Super Promoção: 3 meses por 1,99/mês

VW Santana Exclusiv foi sonho da classe média e acabou como táxi

Sonho de consumo da classe média, o sedã executivo nacional enfrentou os importados e encerrou a carreira como favorito entre taxistas

Por Felipe Bitu Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
7 dez 2024, 21h28
SANTANA
A grade adotada no modelo 1995 foi inspirada no Passat de quarta geração (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)
Continua após publicidade

Quando foi apresentado, em 1990, o VW Santana Executivo entrou para o folclore automotivo nacional como o primeiro sedã alimentado por injeção eletrônica de combustível. Foi uma despedida marcante para a primeira geração do luxuoso Volkswagen e um prenúncio do impacto que a segunda geração causaria nos próximos 15 anos.

Fruto de um projeto chamado Oak and Spruce, o Santana de segunda geração chegou em 1991 e foi um dos produtos de maior sucesso da Autolatina, parceria comercial entre as filiais brasileiras da VW e Ford. Totalmente nova, sua carroceria foi idealizada por projetistas brasileiros e concluída na sede da VW alemã, em Wolfsburg.

O estilo era inspirado nos Audi e VW alemães, com linhas arredondadas e eliminação das calhas no teto: a nova carroceria era 11% mais aerodinâmica que a anterior. A versão de entrada CL era a única a oferecer o motor de 1,8 litro, ainda carburado. O motor de 2 litros era reservado às versões GL e GLS, com carburador ou injeção eletrônica multiponto da marca Bosch.

SANTANA
Lanterna fumê foi uma novidade do modelo 1996, ano em que um discreto aerofólio passou a equipar as versões Evidence e Exclusiv (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)

Da geração anterior restaram só as portas, únicos elementos de estilo a denunciar que a plataforma ainda era a mesma de 1984. Um dos objetivos do vultoso investimento era o de superar o líder Chevrolet Monza, tão confortável em sua posição que recebera apenas uma reestilização parcial.

Continua após a publicidade

Para manter o apelo do Santana diante da abertura das importações, a VW foi além: por cerca de US$ 2.500 a versão GLSi incorporava o freio ABS à lista de equipamentos opcionais. A primazia rendeu o título de “Eleito do Ano” de 1991, em QUATRO RODAS, superando não apenas Monza e Versailles (seu par na marca Ford) como também o recém-lançado Fiat Tempra.

SANTANA
Como na primeira geração, o rádio ficava na mesma altura do volante. Versão Exclusiv era a única com instrumentos de fundo branco no painel (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)

O Santana havia atingido o ápice do desenvolvimento como produto, mas seu brilho foi ofuscado já em 1992 com a chegada do Chevrolet Omega GLS, um sedã de categoria superior. No ano seguinte, a Fiat contra-atacou com o Tempra 16V e a GM apresentou o Vectra para o lugar das versões mais caras do Monza.

Enquanto isso, o Santana com motor de 1,8 litro ficou mais forte e econômico com a opção da injeção eletrônica monoponto FIC-EEC-IV, desenvolvida pela Ford. Meses depois, foi a vez de o motor de 2 litros receber o sistema multiponto FIC-EEC-IV equipado com sensor de detonação, movido a gasolina ou a etanol.

Continua após a publicidade
Compartilhe essa matéria via:

Carente de performance, restou ao Santana melhorar sua sofisticação e requinte: no modelo 1994 os faróis de neblina foram redesenhados e a terceira luz de freio incorporada ao vidro traseiro. A lista de opcionais incluía câmbio automático, bancos revestidos de couro, teto solar de chapa com acionamento elétrico e sistema de som com rádio e CD.

SANTANA
O Santana foi o último automóvel de passeio nacional a aposentar o quebra-vento, em 1998 (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)

Além dos nacionais, o Santana também precisou conter importados como Hyundai Elantra, Peugeot 405 e Renault 21. Pior ainda foi encarar a invasão japonesa formada por Honda Civic, Mazda Protegé, Mitsubishi Lancer, Nissan Sentra e Toyota Corolla. A concorrência era tão acirrada que o Fiat Tempra ganhou duas versões turbinadas: Turbo e Stile.

Continua após a publicidade

O Monza saiu de cena em 1996, mesmo ano em que as versões do Santana foram reformuladas: a CLi foi sucedida por uma versão básica inominada, que passou a oferecer o motor de 2 litros como opcional. A intermediária GLi cedeu lugar à esportiva Evidence, enquanto a topo de linha GLSi foi substituída pela requintada Exclusiv.

SANTANA
Frisos da versão Exclusiv também eram mais largos e as rodas eram sempre diamantadas (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)

Discretas, as modificações apenas evidenciavam a idade do projeto frente a concorrentes como o Vectra de segunda geração. A injeção eletrônica multiponto sequencial Magneti Marelli 1AVB/1AVP foi adotada em 1997 nos motores de 1,8 e 2 litros, melhorando substancialmente o rendimento e a regularidade de seu funcionamento.

A última reestilização do Santana ocorreu no modelo 1999: foram redesenhados para-choques, grade, faróis, lanternas e maçanetas. O interior também foi revisto e as portas finalmente eliminaram os quebra-ventos. “Oficialmente foi o último ano da versão Exclusiv”, conta Thyago Szoke, presidente do Santana Fährer Club.

Continua após a publicidade
SANTANA fgg
O lendário motor AP de 2 litros: forte, barato de manter e quase indestrutível (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)

Após a virada do milênio, o Santana perdeu opcionais como bancos Recaro, teto solar e freios ABS, mas tornou-se o favorito de frotistas e taxistas por ser espaçoso, confiável e com baixo custo de manutenção: o último exemplar deixou a fábrica da Via Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), em 28 de junho de 2006, consolidando a boa reputação conquistada ao longo de 15 anos.

Ficha Técnica – VW Santana Exclusiv 1996

Motor: longitudinal, 4 cilindros em linha, 1.984 cm3, 2 válvulas por cilindro, comando de válvulas simples no cabeçote, alimentação por injeção eletrônica digital multiponto
Potência: 112 cv a 5.600 rpm
Torque: 17,5 kgfm a 3.400 rpm
Câmbio: manual de 5 marchas, tração dianteira
Carroceria: fechada, 4 portas, 5 lugares
Dimensões: compr., 457 cm; larg., 170 cm; alt., 144,5 cm; entre-eixos, 255 cm Peso: 1.180 kg
Pneus: 195/60 SR 14

Teste – Novembro 1991

Quatro Rodas 376
(Reprodução/Quatro Rodas)

Aceleração: 0 a 100 km/h em 12,17 s
Velocidade Máxima: 172,5 km/h
Consumo 7,94/12,44 km/l (urbano/rodov.)
Preço: Versão Exclusiv completo (abril de 1998) – Valor corrigido IGP-M: R$ 247.112

Publicidade


Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR OFERTA

Digital Completo

Quatro Rodas todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
Apenas 9,90/mês

Revista em Casa + Digital Completo

Receba Quatro Rodas impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
a partir de 14,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app. *Pagamento único anual de R$118,80, equivalente a R$ 9,90/mês.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.