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Volta por baixo

Por Redação 25 nov 2010, 18h40

61351 km

Nosso i30 já passou dos 60 000 km e se encaminha para o desmonte sem problemas mecânicos. Ao contrário, a quilometragem parece ter feito bem a ele, como mostra nosso teste final. Acelerou mais rápido (11 segundos, contra 12,7), freou em espaços mais curtos (61,9 metros de 120 km/h a 0, contra 64,4), retomou melhor (8,2 segundos de 80 a 100 km/h, contra 13,1), foi tão econômico quanto antes (9,9 km/l na cidade) e até mais silencioso (64,3 contra 65 dB). Pena que as boas marcas não ajudaram a elevar o valor de revenda.

Dois fatores sempre pesam contra os carros de Longa Duração: são seminovos (pouca diferença de preço para um modelo novo) e muito rodados (60 000 km em menos de um ano). Segundo a tabela Fipe, um i30 como o nosso custa 57 425 reais, mas, novo, é vendido a 62 000, preço que pode cair para 60 000, se você souber pechinchar. Para que um comprador comum se interessasse pelo carro, teria de custar algo em torno de 55 000 reais. Não tentamos vendê-lo a particulares, mas a lojas e concessionárias. Para nossa surpresa, as revendas que pagam menos são as que mais deveriam zelar pelo seu valor: todas da Hyundai.

Na primeira Hyundai Caoa, a do Piqueri, em São Paulo, o vendedor nos disse que pagaria 50 000 reais se o i30 tivesse até 15 000 km, quilometragem esperada para um veículo 2009/2010. Com 60 000 km, ele avaliou o nosso em 45 000 reais. Ainda insistimos para conseguir um valor melhor e o avaliador, depois de dar uma volta em torno do carro, manteve o preço.

Seguimos para as lojas de usados da avenida Edgar Facó e, nas três primeiras, não quiseram nem olhar o carro. “É muito novo e muito rodado”, nos disse o vendedor da RGM Automóveis. Na Pantanal Veículos, ali perto, recebemos a mesma resposta do vendedor, que se ofereceu para vender o carro em consignação. Fomos para a Thidi Car, onde nossa impressão de que o i30 era ruim de venda se desfez. O vendedor ficou impressionado com o estado do carro e nos ofereceu 47 000 reais. Não sem antes nos explicar a mecânica da coisa: “O carro tem de estar muito bonito, para vender fácil. O ganho varia. Se for um carro de 30 000 reais, a gente compra por 27 000 para ganhar 3 000. Se for de 60 000, compramos por 53000, para ganhar 7 000”. Recusamos a proposta e seguimos para a Chevrolet Palazzo, onde recebemos a oferta de 48 000 reais. E uma ligação da Thidi Car, que queria melhorar a oferta e comprar o i30 de qualquer jeito. Se quiséssemos vender, ele possivelmente teria ficado com o Hyundai – pela tenacidade e disposição em negociar.

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As ofertas seguintes que recebemos, sempre vinculadas à troca por um modelo novo, foram de 46 000 reais (Peugeot Pavillon, Hyundai Caoa Perdizes e Renault Grand Brasil) a 49 000 reais (Volkswagen Sorana, nossa melhor proposta). Na concessionária Hyundai, a venda do carro só ocorreria se fizéssemos a revisão dos 60 000 km. Por nossa conta.

Só com a revisão

A pior proposta veio da Hyundai Caoa Santana, onde também ficamos surpresos com a “boa vontade” no atendimento. Entramos na loja e esperamos alguém nos atender. Só não desistimos porque tínhamos uma reportagem a escrever. Nenhum vendedor se levantou da cadeira. Foi a moça da recepção, que estava com outros clientes, que nos encaminhou a uma vendedora, que ofereceu de 43 000 a 44 000 reais. Insistimos, pedindo para o avaliador ver o estado do i30. Acompanhamos o avaliador para a foto que ilustra esta reportagem. Enquanto mostrávamos como o carro estava inteiro, com quatro pneus praticamente novos, ele nos disse que seria preciso fazer a revisão dos 60 000 km. “Pode não parecer, mas todas as peças desse carro são caríssimas. Se não estiver na garantia, não consigo vendê-lo. A quilometragem também atrapalha. Estou com um Azera encalhado aqui. E ele não está tão rodado como o seu i30.” Agradecemos a sinceridade e nos despedimos, deixando o Hyundai em seu destino final neste teste de Longa Duração: a Fukuda Motorcenter, para a desmontagem. E, quem sabe, a confirmação de nossos elogios à durabilidade do carro, apesar de seus custos de manutenção acima dos razoáveis, como a própria rede Hyundai, quem diria, reconheceu.

Consumo

No mês (5,8% na cidade): Gasolina – 10,5 km/l

Desde dez/09 (22,2% na cidade): Gasolina – 10 km/l

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