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Xpeng G9 é SUV elétrico com recarga em 12 minutos, IA e 575 cv que pode vir ao Brasil

Dirigimos na Europa o SUV topo de gama da Xpeng, marca chinesa que deve estrear no Brasil em 2027, e tivemos uma amostra do que os consumidores podem esperar

Por Joaquim Oliveira, de Lisboa (Portugal) 25 out 2026, 15h22
SUV elétrico cinza-chumbo com teto preto, faróis finos e placa GEL XP 9E, em movimento numa estrada asfaltada. Ao fundo, árvores e céu azul com nuvens brancas
O G9 tem visual previsível, mas é tecnologicamente bastante avançado (Divulgação/Quatro Rodas)
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Xpeng G9 é SUV elétrico com recarga em 12 minutos, IA e 575 cv que pode vir ao Brasil Priorizar nos meus resultados Google

A Xpeng é outra marca chinesa que está se instalando no Brasil e tem estreia prevista para o ano que vem. Aqui mostramos seu modelo topo de linha, que traz chassi controlado por inteligência artificial e uma nova bateria LFP, combinada com a arquitetura de 800 volts.

É apenas uma demonstração do que pode vir por aí, uma vez que a Xpeng já contrata profissionais no Brasil, mas ainda não se apresentou oficialmente e nem disse em que segmentos pretende atuar. Mas há muito que esperar.

SUV cinza-chumbo em movimento, visto de traseira lateral, em uma estrada asfaltada com faixa branca. Ao fundo, gramado verde e árvores sob céu azul claro
Visual da traseira é tão previsível quanto um final de novela

Reduzir a Xpeng apenas a uma nova marca de automóveis talvez seja injusto. A própria Xpeng se vê mais como uma pioneira em tecnologia do que como uma montadora de automóveis. Exemplo disso são suas criações que incluem um robô humanoide chamado Iron, que executa tarefas na linha de produção, e drones tripulados por seres humanos – que, mesmo sendo ferramentas futuristas, até na China, demonstram a capacidade da empresa – melhor chamar assim, ao invés de simplesmente fabricante de veículos.

Detalhe da lateral de um carro cinza-azulado metálico, com um emblema cromado e preto que exibe a palavra XPENG em letras maiúsculas
A identidade da marca se manifesta nos detalhes, quando o emblema em forma de X é aplicado e fica em evidência

O G9 mostrado aqui tem um porte marcante. Nada menos do que 4,9 m de comprimento, 1,94 m de largura e uma altura de 1,67 m. Sua linha é composta por versões com dois níveis de potência, 351 e 575 cv, e dois tamanhos de bateria, 78 e 93 kWh.

A versão de entrada, de 351 cv, pode ser combinada com ambas as baterias, enquanto a de 575 cv apenas está disponível com a maior. A autonomia homologada (WLTP) é de 502 km com a bateria menor, de 585 km com a maior e de 540 km, no caso do G9 de topo de gama. As baterias passaram a ter química LFP (desde a mais recente atualização do modelo, no final de 2025) e admitem recargas ultrarrápidas, com potências de até 445 kW ou 525 kW (ainda que sejam poucos os países onde já existem carregadores tão potentes).

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Lateral de um carro cinza-escuro com roda preta e raios prateados, pneu Michelin, em asfalto cinza com gramado verde e céu azul ao fundo

Para este teste, escolhemos a versão AWD com a bateria maior. Quando paramos para realizar um carregamento, o SUV começou logo a receber 354 kW. Assim que as estações de carregamento com semelhante potência estiverem disponíveis, será possível repor o conteúdo energético da bateria de 10 a 80% em 12 minutos.

Um carro elétrico cinza-escuro está estacionado em uma vaga, sendo carregado por um dos dois postes brancos da Ionity, com detalhes roxos, em frente a um prédio claro com janelas escuras
Recarregar as baterias pode ser tão rápido quanto encher um tanque

Um dos motivos para ser possível chegar a essa velocidade é justamente a bateria de fosfato de ferro-lítio 5C – com essa capacidade de 93,1 kWh (92,2 kWh utilizáveis)–, que, graças à tensão nominal de 800 volts, pode ser carregada a cinco vezes a sua capacidade. Em corrente alternada, a potência máxima de carregamento é de 11 kW, com a qual serão necessárias 10 horas e meia para elevar o estado da carga de 5 a 100%.

