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Seu carro zero-km roda muito antes da compra e você nem fica sabendo

Antes de chegar às mãos do comprador, um veículo roda dezenas de quilômetros, da linha de montagem à concessionária

Por Paulo Campo Grande Atualizado em 3 Maio 2021, 08h05 - Publicado em 3 Maio 2021, 07h55
Nissan Versa
Antes de seguir para o pátio, o carro é inspecionado no final da linha Divulgação/Quatro Rodas

Se não for adulterado, o hodômetro de um carro só exibe a marca de 0 km quando o veículo deixa a linha de montagem, durante um período curto (999,9 metros, no caso dos hodômetros digitais, ou menos que isso, nos analógicos), e depois em intervalos de 999.999 km. Ou seja: um evento tão raro quanto a passagem de um cometa, que pouquíssimos motoristas chegam a observar.

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Quando se compra um carro zero-km, na retirada do veículo na loja, normalmente o hodômetro já marca alguns quilômetros rodados, o que pode acabar frustrando os mais atentos. Isso ocorre porque, da linha de montagem até a loja, o carro faz diversos deslocamentos.

New Versa
Produzido no México, o Versa faz viagem de 25 dias de navio para o Brasil Divulgação/Quatro Rodas

Para saber como e onde os primeiros quilômetros de um carro são percorridos, visitamos a fábrica da Nissan, em Resende (RJ), e acompanhamos o que acontece com um modelo como o novo Nissan Versa, que, pelo fato de ser produzido no México, roda alguns quilômetros a mais que um modelo feito aqui no Brasil.

A fábrica da Nissan no Rio de Janeiro tem uma espécie de entreposto, que recebe os carros que são fabricados na planta e os importados. Depois, os expede para as concessionárias ou para os portos, no caso de veículos de exportação.

Nissan Versa
Cegonhas levam os carros para as concessionárias Divulgação/Quatro Rodas

O sedã Versa é produzido na fábrica da Nissan que fica na cidade de Aguascalientes, no México. Cada unidade que deixa a linha de produção percorre cerca de 3 km do momento em que é finalizada e o hodômetro é ligado, como se fosse uma espécie de batismo, até o pátio de onde seguirá mais tarde para as lojas ou, no caso do nosso herói, para o porto.

  • Como o Versa exportado para o Brasil vem em lotes, uma vez estacionado no pátio, ele fica ali parado esperando a companhia dos outros modelos. Quando chega o dia de embarcar, o sedã deve rodar aproximadamente mais 2 km até o centro de expedição, de onde segue a bordo de uma cegonha até o porto.

    Nissan Versa
    Equipe confere o estado dos carros frequentemente Divulgação/Quatro Rodas

    Para subir no caminhão, descer no porto e embarcar no navio, podemos contabilizar mais 3 km, uma vez que os cargueiros que transportam veículos são como grandes estacionamentos, com capacidade para até 5.000 carros e chegar à vaga destinada pode alongar um pouco mais a rodagem, incluindo rampas e diferentes pisos no caminho. Até aqui já foram somados cerca de 8 km no hodômetro do nosso carro.

    Os automóveis são classificados como cargas rolantes, que são carregadas e descarregadas dos navios pelas próprias rodas. Por isso, os cargueiros que transportam veículos são chamados de Ro-Ro (a abreviação dos termos em inglês roll-on, roll-off).

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    Uma viagem de navio do México até o Brasil, mais precisamente, no caso do Nissan Versa, do porto de Veracruz ao porto do Rio de Janeiro, leva 25 dias, em condições normais. Ou seja: sem intempéries que atrapalhem e sem escalas em outros portos pela rota.

    Chegando aqui, o Versa de nossa reportagem deve subir novamente em uma cegonha, que o levará até o centro de recebimento e expedição de veículos na fábrica da Nissan em Resende, de onde segue para o pátio destinado ao estacionamento dos carros antes de serem despachados para as concessionárias.

    Nissan Versa
    No pátio, as palhetas ficam levantadas, para evitar ressecamento Divulgação/Quatro Rodas

    No trajeto da descida do navio para o caminhão e do caminhão para o pátio, pode-se somar mais 3 km (1 km dentro do navio; 1 km até o caminhão mais a subida e descida do caminhão; e 1 até o pátio). Total até este ponto: 11 km. E depois, quando é vendido, do pátio para a cegonha e da cegonha para a concessionária, mais 1 km, chegando a 12 km.

    Para conservar o carro como novo, alguns cuidados são tomados. Estacionado no pátio, o veículo deve permanecer com os limpadores de para-brisa levantados, para conservar as palhetas; o freio de estacionamento liberado, para evitar que pastilhas e sapatas grudem nos discos e tambores; e o cabo da bateria desconectado, para conservar a carga.

    À medida que a estadia se alonga, é necessário movimentar o carro para que os pneus não deformem. E, toda vez que essa unidade é deslocada, há uma checagem de seu estado geral (ver abaixo).

    Não existe uma lei que determine uma quilometragem tolerada para que o carro seja considerado 0 km. Mas algumas dezenas são aceitáveis.

    Nissan Versa
    Na estação de carga e descarga há rampas que facilitam a entrada dos veículos nas cegonhas Divulgação/Quatro Rodas

    Revisões Periódicas

    Passos
    Divulgação/Quatro Rodas

    Checklist  Entre um deslocamento e outro – da fábrica ao pátio, do pátio ao caminhão ou do caminhão ao pátio –, é feita uma verificação geral para detectar se ocorreu dano ou avaria nesses momentos. A Nissan segue um roteiro que revisa 17 pontos do veículo.

     

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    Capa Quatro Rodas Abril
    Arte/Quatro Rodas

     

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