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Rolls-Royce já usou ouro, poliu concreto e homenageou cachorro em carros exclusivos

Divisão de projetos especiais da marca inglesa revela as encomendas mais complexas de 2025, incluindo o uso de materiais inéditos

Por Henrique Rodriguez Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 jan 2026, 18h08 •
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 (Divulgação/Rolls-Royce)
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  • A Rolls-Royce divulgou um balanço das operações da sua divisão Bespoke — responsável pelos seus projetos mais exclusivos e caros — referente ao ano de 2025. O período foi marcado especialmente por uma mudança no perfil de exigência dos clientes de ultra luxo, que migraram de acabamentos tradicionais para o uso de materiais inusitados, como concreto polido, ouro 24 quilates e técnicas de impressão 3D em tecidos.

    O crescimento na demanda por veículos “one-off” (unidades únicas) foi impulsionado pela expansão dos escritórios da marca em Dubai, Seul, Xangai e Nova York. Segundo a fabricante, os pedidos de clientes atendidos por estes polos mais do que dobraram em relação ao ano anterior.

    A Rolls-Royce também atendeu a pedidos que desafiaram os limites da engenharia de materiais em busca de exclusividade.

    Concreto, Videogames e Pets

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    (Divulgação/Rolls-Royce)

    Um exemplo é o Ghost Extended Foundation, encomendado pelo dono de uma construtora. O sedã teve os controles rotativos do painel fabricados em concreto polido.

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    Para viabilizar o uso do material em um componente automotivo tátil, a engenharia da Rolls-Royce utilizou uma base impressa em 3D e misturou o concreto com um compósito especial, garantindo que a peça não quebrasse e tivesse o toque refinado exigido pelo padrão da marca.

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    (Divulgação/Rolls-Royce)

    Outro projeto curioso foi o Spectre Bailey, um tributo ao cachorro da família de um cliente norte-americano. O cupê elétrico recebeu uma pintura em dois tons que imita a pelagem do animal (uma mistura de Labrador com Golden Retriever) e um retrato em marchetaria composto por 180 peças de nove tipos de lâminas diferentes de madeira no console traseiro.

    Já o público mais jovem motivou a criação do Black Badge Ghost Gamer. Inspirado no universo dos videogames de 8 bits, o carro traz alienígenas pixelados bordados nos encostos de cabeça e um teto estrelado (o Starlight Headliner) que simula naves espaciais disparando lasers.

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    (Divulgação/Rolls-Royce)

    Técnica a serviço do luxo

    A divisão Bespoke implementou novas técnicas industriais para atender a esses pedidos. A pintura do teto estrelado agora pode ser feita inteiramente à mão, processo que leva 160 horas e utiliza 20 camadas de tinta, como visto no Cullinan Cosmos.

    Phantom Extended Cherry Blossom
    Phantom Extended Cherry Blossom (Divulgação/Divulgação)

    Além disso, a marca introduziu bordados estruturais autoportantes, que criam formas 3D, como pétalas de flores, sem suporte de tecido, no Phantom Extended Cherry Blossom. Essas inovações reforçam a estratégia da marca de se posicionar não apenas como fabricante de automóveis, mas como uma casa de luxo.

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    Phantom Extended Cherry Blossom
    Phantom Extended Cherry Blossom (Divulgação/Divulgação)

    A marca não divulga os preços dessas unidades, mas considerando que um Phantom “básico” parte de valores superiores a US$ 460.000 (R$ 2,7 milhões sem impostos), estima-se que as unidades da coleção Centenary e os projetos one-off (únicos) ultrapassem facilmente a casa dos milhões de dólares, competindo diretamente com iates e imóveis de alto padrão, e não com outros automóveis.

    Rolls-Royce Bespoke
    (Divulgação/Rolls-Royce)

    A personalização extrema tornou-se a principal ferramenta de lucro para marcas de superluxo como Rolls-Royce, Bentley e Ferrari. Ao transformar um carro de série em um item de coleção, as fabricantes conseguem elevar o ticket médio dos veículos em percentuais que, muitas vezes, ultrapassam o valor do próprio carro base.

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    Rolls-Royce Bespoke
    (Divulgação/Rolls-Royce)

    Para sustentar essa demanda crescente, a Rolls-Royce iniciou uma expansão de sua fábrica em Goodwood, na Inglaterra, com um investimento superior a 300 milhões de libras (aprox. R$ 2,2 bilhões). A obra deve ser concluída antes do final da década para abrigar novas tecnologias de personalização.

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