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Como será o socorro de R$ 40 bilhões do governo à indústria de carros

Plano prevê injeção de R$ 4 bilhões por fabricante entre financiamentos do BNDES e de bancos privados. Fiat e GM já teriam aceitado a ajuda

Por Daniel Telles - 8 jun 2020, 17h15
Fábrica da GM em São Caetano do Sul (SP): montadora deve receber R$ 4 bilhões de créditos do governo e de bancos privados Divulgação/Chevrolet

A epidemia da Covid-19 no Brasil tem feito a indústria automotiva nacional registrar alguns dos piores resultados de sua história.

Em abril, por exemplo, com praticamente todas as fábricas do país fechadas, foram apenas 1.800 veículos fabricados, número que representou uma queda de 99% no volume de produção.

Os dados divulgados pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) representaram o pior mês da história da indústria nacional.

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Já o número de unidades vendidas, que variava de 10 a 12 mil antes da crise, despencou para 2 mil carros em abril.

Em maio, o cenário não foi muito mais animador, com queda de 85% na produção e 76% nos emplacamentos em comparação com o mesmo mês do ano passado.

Como forma de contornar a crise, os grandes fabricantes vêm tentando negociar um pacote de créditos com o governo que gira em torno de R$ 4 bilhões por empresa.

Desse total, o BNDES, um banco público voltado a empresas, deve entrar com um quarto, vindo o restante de instituições financeiras privadas.

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O montante a ser injetado no setor com a medida ficará em torno de R$ 40 bilhões, mas acredite: ainda é menos do que os R$ 60 bilhões a R$ 90 bilhões solicitados pela indústria, perfazendo cerca de R$ 6 bilhões por fabricante.

VW e Ford ainda não chegaram a acordo para receber o crédito Divulgação/Volkswagen

Assim como ocorreu com o setor de aviação comercial e energia, não haverá oferta de juros subsidiados às montadoras, o que significa que elas pagarão juros convencionais de mercado.

O montante seria dividido entre BNDES (25%) e bancos privados (75%). A parcela do banco estatal seria aplicada por meio de programas já existentes de financiamento de máquinas e equipamentos ou de exportações.

Entretanto, como garantia para liberação do empréstimo, os bancos exigem o aval das matrizes estrangeiras das fábricas. Ou seja, em caso de inadimplência das filiais brasileiras, a matriz deve arcar com as dívidas.

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A ideia do setor seria utilizar como garantia os créditos tributários que as empresas possuem com o próprio governo, que se aproximariam de R$ 15 bilhões.

Estamos falando de descontos em impostos para veículos destinados à exportação, benefícios por cumprimento de metas de emissões e outros subsídios, que, segundo a indústria automotiva, não têm sido repassados pelo governo aos fabricantes nos últimos anos.

No entanto, os bancos recusaram essa proposta, negativa que fez companhias como Ford e Volkswagen deixarem, pelo menos por enquanto, a mesa de negociações.

Mesmo após críticas do setor automotivo, General Motors e Fiat já teriam sinalizado positivamente à alternativa. A expectativa é que o acordo com essas duas companhias seja firmado até o mês de julho.

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De acordo com a jornalista Raquel Landim, da CNN Brasil, há tratativas em andamento para que os créditos tributários sejam revertidos em títulos de dívida emitidos pelo governo federal, que aí então poderiam ser oferecidos aos bancos como garantia.

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