Nove dicas para fazer seu motor durar mais

A longevidade do propulsor (e suas peças) depende de providências simples e fáceis de adotar

Para evitar a aposentadoria antecipada do motor de seu carro, basta seguir uma rotina simples de manutenção e adotar alguns comportamentos que vão lhe poupar muito dinheiro a médio e longo prazo.

Na maioria das vezes, carros dão sinais claros de que algo não vai bem – e a saúde deles depende de sua atenção. Não há mágica: motores vivem mais se o dono for cuidadoso. Veja aqui o que você pode fazer por ele.

Acúmulo de sujidades entre os anéis dos pistões do Chevrolet Zafira 2.0 8V, após 60.000 km, no Longa Duração (Quatro Rodas/Quatro Rodas)

Pegue leve nos primeiros quilômetros
Em carros recém-saídos da concessionária, mantenha a rotação baixa nos primeiros 1.000 quilômetros. Antecipe trocas de marcha (não passe de 3.500 rpm), varie a velocidade e faça acelerações progressivas.

Essa história de amaciar o motor à força não funciona – apesar de haver uma comunidade de pessoas que acreditem no método Chuck Norris de amaciamento.

Dê preferência para a versão QUATRO RODAS: no período entre os 1.000 e 1.500 km, dirija com o máximo de suavidade e mantenha-se fora de rodovias. Só depois encare a estrada, até por segurança.

Os freios também precisam de cuidados iniciais para que haja assentamento entre as pastilhas e discos. Para o motor e freios, os primeiros quilômetros são fundamentais para uma vida longa e feliz.

Motor Active Hybrid, da BMW (Divulgação/Quatro Rodas)

Não aqueça o motor antes de começar a rodar
Ao sair pela manhã ou quando o carro estiver frio, não precisa gastar alguns minutos em marcha lenta. Prefira essa rotina: entre no carro e ligue o motor, coloque o cinto e verifique os ajustes do assento e espelhos. Pronto – esses 30 segundos bastam e seu carro está pronto para começar a rodar. Mas ainda estará frio. Rode com suavidade até que o motor atinja a temperatura ideal de funcionamento.

Evite acelerações bruscas
Acelerar no trânsito como se você estivesse numa prova de ¼ de milha toda vez que o semáforo abre não vai lhe ajudar a chegar mais rápido no destino. Mas é o caminho mais breve para antecipar uma parada na oficina. Ser brusco no acelerador é um dos hábitos mais danosos para a saúde do automóvel.

No trânsito, o motor tende a trabalhar muito quente e esse tipo de condução aumenta ainda mais a temperatura do conjunto. Sobrecarrega o sistema de arrefecimento, juntas e correias, por exemplo.

Detalhe da correia dentada do comando de válvulas do motor (Quatro Rodas/Quatro Rodas)

Filtros (de ar e óleo) são baratos. Retífica é cara
Economizar nesses dois filtros é a pior decisão que você pode tomar. Troque o filtro de óleo toda vez que esgotar o fluido – nada de alternar troca sim, troca não. É uma peça barata demais, considerando sua importância no bom funcionamento do propulsor.

O mesmo vale para o filtro de ar: substitua sem dó. Nada de “bater um ar”, aspirar, lavar. No jargão financeiro, é o que se chama de “economia porca”.

Escolha o óleo como se fosse vinho
Vinho ruim dá dor de cabeça. Óleo de origem duvidosa também. Se o fabricante recomenda óleo sintético (geralmente mais caro), use o sintético. Não misture com óleo mineral. Prefira gerações mais novas do fluido, com poder de detergência de classe SL, no mínimo.

Poupe seu dinheiro: óleos modernos, de qualidade, não precisam de aditivos. Siga o manual e antecipe trocas do fluido se você rodar por muito tempo em regimes severos (como trânsito ou áreas poluídas/empoeiradas).

Por meio de scanner é possível fazer diagnóstico de falhas (Quatro Rodas/Quatro Rodas)

Livre-se do peso excessivo
Ao encarar à pé uma subida de montanha, quanto mais leve você estiver, melhor. Adote o mesmo procedimento para seu automóvel. Tire do porta-malas tudo o que não tem serventia, assim como no porta-luvas e outros bolsos no interior. Seu bagageiro de teto está vazio? Deixe na garagem.

Peso adicional exige mais força do motor. Máquinas são o oposto de nossos corpos: quanto mais esforço fazem, menor a vida útil. Ao instalar um engate, certifique-se de que o carro está homologado para carregar uma carreta e, claro, verifique o peso admissível.

