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Aston Martin Vanquish Volante

Um ronco que apaixona, velocidade alucinante e um visual de tirar o fôlego: é o novo show da Aston Martin

Por Joaquim Oliveira 26 fev 2014, 13h56
impressoes

A região a sudeste de Palm Springs, na Califórnia, é impressionante. Só o nome da estrada onde dirigi o Vanquish Volante já entrega o jogo: Idyllwild Panoramic Highway. Às vezes, ela se esgueira pela floresta, em outras oferece a visão ao longe das montanhas e dos vales. Mas a paisagem fica ainda mais bela quando serve de cenário para o desfile deste novo Aston Martin. O fabricante de Gaydon, Inglaterra, lança agora a versão sem teto (que a marca sempre chama de Volante) do cupê 2+2 apresentado em 2012 como sucessor do DBS. Depois de algumas horas na direção, restam poucas dúvidas de que, na versão aberta, o Vanquish é ainda mais divertido.

E não é só pelo seu design, que provoca uma onda de cabeças viradas por onde passa. Neste conversível, o encorpado ronco do V12 assume proporções de uma orquestra sinfônica quando ressoa entre as estreitas paredes rochosas do vale, enquanto as estradas sinuosas convidam o Vanquish a dançar acompanhando esse ritmo. Com 4,27 metros de comprimento, ele parece uma escultura na estrada. Tal como sua versão fechada, tem uma carroceria feita totalmente em fibra de carbono sobre um chassi de alumínio, com benefícios tanto na redução de peso quanto no aumento de rigidez do conjunto.

E haja rigidez para suportar as forças impostas por esse motor de 12 cilindros e 6 litros, hoje usado também no Vantage. Ele envia agora 573 cv e um torque de 63,2 mkgf para o eixo traseiro por meio de um câmbio automático de seis marchas. Daqui resulta uma mistura explosiva que surpreende quando o foco é performance: máxima de 295 km/h e 0 a 100 km/h em apenas 4,3 segundos.

No interior é servido muito luxo, com espaço para um ou outro defeitinho. Para duas pessoas, o espaço é quase opulento – mesmo alguém com 1,90 metro de altura não se sente incomodado. Mas, claro, atrás – como é habitual nesse segmento – os pequenos banquinhos na prática só servem para crianças. Porém, eles são bem-vindos como espaço suplementar para as bagagens já que que o porta-malas é de 279 litros, menor que o de um VW Gol.

No lugar do motorista, percebe-se que o couro do interior é de uma maciez notável, que os assentos têm ergonomia perfeita e, graças ao volante eletricamente regulado em vários níveis de altura e profundidade, é muito fácil encontrar sua posição de dirigir. Couro, fibra de carbono, alumínio: é o império dos materiais nobres, apesar de discretos deslizes, como botões e teclas de qualidade inferior ao restante – parecem recuperados dos tempos em que a Aston fazia parte do grupo Ford (que recebeu como herança a bela grade que vemos em EcoSport e no futuro Ka). Surpreendentemente, há poucos sistemas de assistência à condução, só os básicos ABS, ESP e um controle de arranque em subidas. A explicação da Aston Martin é que eletrônica em excesso deixa o condutor um pouco à margem de tudo que é divertido em uma experiência de pilotagem, algo em que o Vanquish Volante é especialmente generoso.

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Por outro lado, quem quiser só passear sem pressa numa rodovia é muito bem tratado pela suspensão extremamente confortável. Mas, se a intenção é elevar os níveis de adrenalina, o melhor é escolher o modo Sport e confiar na robustez de suas costas. Ele não só altera a rigidez da suspensão como também torna a direção, a resposta ao acelerador e as trocas de marcha mais agressivas e precisas. É realmente fora de série a capacidade do chassi para resistir à torção em fortes acelerações laterais ou ao passar por imperfeições no terreno, sejam ressaltos ou buracos, sobre os quais este conversível se recusa a reclamar, algo raro em veículos sem capota fixa.

A rápida pressão no acelerador desperta uma fúria de velocidade – embora de forma menos brutal do que no Vantage. O Vanquish avança energicamente, mas as seis marchas vão subindo de maneira fluida e quase imperceptível, seja no automático seja pelos comandos manuais atrás do volante. No eixo traseiro, os avantajados pneus 295/30 ZR20 fornecem a tração necessária, enquanto os freios de carbono e cerâmica permitem paradas violentas se necessário. O esportivo de 1 844 kg e com uma distribuição de peso quase perfeito (51% à frente e 49% atrás) move-se com surpreendente agilidade mesmo numa sequência de curvas mais fechadas. No entanto, ao contrário do Vantage V12, que tem acerto de suspensão mais próxima da de carros de corrida, a do Vanquish está voltada ao conforto.

A capota em lona de três camadas fecha em 14 segundos, a até 45 km/h. Uma vez erguida, adapta-se perfeitamente à silhueta do carro, sem parecer um corpo estranho – ao contrário, faz com que o conversível pareça um cupê. Com a capota de lona, os engenheiros fizeram realmente um bom trabalho: o ruído do vento quase não se ouve, o que não é comum nesse tipo de revestimento, mesmo em alta velocidade. A parte negativa é que ela não deixa escutar o apaixonante som do V12. Mas isso é fácil resolver: é só baixar o teto e curtir a sinfonia. Mas prepare o cheque antes: na Alemanha ele sai por 268 000 euros, enquanto no Brasil, aonde chega a partir do segundo semestre, ficará em torno de 2 milhões de reais.

VEREDICTO

Se você procura esportividade pura, fique com um Lamborghini. No Vanquish, a potência está a serviço de conforto e luxo. Não importa chegar mais cedo ao destino, mas como chegar.

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