Foton Tunland V9 é gigante com preço baixo, mas motor diesel híbrido decepciona
A Tunland V9 é bruta como um carro de trabalho, mas traz elementos de picape de luxo. Seu maior atrativo talvez seja o preço
Presente no Brasil desde 2011, a Foton ainda é uma empresa desconhecida para os brasileiros, vendendo apenas caminhões leves. Desde 2023, a operação local deixou de ser licenciada para virar uma filial da matriz chinesa.
Com os chineses no comando, os planos mudaram e a Foton quer atacar o segmento das picapes médias, onde a empresa atua na China desde 2011. Para se tornar conhecida, o projeto é aproveitar os nomes por trás dos componentes da caminhonete, como Cummins (motor diesel), Getrag (transmissão), BorgWarner (caixa de transferência) e Dana (eixos e diferenciais). Além disso, a empresa usa outros argumentos para conseguir a atenção do cliente: o mais poderoso é o preço da Tunland, de R$ 309.900, que chega a ser R$ 86.090 a menos do que o de uma VW Amarok V6 Extreme (R$ 395.990) ou R$ 47.990 menos que o de uma Toyota Hilux SRX Plus (R$ 357.890).
O mote da vantagem continua nas dimensões da picape. Com 5,62 m de comprimento, a V9 é visivelmente grande. Não encosta no segmento das picapes grandes como Ford F-150 e Ram 1500, porém são 30 centímetros mais do que uma Toyota Hilux.
Esse atributo do tamanho não vale para todos, porém. Porque, se impressiona por um lado, por outro o comprimento restringe os movimentos da picape na cidade e a largura se torna um problema em lugares mais apertados. São 2,09 m de largua, a mesma da F-150, sem contar os espelhos, ambos com tamanho considerável e bem afastados da carroceria.
O porte não é a única coisa que a Tunland trouxe das picapes grandes, no entanto. Seu visual remete ao passado das chinesas ao copiar descaradamente o design de veículos mais famosos. Neste caso, o desenho frontal veio da Ram 1500.
Do lado de dentro, há toques de Mercedes-Benz, como nas alavancas e no painel digital, que tem um modo de exibição igual ao de modelos da marca alemã. O acabamento é bom, combinando revestimento que imita couro e plásticos emborrachados.
Neste momento, a Tunland é a única picape vendida no Brasil com a tecnologia híbrida leve. A combinação do motor 2.0 turbo diesel com um gerador entrega um total de 175 cv e 45,4 kgfm. São números bem abaixo da média do segmento de 200 cv e só superam os da Ford Ranger 2.0 (170 cv e 41,3 kgfm). O câmbio é automático de oito marchas. Com o torque chegando entre 1.500 e 2.600 rpm, o conjunto tem força para sair da inércia, mas perde fôlego acima de 60 km/h. O teste na pista confirmou a sensação, com a picape precisando de 14,7 segundos para ir de 0 a 100 km/h. De todas as picapes diesel atuais, a mais lenta testada por QUATRO RODAS foi a Titano 2025 (13,4 s).
Entregando 12 cv extras, a tecnologia híbrida leve não ajuda muito. A picape faz 9,3 km/l na cidade e 10,6 km/l na estrada. São médias normalmente vistas nas outras picapes sem eletrificação.
Por utilizar uma suspensão multibraços na traseira, a caminhonete é bem confortável até na terra quando está com a caçamba vazia. No entanto, dá fim de curso facilmente quando está carregando mais peso.
Bem equipada, a Tunland traz teto solar, piloto automático adaptativo, bancos elétricos, seis airbags e assistente de faixa. A câmera 360o ajudaria a manobrar, se não fosse a imagem de baixa qualidade. A multimídia de 14,6” merecia um sistema mais rápido. Tem apenas Apple CarPlay sem fio, sem contar com Android Auto.
Há um excesso de apitos e avisos sonoros dos sistemas de segurança, às vezes por motivos desconhecidos. Um sensor de atenção emite alertas até quando o motorista olha para o lado durante uma manobra.
A impressão que fica é que a Tunland seria mais competitiva se a Foton tivesse mais cuidado com os detalhes. Ela tem preço, conforto, mas é lenta, seus equipamentos deixam a desejar e falta refinamento em comparação às concorrentes de médio porte de nosso mercado.
Veredicto Quatro Rodas
Maior e mais barata, a Tunland V9 poderia conquistar quem quer espaço. Porém, o motor fraco e o desempenho ruim das tecnologias a bordo reduzem seu apelo.
Ficha Técnica
Motor: híbrido leve, diesel, diant., transv., 4 cil. em linha, 2.0, turbo, 175 cv (163 +12 cv) a 3.600 rpm, 45,4 kgfm entre 1.500-2.600 rpm
Câmbio: aut., 8 marchas, tração 4×4 integral
Direção: elétrica
Suspensão: duplo A (diant.), eixo rígido com molas helicoidais (tras.)
Freios: disco vent. (diant.), sólido (tras.)
Pneus: 265/70 R18
Dimensões: compr., 562 cm; larg., 209 cm; alt., 195 cm; entre-eixos, 335 cm; caçamba, 1.000 kg; peso, 2.335 kg
Teste Quatro Rodas
Aceleração
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0 a 100 km/h: 14,7 s
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0 a 1.000 m: 36,10 s / 141,9 km/h
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Velocidade máxima: 160 km/h
Retomadas
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40 a 80 km/h: 6,6 s
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60 a 100 km/h: 8,6 s
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80 a 120 km/h: 13,0 s
Frenagens
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60 km/h a 0: 16,7 m
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80 km/h a 0: 28,6 m
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100 km/h a 0: 45,6 m
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120 km/h a 0: 63,6 m
Consumo
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Urbano: 9,3 km/l
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Rodoviário: 10,6 km/l
Ruído interno
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Neutro / RPM máx.: 42,9 / 73,9 dBA
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80 km/h: 64,1 dBA
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120 km/h: 70,3 dBA
Velocidade real a 100 km/h: 96 km/h
Rotação do motor a 100 km/h: 1.500 rpm
Volante: 3 voltas
Seu bolso
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Preço básico: R$ 309.900
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Garantia: 10 anos





