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Mistura de metanol no combustível pode destruir seu carro e sua saúde

Na hora de abastecer, o consumidor pode estar colocando em risco não só seu veículo como também sua própria saúde com metanol na mistura

Por Paulo Campo Grande Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
28 ago 2025, 15h26
Metanol
 (ICL/Divulgação)
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Pode ter acontecido de você ter pedido para o frentista abastecer seu carro com gasolina ou etanol e 90% do combustível que entrou no tanque ter sido, na verdade, metanol. O solvente é altamente tóxico aos humanos e corrosivo para o motor dos carros. 

Este caso envolve a megaoperação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28), e que mobilizou Receita Federal, Ministério Público (federal e estaduais), Polícia Federal, polícias civis e militares, Agência Nacional do Petróleo (ANP), secretarias de fazenda e procuradorias estaduais.

Foi apurado que cerca de 2.500 postos, só em São Paulo, teriam sido afetados pela distribuição de combustível misturado com metanol. A ANP restringe a presença de metanol a 0,5% da mistura de qualquer combustível (seja ele etanol ou gasolina) e a operação encontrou até 90% de metanol na mistura.

O objetivo desta megaoperação foi desarticular um grande esquema criminoso no setor de distribuição de combustíveis controlado por integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Posto combustível gasolina álcool diesel petrobras (6)
(Fernando Pires/Quatro Rodas)
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Desde 2023 o Instituto Combustível Legal, entidade que combate as irregularidades no setor, vem identificando o aumento da adulteração do combustível com metanol. É uma fraude que preocupa a todos, não só engenheiros, mas também autoridades, defensores de consumidores e até profissionais de saúde.

O motivo maior da preocupação é que esse composto químico é altamente tóxico, podendo provocar câncer e cegueira, quando inalado ou em contato com a pele e os olhos, e até matar se for ingerido. Outro problema é que sua combustão é praticamente invisível. 

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Para os motores, o metanol não seria necessariamente problemático. No passado, esse tipo de álcool foi usado em competições (como a F-Indy, nos EUA) e como substituto do etanol (no Brasil), quando houve falta desse combustível, no início dos anos 1990. Mas, nos dois casos, foi banido por conta dos riscos à saúde das pessoas e também pelo fato de sua chama ser incolor e, portanto, difícil de combater em caso de incêndio.

Nos carros atuais, porém, o metanol pode agredir componentes do motor e do sistema de injeção não protegidos dos seus efeitos corrosivos. Entre os componentes estão os bicos injetores, tubulação de combustível e outras peças do sistema de armazenamento. 

Só em agosto de 2023  a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis (ANP) apreendeu 863 mil litros do produto nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Sergipe, o qual supostamente seria usado para adulterar gasolina e etanol.

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Como o metanol chega aos postos?

O metanol é usado como solvente pela indústria. Todo volume consumido no Brasil chega ao país importado por empresas autorizadas pela ANP. Cerca de 50% é empregado na fabricação de biodiesel, enquanto a outra metade se destina às indústrias química e farmacêutica.

A porção do que acaba sendo usada na adulteração de combustível é desviada de sua finalidade ou importada ilegalmente. “O que o torna atraente para os falsificadores de combustível é seu custo, cerca de metade do preço do etanol”, avalia o presidente do Instituto Combustível Legal, Emerson Kapaz.

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A ANP monitora o metanol e, recentemente, passou a divulgar publicamente, em seu site, a ferramenta que adota para identificar indícios de desvios do produto para fins irregulares. Os interessados podem buscar por Painel Dinâmico de Monitoramento de Metanol.

A população mais exposta aos riscos do metanol é formada pelos frentistas, o que já motivou protestos de entidades representativas dos trabalhadores, como o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Campinas e Região (Recap), cujo presidente, Emílio Roberto Martins, formalizou uma denúncia junto ao Ministério Público.

Para o consumidor, o melhor jeito de se proteger desse tipo de fraude e de outras muito comuns – como as chamadas bombas baixas, que falseiam a quantidade de combustível vendido – é escolher com critério o posto de serviços e resistir àquelas ofertas mirabolantes de preços baixos, gasolina aditivada pelo mesmo preço da comum, exigindo sempre nota fiscal.

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