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Mercedes-Benz S 500

Entre outras inovações, ele antecipa o que vai acontecer pelo caminho e se comporta de acordo com a necessidade

Por Joaquim Oliveira | Fotos Dirk Weyhenmeyer Atualizado em 9 nov 2016, 01h07 - Publicado em 24 set 2013, 01h53
impressoes

Deve ser dura a vida da equipe de projeto responsável pela maior estrela de uma das principais marcas de prestígio do mundo. Afinal, o nível de expectativa em relação a um futuro Classe S só é comparável à ansiedade gerada durante a concepção da geração anterior. A fábrica não pode correr o risco de frustrar um público ávido e acostumado com altas doses de inovação. E o novo Classe S não decepciona. Ele estreia recursos inéditos até mesmo na história da indústria automotiva. Por exemplo, é o primeiro carro do mundo capaz de detectar as ondulações no asfalto: o recurso Road Surface Scan identifica uma irregularidade no caminho (com a ajuda da câmara estereoscópica) e, pelo sistema Magic Body Control, adapta-se imediatamente à nova situação, alterando os parâmetros da suspensão pneumática Airmatic (de série), para transformar qualquer rua de piso irregular num tapete de asfalto.

Também é o primeiro da história a não ter lâmpadas convencionais, só luzes de led (são quase 500, sendo 300 para iluminar a cabine e 56 em cada farol principal). Outra novidade é o recurso Balance Air, que filtra e ioniza o ar da cabine para purificá- lo, podendo até liberar um perfume no interior, cuja intensidade é ajustada pelo motorista.

São tantas mudanças que quase nos esquecemos de que houve uma mudança no seu exterior. Diferentemente do que era tradição no sedã topo de linha da Mercedes, já com 40 anos de serviços, a carroceria usada como base para desenvolver a nova Classe S foi a L (de Longa) e não a versão europeia (mais curta). Tudo porque ela é a configuração preferida dos milionários clientes da China, mercado número 1 do Classe S no mundo. Nada diferente do que vem ocorrendo com a Bentley (leia mais nas Impressões do Flying Spur, nesta edição). Assim, o entre-eixos não mudou, já que a plataforma é a mesma (3,17 metros na versão longa e 3,03 na curta), mas as bitolas estão mais largas (2,4 cm à frente e 3,1 atrás), enquanto o comprimento cresceu 4,2 cm no S longo (para 5,25 metros) e 4 no “normal” (5,12).

Apesar de o chassi ser praticamente o mesmo, a suspensão tem mais peças de alumínio e sua geometria foi revista. O curso traseiro foi ampliado para potenciar sua capacidade de absorção, enquanto seus componentes telescópicos foram desacoplados da carroceria para reduzir os ruídos de rolamento.

O painel de instrumentos e a superfície das portas assumem contornos esvoaçantes e estão mais integrados ao conjunto, tudo temperado com enorme elegância e qualidade de materiais, usando a luz ambiente em benefício do luxo mas também da usabilidade. Um dos principais elementos desse interior exclusivo é a instrumentação digital diante do motorista e ao centro do painel, este subdividido em dois monitores de 12,3 polegadas cada um – o da esquerda com as informações do veículo e o da direita para o infotenimento e também ajustes do carro.

Um dos principais destaques do interior são os seis níveis de massagem – dois com o princípio energizante das pedras quentes, usadas nos mais modernos spas. Há duas opções de bancos traseiros (inteiriços ou individuais com regulagem de inclinação em 37 graus) na versão curta e cinco na longa. A novidade está no fato de a almofada do encosto ser separada das costas do banco, “flutuando” livremente, a fim de reduzir as vibrações que vêm do carro e permitir mais ajustes. E também nos novos airbags integrados nos bancos traseiros, dois por assento, o que se explica pelo fato de o ângulo máximo de reclinação (até 43 graus) criar o risco de o ocupante escorregar por baixo do cinto num acidente – há, por isso, um airbag na base do assento para levantar sua parte dianteira e outro no próprio cinto de segurança.

No início haverá as versões S 400 Hybrid (V6 3.5 de 306 cv e motor elétrico de 27 cv), S 500 (V8 4.7 de 455 cv) e os diesel S 350 BlueTec (V6 3.0 de 258 cv) e S 300 BlueTec Hybrid (quatro cilindros, 2.2 de 204 cv e elétrico de 20 cv). O S 500 era o único disponível em nossa avaliação em Stuttgart, sede da Mercedes. Nesse caso, a potência subiu em 10 cv e o consumo médio homologado melhorou de 10,8 para 11,6 km/l, número que está longe de ser bom.

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Logo nas quilômetros iniciais da avaliação, o que chama atenção é o impressionante isolamento acústico da cabine, num nível que só a Lexus conseguia no passado – a 220 km/h, numa rodovia, nem sequer era preciso aumentar o tom de voz para manter uma conversa. Não menos impressionante é seu fabuloso torque de 71,4 mkgf a míseros 1 800 rpm, o que move o carro com tal rapidez que dissimula seus 2 015 kg e 5,25 metros, auxiliado pelo câmbio automático de sete marchas revisado, resultando em meros 4,8 segundos no 0 a 100 km/h.

Se conforto ao rodar é um item presente em qualquer Classe S, neste é ainda maior, já que ele engole qualquer irregularidade da estrada com uma indiferença altiva, isso mesmo antes de juntarmos o sistema Road Surface Scan, que chega quase a inibir qualquer movimento da carroceria ao passar por cima de ressaltos ou depressões do piso (europeu, não custa lembrar). Durante a sessão de testes, tivemos oportunidade de guiar sobre lombadas, e a verdade é que a sensação gerada chega a ser surreal simplesmente porque a mente se prepara para sentir uma trepidação forte quando vemos o obstáculo à frente, mas depois a tecnologia quase que “desacopla” momentaneamente o corpo do Classe S das suas rodas. Ou seja, o eixo sobe e desce mas a carroceria parece ficar totalmente nivelada e estável.

Visão

No Classe S, a tecnologia também está ao dispor da segurança. Amparado por câmera estereoscópica, sensores de radar, câmeras de infravermelho e sensores ultrassônicos, ele conta com uma rede que proporciona visão tridimensional até 50 metros à frente, percebendo a posição e os movimentos dos obstáculos. O sedã sabe o que está para acontecer nos próximos 500 metros para poder reagir e adaptar-se. Há o Distronic Plus com assistência de direção e função Stop&Go, que, no tráfego urbano, consegue seguir outro carro a uma distância constante, com o S 500 acelerando e freando automaticamente ao mesmo tempo que o veículo da frente, mas sendo capaz também de segui-lo quando faz uma curva. Mas o motorista não pode tirar as mãos do volante mais do que 10 segundos, sob pena de ser repreendido por um alerta sonoro, seguido da desativação do sistema.

O que se vê nesse Classe S renovado, enfim, é uma amostra dos recursos que teremos nos próximos Mercedes mais acessíveis – e, alguns anos depois, no restante da indústria.

VEREDICTO

Se não impressiona pelo visual mais arejado e mecânica aprimorada, não há como não se entusiasmar pelos avanços que o Classe S fez em conforto e tecnologia.

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