Manutenção: só troque o que realmente for preciso

Pediram para substituir amortecedores ou pastilhas de freio numa determinada quilometragem? Saiba por que isso é errado

Na preventiva, troca-se a peça para garantir que não haja problemas no futuro. Já na preditiva, a troca é feita só quando a peça já apresentou um desgaste acima do aceitável

Na preventiva, troca-se a peça para garantir que não haja problemas no futuro. Já na preditiva, a troca é feita só quando a peça já apresentou um desgaste acima do aceitável (Reprodução/Internet)

O mecânico checa o hodômetro do carro, olha para a suspensão e decreta: “Doutor, chegou a hora de trocar os amortecedores. Já estão com 40.000 km”. Se você ouvir isso, caia fora e procure outra oficina.

Não é raro encontrar profissionais que gostam de substituir itens como pastilhas de freio ou embreagem numa quilometragem fixa, algo muitas vezes recomendado pelo fabricante da peça. Não caia nessa. Esses componentes fazem parte da manutenção preditiva do veículo, meio-termo entre a preventiva e a corretiva.

Pastilhas de freio são componentes que fazem parte da manutenção preditiva do veículo

Pastilhas de freio são componentes que fazem parte da manutenção preditiva do veículo (Silvio Gioia/Quatro Rodas)

Na preventiva, troca-se a peça num certo prazo, para garantir que não haja problemas no futuro, como é o caso do óleo. Na corretiva, ela é substituída quando quebra ou dá defeito, como uma lâmpada queimada.

Na preditiva, a troca é feita só quando a peça já apresentou um desgaste que reduziu sua eficiência num nível acima do aceitável. Para isso, ela precisa seguir um procedimento adequado.

“A manutenção preditiva é sempre feita a partir de uma análise prévia. Ou seja, é possível que o técnico, a partir de medições e visualizações dos componentes, possa definir pela substituição ou não”, explica o professor Ailton Fernandes, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) Ipiranga.

Se fosse seguir as indicações dos fornecedores das peças, o engenheiro de software Carlos Moreira Leite não teria levado a embreagem de seu VW Gol 1.0 1995 aos 192.000 km, como ele gosta de se orgulhar.

“Também vendi um Fiat Mille com 65.000 km rodados e cujos amortecedores ainda estavam em bom estado, contrariando a recomendação de alguns fabricantes de trocá-los a 30.000 ou 40.000 km”, diz ele.

O grande erro de o fornecedor indicar o prazo para a troca do componente é que seu desgaste varia muito conforme a condição de rodagem do automóvel.

Influencia nisso o estilo de direção do motorista (passar rápido em lombadas deteriora mais a suspensão e o pneu, por exemplo), a condição do piso (quanto mais buracos, menor a vida útil), a geografia do terreno (cidade com ladeiras consome mais embreagem e pneu) e o tipo de uso (no ciclo urbano, o freio dura menos).

buraco O desgaste varia muito conforme a condição de rodagem do automóvel. Um buraco, por exemplo, deteriora mais a suspensão e o pneu

O desgaste varia muito conforme a condição de rodagem do automóvel. Um buraco, por exemplo, deteriora mais a suspensão e o pneu (Reprodução/Youtube)

Portanto, a mesma peça num automóvel semelhante pode durar até 50% menos se o motorista e o local de uso forem diferentes.

O principal cuidado para evitar a troca indesejada é conferir o manual do proprietário, que em geral indica a peça que deve ser substituída no prazo especificado e aquela que deve ser vistoriada para depois o técnico decidir se vai trocá-la ou não.

Como nas concessionárias os mecânicos têm de seguir o manual, elas costumam respeitar mais o que é um item preventivo e um preditivo.

Porém, nas oficinas independentes ou autocenters, é preciso abrir mais o olho, pois a confusão é maior. A questão é saber sempre diferenciar uma da outra, para não ser enganado ao pagar a conta.

O que dizem os fabricantes das peças

Embreagem (disco e platô): 60.000 km
Pneus: 50.000 km
Amortecedores: 40.000 km
Cabos de vela: 40.000 km
Lonas de freio: 40.000 km
Discos de freio: 20.000 km
Pastilhas de freio: 10.000 km
Escapamento (tubulação): 2 anos

O que você deve fazer

Só substitua essas peças se necessário, quando chegarem ao fim de sua vida útil. Na prática, elas podem durar menos que o indicado pelo fabricante do componente ou até mais que o dobro, dependendo de como o automóvel foi usado.

Já os itens abaixo devem ser trocados sempre no prazo indicado no manual do proprietário, pois fazem parte da manutenção preventiva.

– Óleo
– Filtro de óleo
– Filtro de combustível
– Filtro de ar
– Filtro de ar-condicionado
– Velas de ignição
– Correia dentada
– Fluido dos freios
– Óleo de câmbio manual

 

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  1. Antonio Machado

    Essa matéria é interessante e verdadeira. Comprei um carro zero e pelo menos 95% dos 74.000 km rodei em rodovias em bom estado de conservação. Resumindo, troquei agora as pastilhas de freio originais. Isso que a cada 10.000km eu fui na concessionária fazer as revisões para manter a garantia e eles próprios mantiveram essas peças acima do prazo recomendável por avaliarem que estavam em bom estado de conservação. Pneu a mesma coisa. Vão pelo menos ainda até 80.000 sem atingir a marca de segurança e c/ desgaste regular (rodízio a cada 10k).