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Mágica em vídeo: é assim que um motor Wankel funciona

Motores rotativos quase não têm peças móveis, mas geram muito mais potência

Por Henrique Rodriguez 19 abr 2018, 14h23
Motor wankel
Motores Wankel têm menos peças móveis que um motor convencional Reprodução/Youtube

Motores wankel – ou rotativos – não são novos, mas sempre impressionaram pelas suas características. Com rotor em vez de pistões, este motor é menor e gera mais potência que os convencionais, de ciclo Otto.

Em vez de pistões e bielas, eles possuem um ou mais rotores, cujo formato é de um triângulo com faces abauladas. Esses rotores giram em um eixo e se arrastam pela parede da carcaça, que é oca e tem forma ovalada parecida com a de um oito.

É complicado explicar, mas o vídeo do canal Warped Perception, que já havia mostrado a combustão em um motor convencional, mostra claramente o funcionamento.

Não se trata de um motor da alemã NSU, nem de um Mazda, mas sim de um pequeno motor rotativo usado em aeromodelismo. A escala é reduzida, mas o princípio é o mesmo.

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=pCteBhr4dGY&w=740&h=430]

O vídeo começa explicando os quatro tempos de funcionamento dos motores Wankel. São os mesmos: admissão, compressão, explosão (ignição) e escapamento. No entanto, acontecem de forma completamente diferente. Graças a uma tampa transparente é possível ver cada um desses tempos em câmera lenta. 

Não há válvulas de admissão. A mistura ar-combustível é admitida pela janela de admissão, através da pressão negativa gerada pelo movimento do motor. Essa mistura é deslocada para outra face da carcaça e comprimida, e em seguida, em uma outra face, é inflamada pela vela de ignição. Por fim, os gases são expulsos pela janela de escape.

O movimento circular que o rotor faz é transmitido para um um eixo excêntrico parecido com um virabrequim, que envia a energia para a caixa de câmbio.

Vantagens e desvantagens

Os motores Wankel possuem menos peças móveis, o que faz com que sejam menos ruidosos. Por não ter pistões invertendo o movimento, é mais suave. O rendimento específico também é bom: no RX-7, o motor 1.3 de dois rotores e dois turbocompressores gerava 280 cavalos.

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Criado em 1973, o motor 13B serviu de base para os motores Wankel da Mazda por quase 40 anos Divulgação/Mazda

Entre as desvantagens dos Wankel estão a pouca elasticidade (ou seja, potência e torque aparecem em rotações elevadas e próximas entre si) e a dificuldade para obter boa vedação entre o rotor e a parede da câmara de combustão.

Ele também esquenta muito e as emissões de poluentes são elevadas para os padrões atuais, pois seu modo de funcionamento faz com que o óleo lubrificante seja queimado pelo motor. 

A Mazda foi a última fabricante a usar motores Wankel. Hoje, planeja voltar a utilizá-lo como gerador (ou extensor de autonomia) em veículos elétricos.

Fabricação artesanal

Embora a fabricação de motores seja altamente automatizado (os motores AMG e os do Nissan GT-R são exceção), na Mazda o processo de fabricação dos motores rotativos era artesanal até 2003.

O motivo? Não seria rentável substituir homens por máquinas nesse processo. Por ter menos peças móveis, os motores rotativos também eram mais fáceis de produzir. Levava entre 35 e 40 minutos para montar o motor inteiro, rápido o suficiente para acompanhar a demanda.

O vídeo abaixo mostra o processo de fabricação do motor 13B, o Wankel mais marcante da história da Mazda.

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=u6oaUHCs79I&w=680&h=415]

O processo de fabricação só foi automatizado em 2003, com o lançamento do RX-8. Seu motor era o 13B-MSP Renesis, uma versão atualizada do motor 13B mais eficiente em consumo e emissões. Mas era mais fraco: tinha 228 cavalos e 22,4 mkgf de torque.

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