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Grandes Brasileiros: Chevrolet Ipanema

A perua do Kadett tentou surfar no sucesso do irmão mais velho, mas nunca alcançou boas vendas

Por Felipe Bitu / Fotos: Christian Castanho - Atualizado em 27 set 2018, 11h24 - Publicado em 8 jan 2016, 21h10

Chevrolet Ipanema

Antes das minivans, as famílias brasileiras viajavam em peruas, versáteis automóveis quase sempre dotados de bagageiro no teto e tampa traseira, chamada às vezes de quinta porta. Ou melhor, terceira porta, pois Fiat Elba, Ford Belina e VW Parati atendiam à idiossincrasia nacional de carros de duas portas.

Foi nesse cenário que surgiu em 1989 a Ipanema, nas versões SL e SL/E. A frente arredondada em cunha do Kadett e os vidros rentes à carroceria eram inovações que mostravam preocupação com a aerodinâmica, deixando de lado a harmonia. O desenho da traseira (um corte abrupto para reduzir o arrasto pela turbulência) destoava do restante e foi muito criticado.

Chevrolet Ipanema

Se por fora deixava a desejar, o mesmo não acontecia no interior. Aconchegante como no Kadett, o acabamento seguia a tradição GM: plásticos de boa qualidade e estofamento confortável, mesmo na SL.

De ruim, só o espaço traseiro, pois foi mantido o entre-eixos do Kadett (2,52 metros). O porta-malas comportava bons 424 litros, mas a falta de cobertura deixava a bagagem exposta aos amigos do alheio.

Chevrolet Ipanema

Comparada ao Kadett, seu comportamento era mais equilibrado, graças ao acréscimo de peso na traseira. Mas ainda ficava devendo agilidade quando confrontada com a líder de mercado Parati. O câmbio de relações longas era voltado para baixo consumo e ruído, mas sacrificava as acelerações.

Se o desempenho não era seu forte, o mesmo não pode ser dito do conforto: direção hidráulica e câmbio automático eram opcionais exclusivos, bem como a regulagem pneumática de altura da suspensão traseira. Para a versão SL/E também estavam disponíveis ar-condicionado, check control, computador de bordo e trio elétrico.

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Um pouco mais de fôlego chegou na linha 1992: enquanto a concorrência perdia desempenho com o uso de catalisadores, a GM apostava numa injeção monoponto simples.

Chevrolet Ipanema

Entre 1992 e 1993, uma SL/E 1.8 EFI a álcool fez parte de nossa frota de Longa Duração. Ela mostrou-se confiável ao longo dos 60 000 km e surpreendeu no desmonte, com desgaste mínimo no motor e cabeçote com vedação perfeita.

A injeção (primeira no mundo a usar etanol) manteve-se em perfeito estado. Mas tinha suas limitações. “As críticas mais frequentes (…) eram relacionadas com a dificuldade de partida a frio (…) e com o alto consumo de álcool”, dizia o texto de novembro de 1993 – a média de todo o teste foi de 8,69 km/l.

Mesmo com qualidades, a Ipanema não vendia bem. Decidida a virar a mesa, em 1993 a Chevrolet lançou (sem sucesso) a versão com quatro portas, vantagem até então exclusiva de Fiat Elba e VW Quantum. Para acabar com as críticas ao desempenho, ela ganhou a opção do motor 2.0 do Monza.

Em 1994, as versões SL e SL/E eram rebatizadas de GL e GLS e recebiam um tanque maior, de 60 litros. É dessa época a Ipanema GL 1995 do engenheiro André Antônio Dantas.

“Por ser um carro que foi da frota de executivos da GM, ela tem detalhes diferenciados, como a padronagem de estofamento da SL/E, ar-condicionado e um relógio analógico no painel que só saiu nos Kadett alemães”, diz André. “Sua manutenção é muito simples, pois não há catalisador, cânister ou sonda lambda.”

Chevrolet Ipanema

A Ipanema ficou no mercado por mais dois anos: em 1996 recebeu apenas alterações cosméticas, com para-choques redesenhados e da cor do veículo, nova grade e logotipo, além de lanternas fumês. O motor recebeu injeção multiponto em 1997, marcando o último e derradeiro ano de fabricação da incompreendida versão perua do Kadett.

Teste – Ipanema SL/E 1.8
JUNHO DE 1991
aceleração de 0 a 100 km/h 13,37 s
velocidade máxima 158,4 km/h
frenagem de 80 km/h a 0 30,8 m
consumo 8,91 km/l (cidade), 13,32 km/l (estrada carregada)
preço (maio de 1991) Cr$ 3,54 milhões
preço atualizado (IGP-DI, FGV) R$ 63 147
Ficha Técnica – Ipanema GL 2.0 EFI 1995
motor transversal, 4 cilindros em linha, 1 998 cm3, injeção eletrônica monoponto; potência: 116 cv a 5 400 rpm; torque: 18 mkgf a 3 200 rpm
câmbio manual de 5 marchas, tração dianteira
dimensões comprimento, 434 cm; largura, 161 cm; altura, 146 cm; entre-eixos, 252 cm; peso, 1 088 kg
suspensão dianteira: independente, braços transversais e barra estabilizadora; traseira: eixo de torção
freios disco ventilado na frente e tambor atrás
pneus 175/70 R13
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