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Comparativo: Mercedes-Benz GLE 400 x Range Rover Velar R-Dynamic

Os dois SUVs encantam pelas linhas atrevidas e avantajadas. Mas eles são muito mais do que meros modelos cosméticos

Por Péricles Malheiros - 30 abr 2018, 14h00
SUV-design, um subsegmento cada vez mais concorrido Leo Sposito/Quatro Rodas

Adormecida por muito tempo, a Land Rover promoveu uma virada de mesa incrível na última década. No Brasil e no mundo, a marca deixou de ser referência apenas pela robustez no off-road e passou a encarar SUVs já consagrados.

A bem da verdade, todas as marcas de luxo, como a Mercedes, por exemplo, também se viram obrigadas a olhar com mais carinho e atenção para o design e outros pontos, digamos, cosméticos.

Perfil cupê confere esportividade ao grandalhão GLE Leo Sposito/Quatro Rodas

Aqui, dois ótimos exemplos dessa virada: o Range Rover Velar e o Mercedes GLE 400 Coupé, dois jipões que deixam claro que é possível, sim, ser atraente aos olhos da massa (obviamente, guardadas as proporções) sem cair na vulgaridade explícita das formas exageradas.

Gosto é algo subjetivo, verdade. Mas dentre esses dois SUVs, dá para afirmar sem medo de errar: o Velar é um mestre na arte da sedução. O tipo de carro que, estacionado, chama a atenção.

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Velar: rodas de 22 polegadas e maçanetas retráteis Leo Sposito/Quatro Rodas

E as maçanetas externas com recolhimento elétrico e automático que as deixam rentes à porta quando estão trancadas?

Com todo respeito ao GLE, mas fazem o sistema convencional parecer coisa do passado.

Na rua, o teste do pescoçômetro não deixou dúvida: o design do modelo inglês é arrebatador.

Internamente, os dois são coerentes com o que apresentam por fora. A cabine é mais sóbria no GLE e high-tech no Velar.

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Cabine do GLE é uma versão atualizada do ML, seu antecessor Leo Sposito/Quatro Rodas

Apesar do controle eletrônico de ajuste de temperatura, o ar-condicionado do Mercedes faz uso de um seletor giratório. No centro do painel, no topo, uma tela fixa cumpre a função de multimídia.

No Range Rover, são três telas HD: uma cumpre a função de quadro de instrumentos e as outras no console central, com a superior no comando do sistema multimídia e a inferior operando ar-condicionado e ajustes das funções do carro, como o seletor do modo de condução, capaz de alterar o funcionamento do câmbio, suspensão e motor.

Multitelou! Cabine do Velar tem três telas grandes de alta definição Leo Sposito/Quatro Rodas

Avaliado pela primeira vez no fim de 2017, o Velar sofreu com recorrentes apagões das telas. Desta vez, porém, tudo correu sem falhas.

Ainda assim, nem tudo é perfeito: inexplicavelmente, no high-tech Velar o som não é compatível com Android Auto e Apple CarPlay.

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Interior com revestimento em tom branco no GLE Leo Sposito/Quatro Rodas
Há cintos de três pontos para todos no Mercedes Leo Sposito/Quatro Rodas

O GLE, com sua plataforma de 2010, é mais conservador: painel com uma telinha cercada por velocímetro e conta-giros analógicos embutidos em cúpulas individuais e um comando sensível ao toque no console, que exige certo tempo e paciência para adaptação.

Botões e seletores não causam a mesma boa impressão das supertelas do Velar, mas roubam menos a atenção quando o piloto decide fazer algum ajuste enquanto dirige: sim, teclas físicas ainda são mais fáceis de usar quando se está em um carro em movimento – sobretudo no esburacado asfalto brasileiro.

Bancos dianteiros têm ajustes elétricos Leo Sposito/Quatro Rodas
O espaço é amplo para pernas e ombros Leo Sposito/Quatro Rodas

Sob o capô, motores parecidos

O GLE 400 tem um V6 3.0 biturbo com 333 cv a 5.250 rpm e 48,9 mkgf a 1.600 rpm.

