Fórum Direções QUATRO RODAS discute um futuro com elétricos e autônomos

Inteligência artificial, SUVs, atualização de linha de produtos e O novo regime automotivo Rota 2030 também pautaram o evento

 (Arte/Quatro Rodas)

Em sua  5ª edição, o Fórum Direções promovido por QUATRO RODAS abordou o futuro da mobilidade sob vários aspectos e pontos de vista.

O evento reuniu presidentes e executivos de fabricantes, empresas de tecnologia e órgãos governamentais para falar sobre carros elétricos, o futuro dos SUVs e o uso da inteligência artificial na indústria automobilística.

A seguir, os principais destaques das palestras e painéis apresentados no evento.

O cenário da indústria automotiva para 2019

Antonio Megale, presidente da Anfavea

Antonio Megale, presidente da Anfavea (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)

O presidente da Anfavea (associação das montadoras), Antonio Megale, fez a primeira palestra do Fórum Direções Quatro Rodas em clima de celebração pela aprovação do decreto Rota 2030, assinado na cerimônia de abertura do Salão do Automóvel pelo presidente Michel Temer.

Para o dirigente, o programa é positivo para toda a cadeira automotiva, para o consumidor e para o país. “Por um lado, ele estimula a inovação, a sustentabilidade e a segurança veicular. Por outro, confere previsibilidade e segurança jurídica para que fabricantes de veículos e de autopeças possam investir em produtos e tecnologias, integrando o Brasil às últimas tendências da mobilidade”, explicou.

“Outro ponto positivo é que o Rota 2030 preserva a engenharia brasileira e valoriza nossa experiência com os biocombustíveis, maior contribuição que o país pode dar ao mundo”.

Megale aproveitou para apresentar projeções para o ano que superam as expectativas da indústria automobilística em termos de vendas e produção. Apenas as exportações sofrerão um inesperado recuo por conta da crise na Argentina, maior comprador de carros brasileiros.

Pesquisa apresentada por Megale mostra que jovens ainda se interessam por automóveis

Pesquisa apresentada por Megale mostra que jovens ainda se interessam por automóveis (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)

Finalizando a palestra, ele apresentou números de uma pesquisa encomendada pela Anfavea que mostra um grande interesse das novas gerações pelo uso de veículos. “Entra tantas opções de mobilidade, o automóvel ainda é a plataforma preferida por todas as faixas etárias, inclusive pelos jovens, que estão demorando um pouco mais para tirar a habilitação, mas não deixam de se interessar pelo ato de dirigir carros próprios”.

As montadoras se tornarão fornecedoras de soluções de mobilidade?

Rodrigo Fioco, diretor de marketing da General Motors, centrou sua palestra nos carros elétricos, uma das tendências mais marcantes desta edição do Salão do Automóvel. A empresa lançou o Chevrolet Bolt, veículo 100% elétrico, por R$ 175.000, e realiza test-drives do hatch durante o evento – que vai até o próximo domingo, 18.

“As filas para andar no Bolt e o número de clientes interessados mostram que há uma forte demanda por esse tipo de veículo no Brasil”. Para ele, o CO2 está tendo o mesmo papel que as fezes de cavalo tiveram há um século para motivar a troca da tração animal pelos automóveis. “Agora, é a vez de os motores a combustão saírem de cena aos poucos”.

O executivo enumerou alguns fatores propulsores da eletrificação da frota, como as leis ambientais, a queda no preço das baterias, o aumento da autonomia e os investimentos no ecossistema elétrico, que inclui montadoras, empresas de energia, de carregadores, e vários outros players.

O diretor de marketing da General Motors lembrou que carros elétricos existem há mais de um século

O diretor de marketing da General Motors lembrou que carros elétricos existem há mais de um século (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)

“Mas o principal fator é a mudança do comportamento do uso do carro, mais racional e atrelado a novas tendências de conectividade, compartilhamento e automação”. Segundo Fioco, a GM planeja lançar 20 modelos híbridos e elétricos até 2023, como parte de sua visão de “três zeros”: zero colisão, zero emissão e zero congestionamento.

A renovação da linha como estratégia de crescimento

A Volkswagen deve fechar o ano com vendas 36% superiores às de 2017, o dobro da média do mercado nacional. No mundo, a VW deve crescer 3% em 2018, 11% na América Latina. Como explicar essa aceleração repentina no país?

