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Chevrolet Celta elétrico tem 100 km de autonomia e custou menos que Onix

Engenheiro aeronáutico eletrificou um Chevrolet Celta 2005 por conta própria e já pensa em converter outro modelo

Por Eduardo Passos, João Vitor Ferreira 28 ago 2021, 02h31 | Atualizado em 4 jun 2026, 14h56
Celta Elétrico
Criador e criatura: a ideia surgiu depois que o engenheiro viu uns vídeos na internet (Eduardo Passos/Quatro Rodas)
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Celta Elétrico
Criador e criatura: a ideia surgiu depois que o engenheiro viu uns vídeos na internet (Eduardo Passos/Quatro Rodas)

Depois de assistir a vídeos na internet de gente fazendo conversões caseiras de veículos comuns em elétricos, o engenheiro aeronáutico Juan Antonio Cuenda, espanhol radicado em São José dos Campos (SP), decidiu fazer, ele mesmo, o próprio projeto.

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Os trabalhos começaram em 2017 e o primeiro passo foi a compra do carro, um Celta Super duas-portas ano 2005. Em seguida, Cuenda comprou as peças previstas para o projeto e, com a ajuda de um mecânico, iniciou as alterações necessárias no compacto, como a retirada do motor 1.0 de 70 cv a combustão e a instalação do elétrico.

O motor novo não é muito potente, mas os 20 kW (cerca de 27 cv) não ameaçam a performance do Celtinha, favorecido pelo incomum aproveitamento da transmissão manual de fábrica. O próprio engenheiro desenhou a peça que faz a fixação da embreagem ao volante do motor. Ele conta que precisou criar uma nova flange para conectar o câmbio ao motor elétrico.

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As faixas e o nome da versão são ideias do engenheiro (Eduardo Passos/Quatro Rodas)

A confecção dessas peças ficou por conta de uma empresa terceirizada. A função do câmbio é principalmente controlar a rotação do motor elétrico, diz Cuenda, que monitora os parâmetros através de um celular fixado no painel e se diverte ao arrancar em quinta marcha sem problemas.

As baterias de íons de lítio estão agrupadas em três conjuntos (cada um com 500 células), conectados em paralelo e instalados no porta-malas. Elas pesam 60 kg e garantem uma autonomia de até 100 km, de acordo com o engenheiro. A refrigeração é feita por três pequenos ventiladores, semelhantes aos vendidos em lojas de informática.

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Painel ganhou medidores digitais. Carregamento é feito no mesmo local de antes (Eduardo Passos/Quatro Rodas)
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Orgulho do inventor, o sistema conta até com um inversor de corrente e frenagem regenerativa. O carregamento é feito em casa, em tomada de 220 V, com energia fornecida com o auxílio de painéis solares.

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(Eduardo Passos/Quatro Rodas)

Com tantas modificações, a dinâmica do carro também foi alterada. Mais leve, o Celta precisou de ajustes no comprimento das molas. “Ele ficou muito alto, precisei rebaixar a suspensão, mas agora ela está muito baixa e devo ajustar isso também”, afirma Cuenda, revelando que o projeto ainda não está finalizado.

A distribuição do peso, na verdade, até melhorou, fazendo com que o Celta ficasse mais estável e se comportasse como um elétrico convencional, com centro de gravidade mais próximo ao solo. Ainda que a máxima seja de 100 km/h, isso não compromete o uso urbano, no qual dirigimos o carro e cenário onde o engenheiro utiliza o automóvel com frequência.

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Há dois sistemas de refrigeração a ar: um para o motor e outro para as baterias (Divulgação/Quatro Rodas)

Não fosse pelos medidores de tensão e corrente, e pelo celular que acrescenta informações ao quadro de instrumentos, seria difícil apontar algo diferente no interior do Celta. Mas ao ligá-lo em completo silêncio e, principalmente, arrancar em terceira marcha sem ligar para a embreagem, vemos que a dinâmica é outra.

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Maior desafio foi construir novos flanges para o motor (Divulgação/Quatro Rodas)

Com respostas quase imediatas, o clássico das autoescolas encara sem susto ladeiras íngremes. Nas ruas, ele passa despercebido até o momento em que alguém nota que o Celta se move sem fazer barulho.

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Em valores atualizados, Cuenda calcula ter investido cerca de R$ 50.000 no projeto, se orientando pela cotação do dólar, menos que os R$ 61.590 de um Onix Joy. Como o processo ocorreu há três anos, o valor real é pouco mais do que a metade disso. Mas, segundo Cuenda, o custo/benefício foi tão satisfatório que ele já está planejando o próximo projeto, dessa vez em parceria com um amigo.

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São três packs de bateria ligados em paralelo. Em cada um há cerca de 500 células prismáticas (Eduardo Passos/Quatro Rodas)

Os carros não estarão à venda, mas o engenheiro já pensa em oferecer consultoria para outros interessados nesse tipo de modificação, compartilhando os primeiros conselhos: “Não pode ser um carro muito velho ou com poucas peças à disposição. E um porta-malas grande também ajuda”.

Perguntado sobre algum clássico que sonhe em converter, o espanhol acaba revelando uma paixão francesa: o Renault Twingo antigo. “Não fosse pela falta de peças, ele seria um ótimo carro elétrico”, diz.

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Torcedor com camisa do Brasil e braços erguidos em estádio de futebol lotado, com bandeira brasileira e bola no campo. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas, sobre fundo verde escuro. No canto superior direito, um ícone de árvore brancaTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
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