Subaru fecha principal loja e não tem carros para lançar no Brasil; o que acontece agora?
Sem novos modelos e limitada pelo Proconve L8, Subaru concentra operações em pós-venda enquanto a Caoa tenta manter a marca ativa no Brasil
A concessionária Subaru no Brooklin, zona sul de São Paulo, inaugurada para ser referência da marca no Brasil, parece abandonada há tempos mas fechou há três meses. Desde então o atendimento aos clientes da marca japonesa na capital paulista é prestado em Moema, onde antes funcionava uma grande oficina de pós-venda da Caoa Hyundai. O movimento reflete o atual momento da Subaru, sem perspectiva para ter novos carros no Brasil.
A fachada da loja de São Paulo ganhou aspecto de abandono em três meses. É só uma fração do tempo que os poucos Subaru Forester ainda disponíveis no estoque da Caoa aguardam um comprador. Eles foram importados em 2023 e já estão emplacados em nome da Caoa. Se não fossem emplacados até 31 de março, teriam suas vendas impedidas por não cumprirem as regras de emissões de poluentes do Proconve L8, que entraram em vigor na virada do ano.
Os limites para emissões evaporativas e de poluentes impostos pela legislação brasileira, que mistura normas da Europa e dos Estados Unidos de uma forma bastante singular é apontado como o principal obstáculo para que a Caoa volte a importar carros da Subaru.
“Algumas coisas já estavam desenhadas pelos japoneses. Não foi culpa da Caoa, não foi culpa do meu pai, foi uma estratégia global da Subaru. Ela vai bem em mercados como Estados Unidos, Austrália e Japão, e nos outros mercados não opera com grande relevância. E com a entrada dos chineses e de todas as marcas novas, com a guerra de preços e com a complexidade do PL8, algo semelhante ao que a Suzuki passou e algumas outras marcas menores estão sofrendo com isso, o investimento a ser feito é muito alto”, explica Carlos Alberto Oliveira Andrade Filho, co-presidente da Caoa.
A Subaru produz menos de 1 milhão de carros por ano desde 2020.
“A Caoa está disposta a investir. Se eles perguntassem para nós se queremos investir para fazer a adaptação, nós investiríamos. Então estamos nessa conversa para ver se conseguimos, de alguma forma, contribuir. Eles já nos disseram que não querem investir por conta própria. Então está nessa situação”, completa Carlos Alberto Filho, que tem até hoje um Subaru BRZ, que não chegou a ser vendido no Brasil, mas foi seu primeiro carro. Ao lado, seu irmão Carlos Philippe conta que seu primeiro carro foi um Impreza WRX.
“É uma conversa difícil de se ter, mas a gente não vai desistir. Não vamos abandonar a marca no Brasil, essa não é nossa intenção”, disse, depois, o executivo.
O que a Caoa precisa é que pelo menos um motor a combustão seja adaptado às regulamentações brasileiras. Os carros elétricos da Subaru, que são baseados em elétricos da Toyota (o Uncharted é um Toyota C-HR e o Solterra é um bZ4X), estão descartados para o Brasil. Eles nem sequer são vendidos no Japão.
A Suzuki vive o mesmo dilema no Brasil, com a HPE negociando meios de retomar a importação do Jimny. Para manter sua estrutura de vendas ativa, trabalha na homologação do elétrico Suzuki eVitara, que deverá ser lançado em 2026.
Pós-venda segue ativo
Antiga Hyundai Premium Services agora presta serviços de pós-venda para a SubaruA Caoa assumiu a importação dos carros da Subaru em 1998 e garante que continuará prestando o serviço de pós-venda e que os carros ainda à venda terão seus cinco anos de garantia honrados. “A Caoa nunca vai deixar nenhum Subarista na mão. Continuamos com toda estrutura Caoa servindo os clientes Subaru, que são exigentes e amam o carro”, explica o co-presidente da Caoa.
Em cidades como São Paulo, Campinas (SP) e Rio de Janeiro (RJ), os serviços de pós-venda ainda são prestados em estruturas dedicadas aos carros da Subaru, inclusive com venda de usados. Entre as 13 oficinas relacionadas no site da Subaru, porém, metade é de oficinas credenciadas e outras são concessionárias Caoa Chery.

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