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5 trapalhadas (e uma corrida memorável) de Pastor Maldonado

Tão rápido quanto estabanado, piloto deixa a Fórmula 1 após cinco anos - e já estamos com saudades...

Por Vitor Matsubara Atualizado em 23 nov 2016, 20h31 - Publicado em 1 fev 2016, 16h49
Pastor Maldonado no GP do Brasil de 2015
Fora da pista: cena corriqueira nos cinco anos do piloto na categoria

O primeiro dia de fevereiro ficará marcado pela primeira notícia bombástica da Fórmula 1 neste ano. Pastor Maldonado confirmou que não disputará a temporada 2016 da categoria pela Lotus, encerrando (ao menos por enquanto) uma passagem de cinco anos na F-1. Tudo por conta da crise financeira que atingiu a petrolífera estatal PDVSA, uma de suas patrocinadoras – e financiadora de sua carreira no automobilismo.

“Hoje, com a maior humildade, informo que não estarei presente no grid de largada da Fórmula 1 para a temporada 2016. Obrigado a todos pelas mensagens de apoio, paixão e preocupação sobre o meu futuro. Sinto-me muito honrado com o apoio de todos vocês e orgulhoso do meu desempenho profissional”, escreveu, em uma carta direcionada aos fãs.

Neste período, o venezuelano defendeu Williams e Lotus, conquistou 76 pontos e uma vitória (GP da Espanha de 2012), levando a Williams ao lugar mais alto do pódio após oito anos. Apesar das boas credenciais (que incluem o título da temporada 2010 da GP2), Maldonado acabou conhecido mais pela aptidão para se envolver em confusões. Apenas em 2015, o piloto participou de nove acidentes investigados pelos comissários da FIA. No mesmo ano, Maldonado bateu recorde ao receber três punições numa mesma prova: acidente com Sergio Pérez, excesso de velocidade nos boxes e ultrapassagem com safety-car na pista. Isso sem contar as inúmeras trapalhadas que prejudicaram apenas a si mesmo.

Polêmicas à parte, Maldonado deixará saudades em uma categoria que nos últimos anos ficou conhecida justamente pela falta de emoção nas provas. Por isso, separamos cinco acidentes provocados pelo venezuelano – e seu momento mais glorioso na F-1.

GP da Espanha de 2012: a Venezuela no alto do pódio

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Foi um final de semana inesquecível para Maldonado. Nos treinos oficiais, o piloto já havia mostrado suas credenciais marcando o segundo melhor tempo, mas contou com a sorte e herdou a pole-position após a desclassificação de Lewis Hamilton. O primeiro venezuelano a largar em primeiro lugar em um GP de Fórmula 1 foi superado por Fernando Alonso logo nos primeiros metros, mas se manteve na frente. Pastor retomou a liderança durante a segunda rodada de pit-stops, quando Alonso perdeu muito tempo atrás do retardatário Charles Pic. Nem mesmo a última rodada de paradas foi suficiente para Alonso se aproximar do líder. A vitória derrubou um jejum de oito anos da Williams sem vitórias. Extasiado com a conquista, Maldonado parecia não acreditar na vitória, e se emocionou ao ver a bandeira de seu país pela primeira vez no lugar mais alto do pódio.

GP da Europa de 2012: um “chega pra lá” em Hamilton

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Apenas duas voltas separavam Maldonado da bandeira quadriculada no GP da Europa de 2012, disputado no circuito de rua de Valência, na Espanha. Na quarta posição, Pastor brigava com Lewis Hamilton pelo terceiro lugar. Depois de forçar a passagem por fora, o venezuelano bateu na lateral da McLaren do inglês e o tirou da prova. O “pior” é que a manobra não surtiu o efeito esperado, já que Pastor teve problemas em seu carro e cruzou a linha de chegada apenas em 10º lugar. Punido com o acréscimo de 20 segundos no tempo total da prova, Maldonado acabou na 12ª posição. 

Venezuela, 2012: pagando mico em casa

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Ovacionado por seus conterrâneos após conquistar a primeira vitória de sua carreira na F-1, Maldonado participou de uma exibição em seu país natal em agosto de 2012. Diante de convidados ilustres (como o presidente Hugo Chávez), patrocinadores (a petrolífera PDVSA financiou boa parte de sua carreira) e de 20 mil fãs, o piloto deveria fazer 12 voltas de exibição em um circuito montado nas ruas de Caracas. Mas a diversão durou pouco: logo na segunda volta, Maldonado errou um cavalo-de-pau e danificou a suspensão de sua Williams ao “atropelar” o meio-fio. Embora os mecânicos da Williams tivessem tentado consertar o carro, uma tempestade acabou cancelando os eventos – e frustrando os espectadores.

GP da Bélgica de 2013: um “strike” na Force India

Spa-Francorchamps não foi um lugar de boas memórias para o piloto em 2013. Enquanto brigava com Estebán Gutierrez, Maldonado viu os dois carros da Force India se aproximarem rapidamente. Na chicane “Bus Stop”, o venezuelano não só perdeu contato com Gutierrez como foi ultrapassado por Adrian Sutil. Desesperado na tentativa de defender sua posição, Maldonado acertou a traseira de Sutil e depois atingiu em cheio a outra Force India, que era pilotada por Paul Di Resta. Fim de prova para o pobre escocês e punição para Pastor.

GP do Bahrein de 2014: Gutierrez de pernas pro ar

O 900º GP da história da categoria foi vencido por Lewis Hamilton, mas o trunfo do britânico ficou em segundo plano graças a Pastor Maldonado. Faltando 16 voltas para o fim, o piloto causou um acidente impressionante após forçar uma ultrapassagem por dentro sobre Estebán Gutierrez. Então na Sauber, o mexicano contornava a curva normalmente quando foi atingido por Maldonado. Atônito, Estebán só teve tempo de perguntar à equipe: “uau, o que foi isso?”. O venezuelano foi punido com a perda de cinco posições no grid da prova seguinte – quando também protagonizaria cenas bisonhas.

GP da China de 2014: a distração que (quase) custou caro

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A poeira dos acontecimentos no Bahrein ainda não havia baixado quando Maldonado voltou a ser o centro das atenções. No primeiro treino livre, o piloto se distraiu ao mexer nos inúmeros botões do volante de sua Lotus e acabou rodando, mas saiu ileso. A mesma sorte, porém, não teve na sessão seguinte, quando errou a freada na entrada dos boxes (!) e saiu do traçado, batendo contra a barreira de pneus e quebrando a suspensão do carro. Constrangido, Maldonado comunicou a equipe da trapalhada. “Eu bati”, disse o piloto. Enquanto isso, os membros da equipe se entreolhavam, como que acostumados com as sucessivas patacoadas do venezuelano.

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