Peugeot pode importar novo 308 para o Brasil

CEO mundial do grupo PSA diz que hatch poderia conviver com o modelo atual

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Lançado há dois anos no Brasil, o Peugeot 308 pode ganhar um concorrente de peso dentro de sua própria casa. Isso porque a marca está cogitando a possibilidade de trazer o novo 308 diretamente da Europa.

O modelo foi apresentado ao Velho Continente no último Salão de Frankfurt, realizado em 2013, e é completamente diferente de seu xará feito na Argentina e vendido no Brasil. A semelhança no batismo, aliás, seria preservada por aqui: a Peugeot acredita que o novo 308 pode conviver com o 308 atual, já que o modelo mais novo seria voltado a um público “mais exigente” e que “pode pagar mais”, nas palavras do CEO mundial da PSA, Carlos Tavares.

Tavares, aliás, concedeu uma longa entrevista a alguns veículos de comunicação brasileiros ao lado do também português Carlos Gomes, presidente da PSA Brasil e América Latina. Entre vários assuntos delicados, ele falou sobre providências da empresa para tentar se desvencilhar da crise que ainda a assola no mundo todo e a reputação pós-venda das marcas Citroën e Peugeot no Brasil. De quebra, ainda revelou o prazo para que o grupo volte a lucrar na América Latina.

Após quase decretar falência, a PSA vem tentando se reestruturar no mundo inteiro. Diante de um cenário ainda pouco favorável, qual é a expectativa do senhor em relação à situação da PSA, especificamente na América Latina?

Carlos Tavares: obviamente esperamos que a situação melhore. Estamos tocando um plano de reconstrução da PSA no mundo todo, sendo que na América Latina ele é liderado pelo Carlos Gomes. Não vou mentir para vocês: estamos enfrentando algumas dificuldades neste momento. Mesmo assim, espero que os países da América Latina não só se recuperem como voltem a apresentar índices de confiabilidade mais favoráveis junto a seus clientes.

O que a PSA precisa fazer para melhorar sua reputação e conquistar novos clientes?

CT: Precisamos valorizar os produtos que ofereceremos atualmente, e isso só acontecerá se conseguirmos comunicar de maneira eficiente aos nossos clientes atuais e potenciais as qualidades dos nossos produtos. Além disso, precisamos realizar constantes melhorias em nossos modelos e ainda tentar aumentar o índice de nacionalização das peças, pois só assim poderemos reduzir a dependência de importação dos componentes. Somente assim nossos veículos ficarão menos vulneráveis às variações nas taxas de câmbio, melhorando nossa rentabilidade.

Até hoje algumas pessoas torcem o nariz quando ouvem falar de Citroën e Peugeot, sendo que um dos problemas mais apontados é a deficiência no serviço de pós-venda. O que pode ser feito para reverter esta situação?

Carlos Gomes: Para falar sobre isso precisamos entender o que aconteceu com nossas marcas no Brasil. De fato tivemos alguns problemas na construção de nossa imagem de pós-venda em alguns estados. Mas isso já não acontece mais como antes. Há alguns anos começamos a investir muito na melhoria de nossos serviços de pós-venda, e um dos fatores que comprovam isso é a evolução de nossos produtos no índice de custo de reparabilidade. Antes tínhamos uma má classificação, e hoje isso não acontece mais. Estamos investindo também na ampliação de nossa rede de concessionárias, além de intensificar os treinamentos de nossos colaboradores visando a melhoria dos serviços oferecidos. Mas ainda estamos trabalhando para evoluir mais. Queremos estar entre os melhores, e para isso precisamos acompanhar a evolução do setor e o nível de exigência do consumidor, que é cada vez maior.

Há alguns anos a indústria automobilística via o Brasil como um mercado emergente, ao lado de nações como China e Índia. Se estes dois países hoje se firmaram como mercados fundamentais para os fabricantes, o Brasil também seguiu este caminho?

CT: Sim. O mercado brasileiro não é mais visto como emergente, principalmente no que diz respeito a tecnologia. Ele é avançado e exigente como qualquer outro país, e é por isso que os produtos precisam entregar um nível de tecnologia idêntico ao mercado chinês ou mesmo o europeu. Só que para tanto precisamos que o governo brasileiro nos ofereça uma estabilidade e uma situação financeira que nos dê segurança para tomar as decisões. Se este cenário não acontecer, vamos encontrar problemas para investir no Brasil.

O mau momento vivido pela indústria automobilística brasileira fez a PSA paralisar os planos de investimentos no Brasil?

CG: Não. Uma grande parte destes investimentos já foi aplicada no lançamento de novos produtos, sejam os importados, como o novo 3008, ou os nacionais, como o 2008, que será produzido no Brasil a partir de 2015. Outra grande parte deste investimento será destinada à ampliação da capacidade produtiva da planta de Porto Real (RJ).

Já faz alguns anos que a Peugeot abandonou o segmento de carros populares com motor 1.0. A reestruturação seria uma boa oportunidade para retornar a esta categoria?

CG: Se antes da crise já era difícil lucrar com veículos populares, agora acredito que nenhuma montadora consiga lucrar o suficiente vendendo automóveis do segmento A. Por isso, creio que nossa presença nesta categoria não seja mais tão pertinente, já que o retorno é muito baixo, abrindo uma oportunidade para vendermos carros mais requintados.

Há alguma chance de o novo 308 vendido na Europa ser comercializado no Brasil?

CG: Estamos estudando a possibilidade de importar o novo 308 para a América Latina. Mas isso não significa que o atual 308 deixaria de ser vendido. Os modelos viveriam em harmonia, talvez com o 308 europeu numa posição mais “Premium”. Uma das lições que aprendemos nestes 15 anos de Brasil é que existem muitos consumidores procurando um produto mais requintado , e dispostos a pagar mais por isso. São para estes clientes que ofereceríamos o modelo europeu, apesar de encarar um desafio tão grande como o de vender dois produtos com um mesmo nome.

Existe alguma previsão de quando o grupo PSA voltará a lucrar na América Latina?

CT: O compromisso firmado com o (Carlos) Gomes é que até 2017 a região da América Latina volte a lucrar. A PSA aprendeu de uma maneira muito dura que depender de uma única região – no caso a Europa – é uma decisão equivocada, tanto é que a crise que assolou o continente quase fez a PSA deixar de existir. Com isso vimos que a empresa precisava virar uma montadora global em vez de apostar em um único continente. Hoje temos uma estrutura montada na China, onde temos mais de 700 mil unidades vendidas no maior mercado do mundo. Passamos a ser uma montadora mundial, e justamente por isso precisamos fortalecer nossas bases em várias localidades, inclusive na América Latina. Estamos nesta região para ficar, tanto é que temos um compromisso forte com nossos clientes em todos os países. Especialmente no Brasil.

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