Teste: Chery Tiggo 2, um chinês sob o guarda-chuva da CAOA

SUV compacto apresenta evolução, mas ainda pode melhorar mais. Unidade apresentou quebra em prova de retomada

Chery Tiggo 2 frente 3-4 Tiggo 2 possui visual atraente e sem exageros

Tiggo 2 possui visual atraente e sem exageros (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A primeira geração do Tiggo marcou a chegada da Chery no Brasil, em 2009. Agora, coube ao Tiggo 2 estrear a nova fase da marca com a Caoa como sócia da operação brasileira.

Lançado em abril, o SUV compacto parece ser um bom cartão de visitas: tem design maduro, que atrai atenção nas ruas e está alinhado com a atual linguagem da Chery.

Chery Tiggo 2 traseira 3-4 Tiggo 2 tem teto e colunas pintados de preto de série

Tiggo 2 tem teto e colunas pintados de preto de série (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Por dentro, não desaponta os olhos. Além do design interessante, os plásticos, embora duros, estão bem montados.

Painel Chery Tiggo 2 Painel é bonito e bem acabado, embora seja todo de plástico duro

Painel é bonito e bem acabado, embora seja todo de plástico duro (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Bancos dianteiros são bonitos , porém posicionados alto demais e só com ajuste de inclinação do assento. Efeito disso é que adultos com mais de 1,70 m ficam com a cabeça rente ao teto e o trambulador fica distante da mão do motorista.

banco traseiro Chery Tiggo 2 Espaço no banco traseiro é reduzido

Espaço no banco traseiro é reduzido (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Atrás, se o espaço para a cabeça é correto, para as pernas nem tanto. O banco é avançado, o que, por outro lado, contribui para o ótimo porta-malas com 420 litrosde capacidade.

O motor é o 1.5 16V flex de 115/110 cv e 14,9/13,8 mkgf de torque, que mostrou pouca disposição em baixos giros.

Alavanca de câmbio Chery Tiggo 2 Alavanca de câmbio mantém o curso longo encontrado no Celer

Alavanca de câmbio mantém o curso longo encontrado no Celer (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Por outro lado, o câmbio manual de cinco marchas do SUV continua com relações longas, que podem ter culpa no desempenho fraco nos testes de aceleração: precisou de 14,1 s para chegar aos 100 km/h, 0,8 s a menos que um VW Up! 1.0 MPI.

Isso teria valido a pena se o consumo fosse melhor, pois ele só fez 10,1 km/l em ciclo urbano e 12,4 km/l no rodoviário com gasolina.

motor Chery Tiggo 2 Motor 1.5 flex mostrou pouca disposição em baixos giros

Motor 1.5 flex mostrou pouca disposição em baixos giros (Christian Castanho/Quatro Rodas)

O Chery Tiggo 2 parte dos R$ 59.990, mas a versão Act testada custa R$ 66.490.

É caro, embora tenha piloto automático, central com câmera de ré, teto solar e controle de estabilidade, que mostrou reação incomum nas curvas inclinadas de nossa pista: a 60 km/h, assustou ao atuar forte na roda dianteira externa até reduzir para 25 km/h.

porta malas chery tiggo 2 O que falta de espaço traseiro sobra em capacidade no porta-malas, que comporta 420 litros

O que falta de espaço traseiro sobra em capacidade no porta-malas, que comporta 420 litros (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A Chery diz que o sistema tem calibração global, validada na Europa e verificada no Brasil.

Fratura exposta

O acelerador do Tiggo 2 quebrou no nosso teste, durante a medição de retomada de 40 a 80 km/h.

O pedal foi substituído no dia seguinte por engenheiros da Caoa Chery e levado para análise.

Segundo a fabricante, não se trata de problema de qualidade. “A quebra foi no ponto de indução de fratura para proteção dos pés do motorista em caso de colisão”, diz.

Pedal do acelerador - Chery Tiggo 2 Pedal se partiu durante teste de retomada

Pedal se partiu durante teste de retomada (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)

A Chery afirma que a peça de plástico foi projetada para resistir a mais de 900 Newton (91,8 kgf), mais que os 550 N exigidos pela legislação chinesa, e que seria raro ultrapassar os 350 N em uso normal.

Houve um caso semelhante a esse com a imprensa russa em 2017: outro Tiggo 2 sofreu quebra no mesmo pedal e no mesmo ponto.

Nos últimos 20 anos da QUATRO RODAS, o único caso parecido foi o entortamento do pedal de freio de um Chery S18, em 2011.

Teste de pista (com gasolina)

Aceleração de 0 a 100 km/h: 14,1 s
Aceleração de 0 a 1.000 m: 35,4 s – 145,2 km/h
Retomada de 40 a 80 km/h: 9,1 s (em 3ª)
Retomada de 60 a 100 km/h: 15,9 s (em 4º)
Retomada de 80 a 120 km/h: 30,1 s (em 5º)
Frenagens de 60/80/120 km/h a 0: 17,7/30,8/67,6 m
Consumo urbano: 10,1 km/l
Consumo rodoviário: 12,4 km/l

Ficha Técnica – Chery Tiggo 2 ACT

Preços: R$ 59.990 a R$ 66.490
Motor: flex, dianteiro, transversal, 4 cilindros, 16V, 1.496 cm³, 115/110 cv a 6.000 rpm, 14,9/13,8 mkgf a 2.700 rpm
Câmbio: manual, cinco marchas
Suspensão: McPherson (dianteiro)/eixo de torção (traseiro)
Freios: a disco nas quatro rodas
Direção: hidráulica
Rodas e pneus: liga leve, 205/55 R16
Dimensões: comprimento, 420 cm; largura, 176 cm; altura, 157 cm; entre-eixos, 255,5 cm; peso, 1.240 kg; tanque, 50 l; porta-malas, 420 l

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  1. Não achei comprometedor. Achei aceitável a fratura do painel e o comportamento do controle de estabilidade, que levou o carro para uma situação mais segura de fato.

  2. Acles Kaleb Morais Nascimento

    Imagina a força com que o motorista pisou no pedal para quebrá-lo…Deve ter sido algo absurdo…

  3. Acho que o Tiggo 2 sera bombardeado de criticas, ele é concorrente de produtos Fca.

  4. Carlos Minkap

    MAS QUE ¨PATA¨VCS DA REVISTA TEM PARA QUEBRAR O PEDAL DO ACELERADOR , UMA VEZ QUE NÃO FOI PROBLEMA DE MATERIAL MAL PRODUZIDO SEGUNDO A CHERY.

    bOM…DEEM GRAÇAS A DEUS QUE NÃO FOI O PEDAL DO FREIO NÉ !!

  5. Jesus!!! Imagina a “qualidade” das peças! Deus me livre! Nem de graça!

  6. Bastou um carro aparecer com um bom recheio, em um preço não muito elevado, que as criticas negativas aparecem! Pode não ser um primor, mas ao menos é honesto no que promete. O único ponto negativo que achei foi o consumo, que poderia ser bem melhor. Quem sabe a versão com câmbio automático não melhore e traga também direção elétrica!