Use a transmissão com sabedoria
A maneira como você usa o câmbio tem influência direta no rendimento do motor. Rotações elevadas aumentam o consumo e ruído. Fazer as trocas na faixa vermelha – o limite de giro -, o tempo todo, irá abreviar a vida dos componentes. Marchas altas em velocidade baixa também não fazem bem às válvulas.

Sempre use a marcha ideal para a velocidade em que está e considere também a inclinação da pista. A rigor, desça engrenado na mesma marcha que usaria para subir a via.

Por fim, transmissão não é freio. Você pode contar com o efeito do freio-motor em declives – e deve fazer isso – mas não reduza a velocidade do carro usando as marchas.

Cabeçote, do Prisma Maxx 1.4, da Chevrolet, após desmonte do teste de Longa Duração (Quatro Rodas/Quatro Rodas)

Leia o manual e faça manutenção preventiva
Aquele livrinho que acompanha o veículo, esquecido no fundo do porta-luvas, é seu aliado. Precisa ser lido. Ele descreve os intervalos de manutenção e itens a serem checados conforme a quilometragem do carro.

Peças de desgaste natural precisam ser trocadas: velas e cabos, bateria, correias, rolamentos, fluidos – mantenha tudo isso em dia e seu motor poderá trabalhar tranquilamente mesmo quando o hodômetro tiver seis dígitos altos.

Velas retiradas do Renault Duster de nosso Longa Duração, após 60.000 km (Silvio Gioia/Quatro Rodas)

Leve seu carro para viajar
Trechos curtos são os mais difíceis para veículos. O anda-e-para urbano, trânsito e aquela saidinha de domingo cedo até a padaria da esquina fazem um estrago no motor – como o colesterol é péssimo para o coração.

Exercícios fazem bem: vá para a estrada com o possante. Ande em velocidade constante, varie acelerações e rode com o giro elevado (dentro dos limites do propulsor). Isso ajuda a livrar a câmara interna e o sistema de exaustão de fuligem e outros contaminantes que se acumulam no uso rotineiro de ciclo severo.

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  1. Waslon T. A. Lopes

    A reportagem deveria ser mais precisa em relação ao óleo do motor que deve ser comprado segundo a especificação constante no manual. Por exemplo, 5W30. Se é sintético ou não, tem pouca influência desde que seja trocado dentro do prazo.

  2. Francisco José Trevisan Netto

    Tive contato com a Revista Quatro Rodas em 1989, e em 1992 me tornei assinante. Fiquei tão fascinado pelo mundo automotivo que troquei a profissão de bancário pela de reparador automotivo. Comecei com a instalação de acessórios, mas desde 2004 trabalho exclusivamente com reparação. Adoro a tecnologia e o progresso, sou apaixonado pela evolução, mas o rumo que os fabricantes de automóveis estão tomando é assustador. Estão fabricando automóveis que não tem mais compromisso com durabilidade e reparabilidade, focando seus projetos em entupir seus lançamentos com supérfluos que dificultam e encarecem demasiadamente o concerto. Devido à política de aumento de potência e diminuição de emissões, os motores estão tão superlotados de traquitanas que quando começam incomodar é um problema atrás do outro. De que adianta um automóvel emitir um quilo de CO2 a menos por ano se dentro de quatro a cinco anos fica tão caro e complexo de concertar que tem que ser jogado inteiro fora pois o valor do concerto é maior que o valor do veículo. Os selos de emissões tem que ser revistos, levando em consideração a manutenção, reparabilidade e longevidade do referido veículo . Não se pode tratar um bem de tão difícil é custosa produção como descartável.

  3. Christian Bernert

    O artigo diz:
    “Trechos curtos são os mais difíceis para veículos. O anda-e-para urbano, trânsito e aquela saidinha de domingo cedo até a padaria da esquina fazem um estrago no motor”
    “No trânsito, o motor tende a trabalhar muito quente e esse tipo de condução aumenta ainda mais a temperatura do conjunto.”
    Mas diz para andar só no trânsito, nada de estrada até os 1.500 km: “Dê preferência para a versão QUATRO RODAS: no período entre os 1.000 e 1.500 km, dirija com o máximo de suavidade e mantenha-se fora de rodovias.”
    Ora, se o trânsito é mais severo que o uso em estradas, então evitar estradas é submeter o motor a um esforço maior. Não tem sentido este conselho.

  4. Sobre o item ‘transmissão não é freio’, alguém saberia explicar por qual motivo não se deve usar freio motor em demasia?