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Grandes Brasileiros: a beleza atemporal do VW Voyage Sport

Sóbrio e elegante, ele conciliava a pegada esportiva do Gol GTS a uma configuração mais prática e confortável

Por Felipe Bitu - Atualizado em 20 jul 2020, 19h21 - Publicado em 28 set 2016, 21h50
VW Voyage Sport
Discreto: só para-choques e faróis de neblina dizem que este é o Sport Christian Castanho/Quatro Rodas

A abertura das importações na virada da década de 90 expôs a indústria automobilística a uma desagradável realidade: quase todos os carros nacionais eram caros e defasados, em comparação com os importados.

Como não po­diam esperar anos para atualizar seus produtos, as montadoras tiveram que improvisar, por isso requentaram alguns modelos dos anos 80 para não perder mercado. Entre eles, estava o Voyage Sport.

Lançado em 1993, parecia uma reprise do Voyage GLS, descontinuado em 1991 para não canibalizar seu irmão da Autolatina, o VW Apollo. Com o fim do Apollo, em 1992, as portas estavam abertas a uma versão mais requintada e potente do sedã, tradição iniciada em 1985 com o Voyage Super.

Na essência, ele era uma versão mais prática e sóbria do Gol GTS, que desde 1987 figurava entre os carros mais rápidos do Brasil. Deixava de lado o aerofólio e as luzes de longo alcance, mas mantinha os faróis de neblina e as rodas de liga leve raiadas, no estilo das clássicas BBS alemãs.

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VW Voyage Sport
A decoração era arrematada pelas lanternas fumês e rodas raidas ao estilo das alemãs BBS, já utilizadas no Gol GTS Christian Castanho/Quatro Rodas

No interior, o requinte ficava por conta dos bancos Recaro e portas revestidos de tecido navalhado. O clássico volante esportivo VW, de buzina com quatro botões, era revestido de couro, assim como o pomo da alavanca do câmbio.

Disponível em Preto Universal ou Prata Lunar, a pintura chegava até a parte inferior dos para-choques e aos retrovisores, elétricos, assim como vidros e travas. A decoração era finalizada com apliques cinza nos para-choques e lanternas fumês (como no Gol GTi).

Entre os opcionais, só toca-fitas, porta-fitas no console e ar-condicionado. No modelo 1994, a direção hidráulica entrou nessa lista, pondo um fim às críticas de quem sofria para esterçar os largos pneus 185/60 R14.

VW Voyage Sport
O volante era a versão esportiva VW, com buzina de 4 botões Christian Castanho/Quatro Rodas

Sob o capô estava o aclamado motor VW AP-1800S, do Gol GTS e da Parati GLS: a diferença para o AP-1800 estava no comando de válvulas 049G e na recalibração do carburador. A maior elasticidade era comprovada pelos números: 105 cv, contra 96 cv do motor a álcool de linha.

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Ágil e com só 945 kg, ia a 100 km/h em 11,75 segundos e retomava de 40 a 100 km/h em 20,59, figurando entre os dez melhores do ranking da QUATRO RODAS, na versão a álcool. A velocidade máxima foi de 171,2 km/h.

Ao volante, apresentava o mesmo comportamento neutro dos Gol esportivos: neutro, com tendência ao subesterço no limite. A crítica ia para o freio: apesar da boa modulação, sofria com o fading, devido ao disco sólido na dianteira.

A produção durou só de 1993 a 1995. Além de mais conforto aos passageiros traseiros (pela linha do teto mais alta) e mais espaço para bagagens, alguns elogiavam a rigidez do monobloco, superior pela ausência da terceira porta presente no Gol.

VW Voyage Sport
Bancos (os dianteiros da Recaro) tinham padronagem própria Christian Castanho/Quatro Rodas

Esportivo sem ser beberrão e estável sem ser desconfortável, deixou saudade, e os poucos que restaram hoje estão nas mãos de cuidadosos donos, como o carro das fotos, do gerente comercial Ayrton de Negreiros Jr., de Piracicaba (SP). Aquirido em 2007, passou por uma restauração total: “Só de funilaria foram dois anos”, diz.

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Descontinuado em 1996, o Voyage era só uma vaga lembrança dos brasileiros até ser reapresentado em 2008 – mas sem a mesma esportividade de um motor próprio e das duas portas.

Teste QUATRO RODAS – fevereiro de 1994

Aceleração de 0 a 100 km/h 11,75 s
Velocidade máxima 171,2 km/h
Retomada de 40 a 100 km/h 20,59 s
Consumo médio 8,46 km/l (com álcool)
Motor longitudinal, 4 cilindros em linha, 1 781 cm3, 2 válvulas por cilindro, comando de válvulas simples no cabeçote, alimentação por carburador de corpo duplo, álcool
Potência 105 cv a 5 600 rpm
Torque 15,3 mkgf a 3 600 rpm
Câmbio manual de 5 marchas, tração dianteira
Freios disco sólido e tambor na traseira
Pneus 185/60 R14
Dimensões comprimento, 407 cm; largura, 160 cm; altura, 135 cm; entre-eixos, 236 cm; peso, 945 kg
Porta-malas 460 litros
Preço (outubro de 1993) CR$ 2.260.165
Preço (atualizado IGP-M/FGV) R$ 123.462

 

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