Caoa Changan detalha estreia no Brasil e planos de produção em Anápolis em 2026
Irmãos no controle da Caoa confirmam que os Changan serão fabricados em Anápolis a partir de 2026; carros de Deepal e Nevo também podem ser vendidos no Brasil
Faz menos de um mês que a Caoa montou seu último Hyundai — um caminhão HR. Nos próximos meses, a fábrica de Anápolis (GO) ficará dedicada exclusivamente aos modelos da Chery, que vivem bom momento comercial. Só o Tiggo 7 registrou 4.248 emplacamentos em outubro, desempenho próximo ao do VW Nivus e superior ao do Fiat Pulse. Ainda no primeiro semestre de 2026, porém, a unidade também iniciará a montagem de veículos da Changan.
Segundo os presidentes da Caoa, Carlos Philippe Luchesi de Oliveira Andrade e Carlos Alberto Oliveira Andrade Filho, a relação com a Chery segue sólida. Em entrevista exclusiva à QUATRO RODAS, durante o Salão do Automóvel, eles explicaram como a empresa decidiu se associar a mais uma fabricante chinesa.
A aproximação com a Changan ocorreu justamente no Salão do Automóvel. A marca estatal chinesa, fundada em 1862 para produzir material bélico e fabricante de automóveis desde 1959, ficou conhecida no Brasil por modelos como os caminhões Chana, lançados por aqui em 2006, e as picapes Kaicene, base técnica das Fiat Titano e Ram Dakota. O interesse da Caoa, no entanto, está focado em produtos mais avançados.
As conversas entre Caoa e Changan começaram em 2019. “A primeira vez que fomos para a China, com nosso pai (Carlos Alberto Oliveira Andrade, falecido em 2021), foi para Chongqing, visitar a Changan — não a Chery [que fica em Wuhu, na provincia de Anhui]. Ali foi o primeiro contato. Depois as tratativas esfriaram, mas eles voltaram a olhar o mercado brasileiro, perceberam o bom desempenho de outras marcas e propuseram uma aliança estratégica conosco”, afirma Carlos Alberto Filho.
O executivo diz ter sido procurado por outras fabricantes chinesas, mas nenhuma aceitou as três condições impostas pela Caoa: investir na construção de marca, produzir localmente e unir “o melhor da Caoa ao melhor da parceira”. No caso da Changan, isso significa combinar tecnologia avançada — considerada um dos pontos altos da indústria chinesa — com o conhecimento da Caoa sobre o mercado brasileiro e sua rede de concessionárias.
Carlos Philippe complementa que a Changan também aceitou facilmente outra exigência: utilizar o nome Caoa junto da marca chinesa. “Explicamos que isso reduz custos de marketing, porque a Caoa já tem uma história consolidada”, reforça Carlos Alberto Filho.
Apesar da parceria, a operação da Changan no Brasil será 100% comandada pela Caoa — ao contrário do que ocorre com a Chery, que já atuava no país antes do acordo. “Com a Changan é diferente: começamos do zero e tivemos mais liberdade para estruturar a operação como queríamos”, diz Carlos Philippe.
Estreia com carros de luxo
Quando os executivos falam em tecnologia, o foco é a Avatr — divisão premium da Changan criada em 2018 e que tem a CATL como sócia, além de parceria estreita com a Huawei para sistemas eletrônicos e condução semiautônoma. O primeiro modelo da marca, o Avatr 11, será também o primeiro Caoa Avatr no Brasil. Ele já pode ser reservado mediante sinal de R$ 9.990 e, segundo a empresa, o primeiro lote — embora reduzido — estaria esgotado.
A linha Avatr será posicionada acima dos modelos da Zeekr, com proposta de luxo e personalização semelhante à de carros superesportivos.
Os primeiros Caoa Changan previstos para o Brasil já aparecem em teasers no site da empresa, embora não estejam presentes no Salão do Automóvel. São o UNI-T, um SUV médio, e o CS75 Plus, um SUV médio-grande. Eles rodam em testes no Brasil há cerca de dois anos e podem receber novos nomes no mercado local, mas já está definido que ficarão acima dos modelos da Chery.
Outros Avatr expostos no evento, como os Avatr 06 e 07, servem como termômetro para avaliar o interesse do público e podem ser os próximos lançamentos.
Segundo os executivos, nenhum produto vendido pela Changan na China está descartado. Isso inclui todas as marcas do conglomerado, como Nevo (elétricos e híbridos com extensor de autonomia), Kaicene (picapes e veículos comerciais) e Deepal (elétricos), representada no salão pelo E07, um SUV elétrico que pode se transformar em picape.
A Caoa promete cuidado para evitar sobreposição de modelos das diversas subdivisões da Changan, mas todos os veículos escolhidos serão vendidos como Caoa Changan. Na avaliação da empresa, o mercado brasileiro não comporta múltiplas marcas com posicionamento muito próximo.
Nenhum tipo de mecânica está excluído. Além de elétricos, a Changan pode trazer híbridos, elétricos com extensor de autonomia e até modelos somente a combustão. A chegada de veículos mais acessíveis será gradual, mas considerada essencial para elevar o volume de vendas.
A parceria inclui importação, produção local e distribuição pela Caoa, que pode se tornar a principal representante da Changan na América Latina. Isso abre caminho para exportar modelos montados no Brasil para países vizinhos. Há também a possibilidade de uma sociedade entre as empresas voltada ao desenvolvimento de carros específicos para o mercado brasileiro, como parte de uma sociedade entre as duas empresas.
Os executivos afirmam que a Changan tem visão de longo prazo para o Brasil e que um novo plano de investimento para a fábrica de Anápolis está sendo preparado. “No início do ano que vem, junto com o início das vendas e da produção, vamos anunciar um novo aporte”, diz Carlos Alberto Filho. “O investimento de R$ 3 bilhões anunciado em 2023 será concluído no fim deste ano, e nós o renovaremos”, completa Carlos Philippe.
O plano mais recente era dedicado aos modelos Caoa Chery. O próximo será focado na operação da Caoa Changan.
Somados, os volumes de produção da Changan (cerca de 2,7 milhões de carros em 2024) e da Chery (2,6 milhões no mesmo ano) superam os 4,3 milhões de veículos da BYD — evidenciando a força das duas fabricantes no cenário chinês.
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