Carro cinza-azulado com faróis e luzes diurnas acesas, visto de frente, em movimento numa estrada asfaltada com faixa branca. Ao fundo, gramado verde, árvores e céu azul com nuvens brancas
A suspensão pneumática controlada por IA
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O consumo de energia oficial é de 20,1 kWh/100 km, uma média bastante razoável e, ao contrário do que acontece quase sempre, até deu para concluir nosso teste um pouco abaixo desse valor (18,7 kWh/100 km), o que permitiu uma autonomia real efetivamente acima dos 500 km.

Emblema escuro da marca Xpeng, com quatro pontas triangulares unidas no centro, sobre a pintura azul-clara metálica de um carro. Abaixo, uma faixa preta com detalhes texturizados e transparentes, parte do farol ou grade do veículo

A segunda novidade neste G9 é o chassi com molas pneumáticas de câmara dupla e amortecedores adaptativos, coordenados por inteligência artificial com o objetivo de conseguir uma gestão equilibrada dos movimentos da carroceria.

Interior de carro com bancos de couro bege, console central e painel em tons claros, volante escuro e detalhes cromados. O banco do motorista, em primeiro plano, tem costuras verticais e apoio de braço. Ao fundo, o banco do passageiro e a janela refletem um prédio moderno
O espaço interno é amplo, com conforto para cinco adultos e porta-malas com capacidade para 660 litros

Dito de forma mais clara, o conforto de rolamento é primordial no Xpeng G9. Mas é provável que os entusiastas da agilidade suspirem por um relacionamento mais íntimo entre a carroceria e a estrada e uma direção com dotes de comunicação mais apurados. Aliás, quem ativar o modo Eco e esteja à espera de um arranque explosivo ficará desiludido com a entrega de força.

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Interior de carro com bancos traseiros de couro bege, cintos de segurança visíveis e teto solar panorâmico. O banco do passageiro dianteiro, também em couro marrom, é parcialmente visível.

Desempenho mais que suficiente

Mas, com uma potência combinada de 575 cv (224 cv no motor dianteiro; 351 cv no traseiro) e um torque máximo de 70,9 kgfm, as performances nunca deixam a desejar aos motoristas comuns: a combinação de um motor de indução (ASM), no eixo dianteiro, e um motor síncrono de ímã permanente (PSM), na traseira, pode impulsionar este elétrico da imobilidade aos 100 km/h em 4,2 segundos. A 200 km/h, a eletrônica amordaça a entrega de potência, mas é um limite mais do que suficiente.

Porta-malas de um carro SUV cinza escuro, visto por trás, com a tampa aberta. O interior é preto, com um tampão retrátil cinza escuro cobrindo a parte superior. Os bancos traseiros, com encostos de cabeça bege, são visíveis ao fundo. As lanternas traseiras estão acesas

Outro ponto forte do Xpeng G9 é o seu interior confortável. Depois de se acomodar nos bancos com estofamento espesso não dá vontade de sair mais do carro. Não são bancos esportivos e por vezes pode acontecer que o corpo dos ocupantes se mova mais do que o ideal em sequências de curvas feitas a ritmos mais atrevidos. Mas os assentos são confortáveis. E dá para cruzar a perna nos lugares traseiros e apreciar a vista pelo enorme teto panorâmico de vidro. Se for necessário, o quinto lugar não é muito menos desconfortável que os restantes, até porque, na fila traseira, o piso é totalmente plano.

Controles elétricos de ajuste de assento em um carro, com botões cromados em um painel bege, sobre um estofamento de couro marrom claro com costuras
Ajustes dos bancos dispensam as telas
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Os materiais reforçam a sensação de conforto, já que quase todas as superfícies são macias ao toque. O espaço é amplo: o entre-eixos de 3 metros proporciona uma área para as pernas digna de classe executiva, na segunda fileira. Além disso, o porta-malas tem capacidade para 660 litros e, rebatendo o encosto dos bancos traseiros, esse volume aumenta para 1.576 litros. A soleira de carga é um pouco alta, mas, para compras rápidas ou para guardar os cabos de carregamento, há um compartimento de armazenamento dianteiro com 71 litros de volume.

