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MPF entra na justiça para suspender aumento da mistura de etanol de 32% na gasolina

Processo exige indenização milionária e aponta que governo usou dados antigos para aprovar mistura que pode acelerar desgaste de motores

Por Nicolas Tavares 23 jul 2026, 08h28 | Atualizado em 23 jul 2026, 15h34
Posto de combustível
Posto de combustível (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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MPF entra na justiça para suspender aumento da mistura de etanol de 32% na gasolina Priorizar nos meus resultados Google

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública para suspender o aumento do teor de etanol na gasolina, que passaria do limite de 30% para 32%. A medida exige que a alteração, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em julho, seja interrompida até que estudos técnicos comprovem a segurança do novo combustível para a frota circulante. O objetivo é evitar que o consumidor assuma o risco financeiro de eventuais danos mecânicos causados pela imposição regulatória.

O argumento do MPF é de que o governo utilizou ensaios anteriores, focados na mistura de 30% (E30), como base para aprovar o novo índice. A justificativa governamental apoiou-se na margem de tolerância de 2% adotada nesses testes antigos. Contudo, a procuradoria argumenta que essas avaliações mediram apenas parâmetros de desempenho e dirigibilidade, sem validar o uso contínuo e obrigatório do padrão E32.

Pessoa com luvas verdes e máscara preta segura um cilindro graduado com líquido claro, focando na medição

A pressa governamental também está ligada a um futuro aumento da mistura, que elevará a proporção para 35% de etanol. Como revelado pela Folha de São Paulo, o cronograma foi adiantado e os testes começarão em setembro. O plano original previa a chegada da gasolina E35 aos postos apenas no fim da década.

Risco mecânico e tolerância perigosa

O aumento da proporção afeta diretamente a engenharia dos veículos e o custo de manutenção. Há evidências de que a gasolina com mais etanol acelera a corrosão de componentes metálicos e provoca o desgaste prematuro das bombas de combustível. Sistemas de injeção eletrônica também sofrem com a alteração, um problema agravado em motocicletas, modelos antigos e carros importados sem calibração flex.

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Governo Federal aprova aumento do etanol na gasolina

Para piorar o cenário, de acordo com o MPF, a própria especificação da nova gasolina E32 admite uma variação legal que eleva o teor alcoólico para até 34% nas bombas. Essa tolerância prejudica motores movidos exclusivamente a gasolina, que não contam com tratamentos anticorrosivos adequados nas linhas de alimentação. O resultado é a degradação acelerada de peças e o comprometimento da autonomia, já que o etanol possui menor poder calorífico que o derivado de petróleo.

A União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica) contesta a ação do MPF e as informações divulgadas, afirmando que a regra do E32 não permite a variação de dois pontos percentuais para mais ou menos, impedindo assim a comercialização de gasolina com 34% de etanol.

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O grupo também contradiz o MPF sobre os testes, dizendo que os estudos feitos pelo Instituto Mauá de Tecnologia não encontraram evidências de impactos no “desempenho, dirigibilidade, partida a frio, retomadas, emissões, autonomia e o funcionamento dos sistemas eletrônicos de gerenciamento do motor.” Segundo a entidade, os testes foram feitos com 16 veículos leves fabricados entre 1994 e 2024, incluindo carros movidos somente a gasolina, além de 13 motos produzidas a partir de 2004.

Conta transferida para o consumidor

A imposição da nova mistura ignora a diversidade tecnológica da frota brasileira. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já havia alertado sobre a urgência de testes de engenharia de longa duração antes de qualquer alteração na especificação oficial. Como o motorista não tem alternativa na hora de abastecer, o Estado acaba transferindo para o proprietário o custo de quebras não previstas no projeto original do carro.

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A transição para combustíveis com maior teor vegetal costuma ser defendida pela redução de emissões, mas a ação aponta um efeito colateral grave. O desgaste precoce de borrachas, plásticos e metais exige trocas frequentes, gerando volume excessivo de lixo automotivo. Esse descarte antecipado prejudica a sustentabilidade do ciclo de vida dos carros, criando um passivo ecológico indireto que não entrou na conta do governo.

Além da suspensão imediata da mistura, o processo exige perícia técnica independente e criação de protocolos rígidos para futuras mudanças na matriz energética. O MPF também cobra campanhas de esclarecimento aos motoristas e o pagamento de uma indenização de R$ 500 milhões por danos morais coletivos, refletindo a falta de transparência sobre os reais impactos aos proprietários de veículos no país.

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