Polo, mas o valor do Argo 1.3 Manual concorre com o Novo UP Tsi na faixa de 53 mil. Nesse caso, um compacto contra um sub compacto. Nesse caso, qual a melhor opção? A tecnologia do motor e dirigibilidade do VW ou o conforto e tecnologia do Fiat?