Interior de um carro moderno com volante bege e painel digital. Duas telas grandes exibem um mapa de navegação e aplicativos como YouTube e Disney+. Bancos de couro marrom e detalhes em madeira clara complementam o design.
Telas roubam a cena na cabine, onde quase não há botões físicos

Os sistemas de assistência ao motorista às vezes são demasiado intrusivos, como é comum nos carros chineses. Os sons de alerta lembram a trilha sonora do videogame Mario Kart, do Game Boy. O sistema de assistência à manutenção de faixa puxa o volante com alguma agressividade, mas felizmente pode ser desativado. O hardware – incluindo o sensor LiDAR – está preparado para níveis mais avançados de condução autônoma. No entanto, o software correspondente não está disponível fora da China.

Interior de um carro moderno, mostrando o console central em tons de bege e prata. Há um carregador de celular por indução, dois porta-copos pretos e parte do volante à esquerda. Ao fundo, a tela do painel exibe um mapa de navegação
Há dois carregadores por indução

Três telas – uma de 10,25”, para o motorista, e duas de 15”, uma central e outra para o passageiro dianteiro – proporcionam entretenimento e informação. Os menus oferecem uma ampla variedade de opções em chinês. Um recurso prático: os aplicativos na tela sensível ao toque são configuráveis e podem ser personalizados.

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Detalhe do interior de um carro, mostrando o alto-falante Dynaudio na porta, com acabamento metálico e perfurações circulares. O painel da porta é revestido em couro marrom com costuras claras, e a parte superior é preta. À direita, parte do volante em couro marrom é visível
Sistema de som hi-end é da marca dinamarquesa Dynaudio

A ausência de comandos físicos faz com que o habitáculo seja minimalista, sem elementos desnecessários ou visualmente confusos, ainda que não seja nada prático (além de menos seguro por obrigar a desviar o olhar da estrada) recorrer à tela central para definir quase tudo. Incluindo a regulação da coluna da direção ou mesmo os espelhos retrovisores ou a direção do ar que é projetado pelas saídas da ventilação. Pelo menos o acionamento dos vidros elétricos é feito através de comandos físicos.

Outros elementos do muito completo equipamento padrão dessa versão de topo do G9 (que, como extra, tem a pintura metalizada por um custo de 1.000 euros, cerca de R$ 6.000) são um sistema de acesso ao interior do veículo, som com 22 alto-falantes, câmeras que geram uma vista aérea do G9 e um par de bandejas de carga sem fios para smartphones (com 50 W de potência e arrefecimento).

Tudo isso tem um preço de 78.000 euros (R$ 469.880). Que é cerca de 40.000 euros (R$ 240.960) a menos do que rivais alemães como o Mercedes-AMG EQE 53, por exemplo.

Veredicto

Graças ao sistema elétrico robusto e às baterias, o G9 acaba com as longas esperas para recarga, o que, hoje, é uma grande vantagem desse modelo no mercado.

Ficha Técnica – Xpeng G9

Preço: R$ 469.880 (estimado)
Motor: 2 elétricos, ASM (diant.), PSM (tras.), 575 cv e 70,9 kgfm
Bateria: LFP, 93,1 kWh
Direção: elétrica
Suspensão: pneumática, duplo A (diant.), multibraços (tras.)
Freios: disco ventilado nas quatro rodas
Pneus: 255/45 R21
Dimensões: comprimento, 489,1 cm; largura, 193,7 cm; altura, 167 cm; entre-eixos, 299,8 cm; peso, 2.340 kg; porta-malas, 660 l (+ 71 l)
Desempenho*: 0 a 100 km/h, 4,2 s; veloc. máx., 200 km/h; consumo, 20,1 kWh/100 km; autonomia, 540 km; recarga AC (11 kW), 10,5 h; DC (525 kW), 12 min

*Dados de fábrica

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