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Em crise, fabricantes disparam: “há gente de Brasília só pensando em 2022”

Associação dos fabricantes fala em dificuldade para manter e defender novos investimentos no Brasil em conversas com suas matrizes

Por Henrique Rodriguez Atualizado em 7 abr 2021, 15h20 - Publicado em 7 abr 2021, 15h01
Volkswagen Nivus na linha de produção
Divulgação/Volkswagen

Em meio a uma crise sanitária que vem prejudicando a produção de automóveis, tando para conter a circulação do vírus da covid-19 quanto devido à falta de componentes e insumos, a indústria automotiva também vem precisando lidar com os efeitos da atual situação política do Brasil.

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Em coletiva para comentar os resultados de vendas e produção de veículos em março, a Anfavea, associação nacional dos fabricantes de veículos, sinalizou que há um clima de descontentamento entre as fabricantes instaladas no país e que isso vem assustando e dificultando a negociação e até mesmo manutenção de investimentos para a produção de novos automóveis e caminhões.

  • São 9.660 motores que saem prontos para serem instalados em todos os carros da Honda fabricados no Brasil. A fundição ainda produz componentes para a fábrica da marca no México
    Fornecimento de componentes eletrônicos pode alcançar níveis ainda mais alarmantes Divulgação/Divulgação

    “Ruídos políticos nas últimas semanas foram inaceitáveis na nossa visão. Muitas das fabricantes associadas estão negociando com suas matrizes sobre novos investimentos ou sobre como manter os investimentos. Nós temos sempre um planejamento de longo prazo então essa discussão de novos investimentos com as matrizes é permanente.

    Esse ambiente político não ajuda, até assusta um pouco as nossas matrizes. Temos que ter muito juízo em Brasília. Nós, executivos aqui do Brasil, somos os maiores embaixadores dos investimentos das nossas empresas aqui no Brasil e estamos tendo dificuldades de explicar uma coisa básica que é o orçamento do país”, disse o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, que também é Diretor de Comunicações da Mercedes-Benz, após falar sobre os atuais debates sobre o Orçamento de 2021, que vem sendo direcionado por acordos partidários no Congresso visando a reeleição do presidente Jair Bolsonaro.

    “Há muita insegurança jurídica, com liminar para lá e liminar para cá. Vai para o Supremo (Tribunal Federal) toda e qualquer discussão. Então a mensagem que temos é de bastante preocupação, mesmo terminando o primeiro trimestre relativamente bem considerando os números. Mas olhando para a frente ficamos bem preocupados, porque tem gente em Brasília pensando na eleição de 2022 e não está pensando em como fechar o ano, como cuidar da população, como cuidar das empresas e como cuidar dos empregos”, completou o executivo.

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    fábrica da general motors em são caetano
    Divulgação/Chevrolet

    Há desafios, também, com relação a inflação, taxa de juros e câmbio, além do custo de insumos como aços e resinas. “Nenhum consumidor vai conseguir suportar o repasse de todos esses aumentos nos custos”, alerta Moraes.

    E ainda há um risco ainda maior de falta de semicondutores na indústria nas próximas semanas ou meses. “Existe, sim, o risco de parada de produção por falta de componentes, em especial os semicondutores”, disse Moraes.

    Questionado sobre a visão da Anfavea sobre a possibilidade de mais fabricantes encerrarem suas operações no Brasil caso a situação não melhore, Luiz Carlos Moraes disse que a entidade vem trabalhando para ter sugestões, recomendações e alertas para ter o melhor ambiente de negócios para o setor automotivo.

    “Conversamos muito sobre isso e toda hora estamos defendendo as operações e os investimentos no Brasil, defendendo que o país tem potencial por ter consumo e interesse em veículos. Mas parece que só nós estamos preocupados com o Brasil e tem gente em Brasília que não está preocupada com o Brasil e fazem barulhos e confusões desnecessários. Falta muito tempo para 2022. (…) A pandemia por si só já era dramática e difícil de superar, e aumentamos nosso problema por razões diversas, ou por incompetência, ou por falta de visão ou por ter visão apenas eleitoral. O político que está lá tem que pensar na sociedade”, disse o presidente da Anfavea sem citar nomes. “Se falou lá em ‘menos Brasília e mais Brasil’ e eu não estou vendo isso chegar aqui na sociedade, nas pequenas empresas e nas grandes empresas”, concluiu.

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