Segundo o presidente da Volkswagen da América Latina, Pablo Di Si, esse é o fruto de uma ofensiva de 11 produtos lançados em 12 meses, com destaque para a dupla Polo e Virtus. Se a VW tinha uma abrangência de 70% dos segmentos de automóveis no Brasil em 2017, até 2020 chegará a 92%. E a idade média da gama cairá de 8,8 para 4,8 anos nesse mesmo período.

Presidente e CEO da Volkswagen América Latina mostrou o impacto da renovação de seus carros no crescimento das vendas

Presidente e CEO da Volkswagen América Latina mostrou o impacto da renovação de seus carros no crescimento das vendas (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)

“Três pilares estão ajudando a impulsionar nossas vendas e o farão até 2020: a oferta de câmbio automático em 78% de nossos carros, até os mais acessíveis; a entrada no segmento de SUVs com o novo Tiguan, e em breve com o compacto T-Cross nacional; e finalmente o investimento em tecnologia”, enumerou Di Si. Ele cita como exemplo o IMB Watson, manual interativo do Virtus, dotado de inteligência artificial. “Lançamos no Brasil, e agora até os alemães estão de olho”.

Além da tecnologia embarcada, o executivo explicou que as inovações também estão nos projetos, na fábrica e na rede de revendas. “Ganhamos 9 meses no desenvolvimento de novos produtos, a automação nas fábricas saltou de 70% para 90% e estamos num processo de digitalização da nossa rede, para uma experiência de realidade virtual aos nossos clientes”, concluiu Di Si.

PAINEL: Qual é o futuro do carro elétrico no Brasil?

O painel sobre eletrificação veicular teve a participação de Marco Silva, CEO da Nissan do Brasil, Helder Boavida, CEO da BMW Brasil, e o piloto de Fórmula E Lucas Di Grassi, CEO da Roborace. O objetivo principal era mostrar as possibilidades e dificuldades da popularização dos carros elétricos.

Marco Silva destacou que o custo do produto tende a cair com o tempo. A Nissan já aceita encomendas para o Nissan Leaf 100% elétrico, que chega no ano que vem por R$ 174.800.

“O Brasil não pode perder essa onda. Por isso já fizemos testes com taxistas, que passaram três anos com o Leaf, e adoraria comprar um. Ou parcerias com universidades para dar novas aplicações a baterias usadas de carros elétricos”. O CEO da Nissan acredita que os carros elétricos são a plataforma ideal para viabilizar outras tendências importantes, como automação, conectividade e compartilhamento.

Na ordem, o editor de QUATRO RODAS, Péricles Malheiros; Marco Silva, CEO da Nissan do Brasil; Helder Boavida, CEO da BMW Brasil; o piloto de Fórmula E Lucas Di Grassi, CEO da Roborace, e Zeca Chaves, redator-chefe de QUATRO RODAS

Na ordem, o editor de QUATRO RODAS, Péricles Malheiros; Marco Silva, CEO da Nissan do Brasil; Helder Boavida, CEO da BMW Brasil; o piloto de Fórmula E Lucas Di Grassi, CEO da Roborace, e Zeca Chaves, redator-chefe de QUATRO RODAS (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)

Helder Boavida falou da experiência de anos vendendo o pioneiro elétrico BMW i3 no Brasil. “Nossos clientes apreciam a economia não só de combustível, mas na manutenção quase inexistente. Eles se habituam facilmente com as tomadas e plugs, mas reclamam da falta de infra-estrutura, algo que tentamos melhorar com a parceria de postos elétricos na rodovia Dutra, em parceria com a Ipiranga”. Para o executivo, mais importante que os subsídios federais são as ações de prefeituras, que podem realizar uma série de obras e isenções para favorecer a eletrificação da frota pública e privada.

Lucas Di Grassi é um ferrenho defensor dos carros elétricos. Ele afirma que eles são menos nocivos ao meio ambiente, mesmo quando a fonte de energia do país não é tão limpa. “Mesmo que o carro elétrico gere mais poluição ao ser produzido, ele compensa em seu uso limpo nos grandes centros urbanos, que sofrem demais com a poluição. Vale lembrar que o etanol neutraliza as suas emissões no ciclo completo, mas nasce limpo em plantações e gera poluentes nas cidades, ao contrário do elétrico”. O piloto também teme que as montadoras empurrem motores a combustão por mais tempo em mercados emergentes e menos desenvolvidos, para pagar a conta da eletrificação forçada em países do hemisfério norte.