Do outro lado do ringue, o Velar, com seu V6 3.0 com compressor mecânico capaz de produzir 380 cv a 6.500 rpm e 45,9 a 3.500 rpm.

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Motor V6 biturbo: torque máximo disponível a partir de apenas 1.600 rpm torna a condução agradável Leo Sposito/Quatro Rodas

Quanto ao câmbio, uma caixa ZF de oito marchas cuida do Velar, enquanto uma produzida pela própria Mercedes equipa o GLE. Em ambos a tração é 4×4 sob demanda com seleção de terreno.

Na pista, os SUVs entregaram números parecidos – veja os resultados nas respectivas fichas, ao lado –, mas o comportamento do GLE é mais adequado à mistura motor potente/carroceria alta.

A Jaguar-Land Rover segue apostando na sobrealimentação por compressor mecânico: neste V6 3.0 são 380 cv Leo Sposito/Quatro Rodas

Ambos têm suspensão pneumática, mas a do Mercedes passa menos a sensação de flutuar em alta velocidade.

Nas frenagens longas e severas, o Velar tem nova desvantagem, pois, de novo, a suspensão deixa a carroceria oscilar, exigindo aplicação de correção de direção no volante.

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Se dinamicamente o GLE se mostra ligeiramente superior, o Velar dá o troco e vence o comparativo com seu projeto mais atual, por dentro e por fora.

Completos como os modelos fotografados, GLE 400 e Velar R-Dynamic HSE P380 custam, respectivamente, R$ 464.900 e R$ 465.100. Com qual você fica?

Veredicto

Com projeto novo, o Velar leva a melhor por ser um SUV atraente tanto do ponto de vista estético quanto de tecnologia embarcada.

Teste de pista (com gasolina)

GLE 400 Coupé Velar R-Dynamic
Aceleração de 0 a 100 km/h 6,4 s 6,2 s
Aceleração de 0 a 1000 m 26,6 s – 200,3 km/h 25,8 s – 205,8 km/h
Retomada de 40 a 80 km/h 2,9 s 2,7 s
Retomada de 60 a 100 km/h 3,4 s 3,5 s
Retomada de 80 a 120 km/h 4,3 s 4 s
Frenagens de 60 / 80 / 120 km/h a 0 16,7/29,3/67 m 17,4/29,6/69,5 m
Consumo urbano 7,6 km/l 7,4 km/l
Consumo rodoviário 10,2 km/l 11,2 km/l

FICHA TÉCNICA

GLE 400 Coupé Velar R-Dynamic
Preço R$ 464.900 R$ 465.100
Motor gasolina, diant., long., V6, 2.996 cm³, 24V, biturbo, 333 cv a 5.250
rpm, 48,9 mkgf a 1.600 rpm
gasolina, diant., long., V6, 2.995 cm³, 24V, compressor, 380 cv a 6.500 rpm, 45,9 mkgf
a 3.500 rpm
Câmbio automático, 9 marchas,
tração integral
automático, 8 marchas,
tração integral
Suspensão Duplo A (dianteira) /multilink (traseira) braços sobrepostos (dianteira e traseira)
Freios discos ventilados e perfurados (dianteiro e traseiro) discos ventilados (dianteiro e traseiro)
Direção elétrica, diâmetro de giro 11,8 m elétrica, diâmetro de giro 11,6 m
Rodas e pneus 275/45 R21 (dianteiro) / 315/40 R21 (traseiro) 265/40 R22
Dimensões comprimento, 490 cm; largura, 200,3 cm; altura, 173,1 cm; entre-
-eixos, 291,5 cm; peso, 2.180 kg; tanque, 93 l; porta-malas, 650 l
comprimento, 480,3 cm; largura, 203,2 cm; alt.,
166,5 cm; entre-
-eixos, 287,4 cm; peso, 1.884 kg; tanque, 63 l; porta-malas, 673 l

 

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