GAC GS3 é chinês bom de dirigir, tem preço de 1.0 e faz inveja no Nivus GTS
Carro mais barato da GAC estreia com motor 1.5 turbo, bom desempenho e porte de médio, mas ainda tem onde evoluir
É até estranho o GAC GS3 ser um carro chinês que não é híbrido, muito menos elétrico. O novo carro de entrada da GAC no Brasil só tem um motor a combustão, que queima apenas gasolina. Pode ser inusitado, mas o que a marca chinesa quer é comprar briga no segmento mais disputado do Brasil, o dos SUVs médios.
É um segmento gigante que começa no Citroën Basalt, de R$ 104.890, passa por Fiat Pulse, Hyundai Creta, Chevrolet Tracker, pelos VW Tera, Nivus e T-Cross e chega no Honda HR-V Touring, de R$ 214.000. Mas o GAC GS3 se encaixa na metade inferior dos SUVs compactos: seus preços variam entre R$ 129.990 e R$ 159.990, e pelo menos no papel ele entrega muito mais.
Os 4,41 m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,6 m de altura e 2,65 m de entre-eixos, fazem do GS3 um SUV maior do que um Jeep Compass, que é um SUV médio. O padrão de acabamento, o conteúdo das versões e o motor também estão alinhados aos médios.
Não passa despercebido
O modelo abusa de traços retos, recortes angulosos, superfícies geométricas e vincos bem marcados. Na dianteira, os faróis full led são pequenos e ficam bem no meio: as peças pontiagudas que se destacam próximas do capô são as luzes diurnas de led, que também têm função de seta.
A grade, com grelha vertical, parece receber um corte em V ao centro. De lado, há vincos angulosos nas portas, nos apliques da coluna C e até nos retrovisores. As rodas são de 18 polegadas na versão Premium e de 19 polegadas na versão Elite.
A traseira segue com as linhas tão geométricas que as extremidades das lanternas saltam para fora. A tampa do porta-malas fica rente ao para-choque, portanto, exposta a batidas, e tem abertura elétrica automática na versão mais cara.
O interior, por sua vez, suaviza a temática – embora ela ainda esteja lá. Pontos como os porta-copos no console central, o formato da borda da central multimídia e os apliques acima e em volta do quadro de instrumentos têm quebras de linhas mais evidentes, mas não tanto.
Por falar no interior, ele também foge aos padrões dos demais chineses atuais. Mesmo que não tenha uma forte personalidade, não é do tipo vazio, apenas com grandes telas, porque há comandos físicos completos para o ar-condicionado automático. Mesmo a tela do quadro de instrumentos não é enorme, tem sete polegadas e conta-giros, temperatura do motor e nível do tanque de combustível são mostrados ao lado, em mostradores de cristal líquido. A central multimídia tem 14,6″ e Android Auto e Apple Carplay sem fio.
Existe um trabalho de design, com composições de volumes, traços, materiais de toque macio por todas as superfícies, e uma faixa central com costuras aparentes. O acabamento interno pode ser todo preto ou ter partes na cor marrom.
O espaço traseiro fica próximo de modelos como T-Cross, Creta e HR-V, donos das melhores acomodações, e tem um saída de ar e uma porta USB convencional. O importante é que as inclinações do encosto e do assento têm ângulos confortáveis. Mas o porta-malas de 341 litros decepciona, considerando as dimensões gerais do carro. A culpa, em partes, é do estepe de uso temporário acomodado no assoalho.
Esportivo culposo?
Se o normal abaixo dos R$ 160.000 é encontrar SUVs com motor 1.0 turbo, o GAC GS3 segue a proposta dos Caoa Chery Tiggo 5X: coloca um motor 1.5 turbo na briga. No caso do estreante, o motor já tem watercooler e injeção direta (atuando a uma pressão de 350 bar), mas não é flex: só queima gasolina. Rende 170 cv e 25,5 kgfm, e está sempre combinado a um câmbio de dupla embreagem com sete marchas.
Tirando pelo design, pelo tamanho das rodas, pelo aerofólio robusto e pelo para-choque traseiro que faz questão de simular as saídas de escape, o GAC GS3 foi criado para se passar por um SUV esportivo. Mas alguma esportividade ficou pelo caminho, como a retirada do escape central traseiro com variador de ronco, ou pela ausência de borboletas para trocas sequenciais.
O motor também foi amansado. Esta configuração usar um turbocompressor convencional em vez de um elétrico e isso, combinado com a programação adequada às normas de emissões do Brasil, custou uma redução de 7 cv e 2 kgfm. O efeito prático está em respostas rápidas nos primeiros momentos de aceleração, muito em virtude do acoplamento do câmbio, e em ganho de velocidade mais progressivo depois.
O câmbio, vale dizer, não ajuda muito e seu temperamento varia bastante. No modo econômico, não adianta pressionar o acelerador até o fim porque dificilmente o câmbio fará uma redução de marcha. No modo conforto, as trocas de marcha acontecem em momentos previsíveis, sem deixar que o motor ganhe muito giro. No modo esportivo, aí sim as marchas são melhor aproveitadas e as mudanças são mais rápidas. Independente do modo, porém, o câmbio sempre tende a ficar confuso nas retomadas ou demora a responder quando é exigido. Falta uma programação mais refinada.
