Dez carros que foram emancipados por seus fabricantes
Nascidos como versões, alguns modelos tiveram tanto sucesso que acabaram seguindo carreira solo
Citroën AirCross
Apresentado na Europa em 2008, o C3 Picasso só chegou ao Brasil em 2010 – e de um jeito um pouco diferente. Por aqui, a minivan francesa estreou com uma exclusiva roupagem aventureira e o sobrenome AirCross, remetendo à sua suposta vocação off-road. Pouco depois, em maio de 2011, o C3 Picasso convencional foi apresentado ao mercado brasileiro (ainda assim, diferente do europeu).
Em 2015, o AirCross passou por sua primeira reestilização no Brasil, perdendo o nome C3 (que, antes, estava estampado até no velocímetro do modelo) e aposentando a pouco vendida configuração urbana (C3 Picasso), declararando sua independência.
Chevrolet Classic
Ele foi descontinuado em 2016 após 21 anos de mercado, no entanto, nem sempre foi conhecido pelo nome que carregou no fim da vida. O Classic, na realidade, não passava da primeira geração do Corsa Sedan, de 1995, com algumas (poucas) modificações visuais promovidas ao longo dos anos.
A versão surgiu para designar a linha antiga quando a segunda geração (terceira, na Europa) do Corsa foi lançada por aqui. Mas só em 2004 o modelo assumiu de vez o nome Classic. Em 2010, uma reestilização reforçou a emancipação do sedã ao abandonar alguns dos traços de mais de 20 anos atrás.
DS 3/DS 4/DS 5
Este é um caso que vai além da independência de um modelo. Criados para formar uma linha de luxo nas lojas da Citroën, os DS (DS3, DS4 e DS5) ganharam uma marca só para eles – em breve, inclusive, eles terão rede própria aqui no Brasil. Com isso, a marca tornou-se mais uma no Grupo PSA, agora com Citroën, Peugeot e DS.
A forma de escrita dos modelos também mudou: agora, para mostrarem que não são mais apenas uma linha pertencente a uma fabricante, e sim modelos de uma nova marca, os números são separados das letras “DS”, mostrando a organização da gama. Ou seja, DS 3, DS 4 e DS 5. Os logotipos da Citroën também foram extintos dos modelos.
Fiat Weekend
A versão perua do Palio chegou um ano depois do hatch, em 1997, com o sobrenome Weekend. De lá para cá, o modelo passou por três mudanças visuais em acordo com o restante da linha (Palio, Strada e Siena). No entanto, em 2012, a nova geração do Palio exigiu uma reorganização da gama, uma vez que não contemplava o restante da família.
Por não ter o nome do hatch na nomenclatura, o sedã Siena seguiu sem problemas até o início deste ano, deixando o cargo para o Grand Siena, também de 2012. A Strada ainda tem vida longa, também por não ter vínculos com o antigo Palio e ser a picape mais vendida do país. Já a perua, única a levar o nome do hatch, foi obrigada a se emancipar em 2014, passando a se chamar apenas Fiat Weekend.
Fiat Mille
Inicialmente, Mille nada mais era do que a versão “pé de boi” da primeira geração do Uno, com motor 1.0 e duas portas. A intenção da Fiat, em 1996, era retirá-lo de linha com a chegada do Palio. No entanto, o modelo fez tanto sucesso que permaneceu à venda até 2014 com o nome Mille. A nomenclatura “Uno” ficou a cargo da nova geração, batizada de Novo Uno.
Nissan GT-R
Em 2001, a Nissan revelou a 11ª geração do Skyline. O modelo chocou a crítica e o público pelo visual sem referências aos antepassados e por aposentar sua versão mais aclamada há décadas, o esportivo GT-R.
No entanto, nem deu tempo de os entusiastas reclamarem: no mesmo ano, foi revelado em formato conceitual um GT-R com vida própria, separado da linhagem Skyline. Seis anos depois, ele se tornaria realidade – e ganharia fama com o apelido Godzilla.
Renault Scénic
Assim como os atuais C4 Picasso, a Scénic era a minivan da (finada no Brasil) linha Mégane. Em sua primeira reestilização, de 1996, o modelo perdeu o primeiro nome Mégane (que era, inclusive, exposto na tampa do porta-malas) e virou apenas Scénic. Na época, a Renault justificou a separação pelo sucesso do familiar, que mereceu ter nomenclatura própria.
Subaru WRX
Principal rival do Mitsubishi Lancer em campeonatos de rali, o Subaru WRX ganhou aura própria depois da terceira geração (que chegou em 2007) pela força conquistada com a nomenclatura. Antes disso, o modelo era utilizado para designar a versão mais poderosa do Impreza. Com a mudança, a configuração WRX STI também migrou e tornou-se a topo de linha da linha WRX. O nome Impreza permaneceu apenas para as versões mais comportadas do sedã.
Toyota SW4
O caminho do SUV da Hilux parece ter sido friamente calculado pela Toyota. Ele nunca teve o visual da picape (como acontece com S10 e Trailblazer, que compartilham a dianteira) e se distanciou ainda mais na reestilização de 2011, ganhando visual mais próximo de um modelo menor.
Foi em 2015 que o utilitário estabeleceu sua identidade própria. Além de dispensar o nome Hilux, adotou aparência ainda mais distante da picape, com aspecto futurista e mais refinado.
Volkswagen CC
O Passat CC chegou em 2008 replicando o conceito do Mercedes-Benz CLS, que inaugurou o segmento dos “sedãs-cupê” – ou cupês de quatro portas. A sigla, ao contrário do que pode sugerir, significa “comfort coupé”.
Assim como no caso do SW4, o modelo usou de sua diferença visual para se emancipar da linha Passat. Mais do que isso, preferiu se tornar independente para preservar seu caráter esportivo, algo que os Passat, mais tradicionais, não fazem questão de ser.