A importância dos SUVs no mercado nacional

Para falar da onda SUV, maior fenômeno do mercado na atualidade, nada melhor que o presidente da FCA na América Latina, Antonio Filosa. Afinal, a marca Jeep está nas origens dessa categoria e faz parte da sua recente propagação. O executivo contou sobre as origens dos utilitários de uso rural nos anos 20, passando pela criação do icônico Willys durante a Segunda Guerra Mundial, que daria origem à marca Jeep nos anos 60. “Revirando nossos arquivos, encontramos a primeira menção ao nome sport utility vehicle num anúncio do Jeep Cherokee 1974”.

Nos anos 80 os SUVs ganharam mais luxo e estilo, e na década atual receberam opções de uso mais urbano e porte compacto, mas com bom espaço interno e muita versatilidade. Foi o que faltava para tornar os SUVs tão atrativos como os populares hatches e sedãs.

Antonio Filosa, presidente da FCA América Latina

Antonio Filosa, presidente da FCA América Latina (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)

Filosa apresentou pesquisas internas que explicam o gosto dos brasileiros pelos SUVs: 72% valorizam a imponência e a maior altura; 63% elogiam a segurança e robustez; 57% admiram a beleza, o acabamento e o status; 42% gostam do conforto e da versatilidade. Curiosamente, os atributos dos novos SUVs agradam igualmente homens e mulheres, o que explica o fato de eles crescerem no mercado nacional num ritmo duas vezes maior do que dos outros carros. Em 2018, as vendas subiram 26%, ante 13% do mercado em geral.

Em nível global, a expectativa da FCA é que 40% dos carros vendidos sejam SUVs e crossovers, superando hatches e sedãs. No Brasil, os hatches ainda ficarão em primeiro lugar, por conta dos carros de entrada, mas seguidos de perto pelos SUVs na preferência do consumidor. “Por isso teremos até 2023 três crossovers da Fiat no pais, além de 10 novidades da Jeep, entre novos produtos, reestilizações e versões exclusivas”, revelou Filosa.

PAINEL: Como a inteligência artificial vai mudar o automóvel

Como a Inteligência Artificial (IA) vai modificar o automóvel? Já está modificando desde que os chips de seguradoras foram instalados nos carros, exemplificou Ricardo Barbosa, vice-presidente da IBM América Latina, durante o painel que encerrou o fórum Direções Quatro Rodas. Seu colega de debate, Alexandre Maioral, vice-presidente da Oracle Brasil, afirmou que a IA vai impactar todas as indústrias que tocam o cliente final.

Maioral expôs que o brasileiro é especialmente receptivo a novas tecnologias. Para ele, o desafio é massificar a IA para reduzir o custo, e para isso é preciso, no caso do setor automotivo, de uma forte participação dos governos para melhorar a infraestrutura de asfalto, de faixas bem pintadas, etc.

“A forma de maior impacto da IA nos carros sem dúvida será a automação, mas também a conectividade nos carros, que permitirá a migração de perfis de um carro para outro, como fazemos hoje com celulares”, exemplificou.

A inteligência artificial pode revolucionar a forma como interagimos com os veículos

A inteligência artificial pode revolucionar a forma como interagimos com os veículos (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)

Barbosa, da IBM, acredita que o brasileiro naturalmente gosta de interação. E a IA é a interação em estado bruto, basta ser bem utilizada pelas marcas que queiram engajar seus clientes. A IBM brasileira acaba de lançar o manual cognitivo do VW Virtus, que está chamando a atenção nos EUA e na Europa. Uma inovação simples e disruptiva, que elimina a necessidade do manual do carro impresso no porta-luvas.

Mas a IA pode revolucionar coisas mais complexas, como o reconhecimento facial do motorista, e até a criação de um sistema de trânsito inteligente nas grandes cidades. Ou até criar um sistema no carro que avalie a forma de condução do motorista, informação valiosa para seguradoras.

“Muitas coisas vão surgir em termos de IA, e há empresas que pagarão por isso, para reduzir seus custos operacionais. No final das contas, a tendência é que o custo dessa revolução digital nem caia no colo do cliente final”, aposta o executivo da IBM

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