Clássicos: Fiat 1400, a influência americana

Sob nova direção, a gigante de Turim deu início a um intercâmbio automotivo com os EUA a partir da chegada do Fiat 1400

Fiat 1400 Fiat 1900B: cupê sem coluna central, como nos Buick, Olds e Cadillac

Fiat 1900B: cupê sem coluna central, como nos Buick, Olds e Cadillac (Christian Castanho/Quatro Rodas)

O fim da Segunda Guerra Mundial foi um período conturbado para a Fiat. Acusada de colaborar com o regime fascista, a família Agnelli foi destituída da administração da empresa e ainda sofreu com a morte do fundador, Giovanni Agnelli.

Financiada pelos dólares do Plano Marshall e dirigida por Vittorio Valetta, a marca italiana desenvolveu um novo modelo: o sedã 1400.

Apresentado no Salão de Genebra de 1950, o Projeto 101 deveria suportar as estradas ainda em ruínas da Europa, ser estável, levar seis ocupantes, chegar a 120 km/h e fazer 10 km/l.

Idealizado por Dante Giacosa, foi o primeiro Fiat com estrutura monobloco, desenvolvida em parceria com a americana Budd Company.

Fiat 1400 Por fora, o acabamento refinado marca presença

Por fora, o acabamento refinado marca presença (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Com 4,3 metros de comprimento e 2,65 de entre-eixos, o 1400 sucedeu o modelo 1500 de seis cilindros, sedã familiar da Fiat desde 1935. Pesando 1.150 kg, usava um motor de quatro cilindros em linha, 1,4 litro de cilindrada e 44 cv.

Sua mecânica era convencional, com câmbio de quatro marchas acionado por alavanca na coluna de direção e tração traseira.

Precisava de quase 40 segundos para chegar a 100 km/h. Os freios a tambor nas quatro rodas davam conta do desempenho modesto e a suspensão dianteira independente colaborava para o ótimo conforto de rodagem.

Produzido pela divisão Carrozzerie Speciali, o 1400 Cabriolet duas portas era ainda mais parecido com os automóveis americanos.

Fiat 1400 Os detalhes em cromado por dentro ajudam no aspecto refinado

Os detalhes em cromado por dentro ajudam no aspecto refinado (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Desempenho melhor viria em 1952, com o lançamento do Fiat 1900. O aumento no curso do virabrequim (de 66 mm para 90 mm) elevou a cilindrada para 1,9 litro e a potência para 58 cv.

Era o bastante para chegar aos 135 km/h com uma nova transmissão de cinco marchas que dispensava a embreagem em favor de um conversor de torque hidráulico.

Denominado Projeto 105, o Fiat 1900 se diferenciava do 1400 por meio de detalhes externos discretos, como grade do radiador e frisos cromados.

Oferecia um acabamento interno mais requintado, rádio como item de série e o computador de bordo Tachimedion, que calculava de maneira analógica a velocidade média de cada viagem.

Fiat 1400 O vermelho era marca oficial da marca

O vermelho era marca oficial da marca (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Outra inspiração americana no estilo estava no cupê Granluce, também de 1952. Baseado na mesma estrutura do Cabriolet, o Granluce era um autêntico hardtop (duas portas sem coluna central).

Feito para a polícia rodoviária italiana, o Torpedo combinava a carroceria Cabriolet com a mecânica mais potente do 1900.

O 1400 também foi o primeiro automóvel de passeio italiano movido a diesel. O motor era o mesmo empregado nos utilitários da marca, com 1,9 litro, aspiração natural e bomba injetora Spica.

Apesar de caro, fraco e barulhento, fez relativo sucesso na Alemanha enfrentando Mercedes 180 D e Borgward Hansa 1800D.

Fiat 1400 O 1400 foi o primeiro automóvel de passeio movido a diesel

O 1400 foi o primeiro automóvel de passeio movido a diesel (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Discretas alterações de estilo foram reveladas no Salão de Turim de 1954. Eram denominados 1400A e 1900A e passavam a contar com lanternas traseiras protuberantes. A maior diferença entre os dois modelos estava no vidro traseiro, agora maior no 1900A.

Todos ficavam mais potentes: o 1400 Diesel com 43 cv, o 1400A com 50 cv e o 1900A com 70 cv.

As últimas atualizações viriam em 1956, com a chegada dos 1400B e 1900B. Ambos adotavam a carroceria com amplo vidro traseiro do 1900A e pintura em dois tons (monocromático apenas em preto ou azul).

Um único farol de neblina foi instalado no centro da grade, e o painel de instrumentos recebeu um novo velocímetro com escala horizontal.

Fiat 1400 Rádio e cinzeiro eram requintes incomuns em um Fiat

Rádio e cinzeiro eram requintes incomuns em um Fiat (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A novidade do Granluce foi o vidro traseiro envolvente, como este exemplar das fotos, que pertence ao colecionador paulista Alberto Brunet. A potência subiu para 58 cv no 1400B e 80 cv no 1900B. Ambos foram produzidos sob licença na Espanha e Iugoslávia.

Na Áustria foi produzido pela Steyr com motores de 2 litros de 86 cv e 2,3 litros de 95 cv, este último capaz de chegar aos 160 km/h.

Fiat 1400 Câmbio na coluna e painel sem conta-giros

Câmbio na coluna e painel sem conta-giros (Christian Castanho/Quatro Rodas)

O milagre econômico italiano abriu espaço para o retorno dos Fiat de seis cilindros. A produção do 1400B e 1900B foi encerrada em 1958, dando lugar aos sedãs 1800 e 2100.

A Fiat voltou ao comando dos Agnelli em 1966, sob a direção do carismático Gianni Agnelli.

O engenheiro Dante Giacosa se aposentou em 1970, após consolidar a tração dianteira no Autobianchi Primula e Fiat 128.

Fiat 1400 Discretos rabos de peixe: influência de Detroit

Discretos rabos de peixe: influência de Detroit (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Ficha técnica – Fiat 1900B Granluca 1956

  • Motor: 4 cilindros em linha de 1,9 litro; 80 cv a 4.000 rpm; 13,86 mkgf a 3.600 rpm
  • Câmbio: manual de 5 marchas
  • Dimensões: comprimento, 432 cm; largura, 165 cm; altura, 150 cm; entre-eixos, 265 cm; peso, 1.220 kg
  • Carroceria: fechada, 2 portas, 6 lugares
  • Desempenho: 0 a 100 km/h em 22 s; vel. máx., 145 km/h
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