Por outro lado, o desempenho pode compensar: a GAC divulga um 0 a 100 km/h em 8,1 s, ou seja, 0,3 s mais rápido que o tempo divulgado pela VW para um Nivus GTS de R$ 189.690. E um GS3 Elite, de R$ 159.990, até tem o teto solar panorâmico que os clientes da VW tanto desejam nos Nivus.
Não é audácia demais comparar este GAC a um Volkswagen. Direção e freios (a disco, ventilados na frente e sólidos atrás) têm boas respostas e sensibilidade, e o GS3 é mais um GAC com uma boa calibração de suspensão. É um carro firme, mas não duro demais como os Pulse e Fastback Abarth. É um carro prazeroso de dirigir em estradas sinuosas, mas não te faz sentir raiva em vias malcuidadas. Vale ressaltar que a suspensão traseira é por eixo de torção, a mais comum entre os SUVs compactos.
Se a dinâmica não é de carro chinês, a calibração dos assistentes ADAS não nega a origem: assistentes de faixa e alertas de colisão são um tanto desesperados, e até mesmo o controle de estabilidade tende a ser invasivo, interferindo em uma curva contornada com um pouco mais de velocidade a ponto de ser audível.
Ruído é outro ponto a ser melhorado. O motor não chega a incomodar, mas há barulho de vento na área frontal e nos retrovisores, que têm braços duplos. E mesmo calçado com os pneus Michelin Primacy 3, há algum barulho de rolagem dos pneus invadindo a cabine.
Tão populares, são poucos os SUVs compactos sem motores flex. O GS3 só queimar gasolina soa incomum e a GAC não tem pressa para mudar isso: quer esperar a demanda dos clientes e, a partir disso, terá um desenvolvimento de pelo menos um ano e meio pela frente, diz Leonardo Lukacs, diretor de Engenharia e Manufatura da GAC. Mesmo com a produção nacional começando em 2027, os primeiros GAC nacionais não serão flex.
Um ponto levantado pela fabricante é o consumo, que pioraria com a adaptação para etanol. E perto dos carros da sua faixa de preço, o GS3 não é tão econômico: no Inmetro, o GS3 foi homologado com consumo urbano de 10,1 km/l e rodoviário de 11,6 km/l. Consumo de motor a combustão chinês ainda é assunto delicado.
Em resumo, o GAC GS3 é um carro muito interessante, principalmente diante do preço cobrado. Os R$ 129.990 iniciais, porém, só valem para as primeiras 1.000 unidades ou até 31 de março. Depois, o preço da versão Premium passará a R$ 139.990. Esta versão Elite, porém, seguirá custando os R$ 159.990 pedidos. Confira os equipamentos de cada versão a seguir.
GAC GS3 Premium – R$ 129.990
A versão de entrada já vem equipada de série com rodas de liga leve de 18 polegadas, faróis e lanternas em led com acendimento automático, luzes de rodagem diurna (DRL) e maçanetas retráteis manuais. No interior, o modelo traz ar-condicionado automático com saídas para o banco traseiro, bancos e volante multifuncional com revestimento premium sustentável, além de ajustes manuais para os assentos dianteiros.
Na tecnologia, oferece central multimídia de 14,6 polegadas com conexão sem fio para Apple CarPlay e Android Auto, painel de instrumentos digital de 7 polegadas, sistema de partida sem chave, quatro alto-falantes e piloto automático convencional. A segurança conta com seis airbags (frontais, laterais e de cortina), controle eletrônico de estabilidade (ESP) e tração (TCS), assistente de partida em rampa, freio de estacionamento eletrônico com Auto Hold, câmera de ré, sensores de estacionamento traseiros e monitoramento de pressão dos pneus.
GAC GS3 Elite – R$ 159.990
A configuração topo de linha adiciona rodas maiores, de 19 polegadas, maçanetas com retração elétrica, teto solar panorâmico elétrico com cortina e tampa do porta-malas com abertura e fechamento elétricos. Por dentro, o motorista ganha banco com ajustes elétricos (seis vias) e sistema de ventilação, além de luzes ambiente com opções de cores, carregador de celular por indução de 50W e um sistema de som aprimorado com seis alto-falantes.
O grande diferencial da versão Elite, no entanto, é o pacote de segurança ativa (ADAS), que engloba piloto automático adaptativo (ACC), frenagem autônoma de emergência, alerta de colisão frontal, assistente de permanência e alerta de mudança de faixa, monitoramento de ponto cego, sistema de estacionamento autônomo completo (que controla pedais e direção), além de câmera 360 graus e sensores de estacionamento dianteiros.
Ficha Técnica – GAC GS3 Elite
Motor: gasolina, dianteiro, transv., 4 cilindros, turbo, 16 válvulas, 1497 cm³, 170 cv, 25,5 kgfm
Câmbio: automatizado de dupla embreagem, 7 marchas, tração dianteira
Suspensão: McPherson (dianteiro), barra de torção (traseiro)
Freios: discos ventilados (dianteiro), discos sólidos (traseiro)
Direção: elétrica
Rodas e pneus: liga leve, 235/45 R19
Dimensões: comprimento 4,41 m, largura 1,85 m, 1,60 m, entre-eixos 2,65 m, peso 1430 kg, porta-malas, 341 litros; tanque 47 litros






