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VW Fusca Pé de Boi, o carro mais pelado já feito no Brasil

Despojado, ele era a opção da VW para usufruir de linha especial de crédito e hoje custaria quase R$ 80.000

Por Fabiano Pereira Atualizado em 21 Maio 2022, 12h24 - Publicado em 22 jun 2020, 17h29
Fusca conhecido como "Pé de Boi" abria mão de vários acabamentos externos
Fusca conhecido como “Pé de Boi” abria mão de vários acabamentos externos Cleber Bonato/Quatro Rodas

Publicado originalmente em janeiro de 2012

A indústria automobilística brasileira não tinha nem uma década de vida quando o governo federal criou pela primeira vez um incentivo para tornar o carro um produto mais acessível.

Era 1965 quando foi criada uma linha de crédito para automóveis zero-quilômetro. O principal requisito era um teto de preço muito baixo, o que obrigou fabricantes a cortar itens de série de alguns modelos.

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Surgiram DKW Pracinha, Simca Profissional e Willys Teimoso. A opção da Volks, que teve origem no Fusca, seu carro mais barato, ganhou o nome “Pé de Boi”. Casou tão bem com o projeto que até hoje é usado como apelido para versões básicas bem despojadas de equipamentos.

VW Fusca Pé de Boi
Cromados são raridade no Pé de Boi Cleber Bonato/Quatro Rodas

A melhor maneira de descrever o Pé de Boi é listar o que lhe faltava. Abdicava de tudo que não fosse essencial a um carro pela legislação de trânsito. Por fora, nada de frisos, retrovisores ou piscas na parte superior dos para-lamas dianteiros. Não havia sequer o emblema VW no capô dianteiro.

Entre as cores, só duas opções: cinza claro e azul pastel. Em vez de cromados, aros dos faróis, calotas e para-choques exibiam pintura branca. Os tubos superiores e as garras dos para-choques também foram eliminados.

VW Fusca Pé de Boi
Encosto do banco não tinha regulagem Cleber Bonato/Quatro Rodas

Por dentro, faltava-lhe tudo: grade do alto-falante do rádio, tampa do porta-luvas, alça de apoio, cinzeiro e marcador de combustível – no lugar, usava-se uma vareta imersa no tanque. Tampouco havia aquecedor, iluminação, porta-objetos na porta, apoio de braço, para-sol e borracha no acelerador.

A forração dos bancos era mais simples e o encosto não oferecia regulagem. Os vidros traseiros eram fixos, limitando a ventilação, e o macaco vinha solto no porta-malas, onde ficavam as ferramentas, que foram poupadas da sanha economista, mas foram simplificadas.

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VW Fusca Pé de Boi
Faltava de tudo no interior da versão Cleber Bonato/Quatro Rodas

Em junho de 1966, QUATRO RODAS publicou seu único teste com o mais simples dos Fusca. Expedito Marazzi notava que o que sobrou no carro era de boa qualidade e bem pintado. “Sua direção bem pouco reduzida atende rápida às solicitações”, ele escreveu.

O motor, de 1200 cm³, trabalhava redondo em qualquer rotação e acelerava bem até 80 km/h. “O carro chega a saltar, quando sai da imobilidade.” Engates fáceis de marcha, embreagem e freios mereceram outros elogios. Porém a falta de forração completa na traseira implicava em nível de ruído maior.

VW Fusca Pé de Boi
Forração dos bancos e do interior também era simplificada ao máximo Cleber Bonato/Quatro Rodas

O exemplar 1965 das fotos pertence desde 2007 a um colecionador paulista. Era de uma mulher que ganhou o carro já velho numa rifa. “Ele conservava boa parte das características originais, como forro de teto só no centro”, conta o dono. Foi preciso dois anos de restauro para deixar como original um dos raros remanescentes dessa versão no Brasil.

Muitos VW Pé de Boi eram equipados depois com o que faltava, descaracterizando sua simplicidade de fábrica. Como carro ainda era um símbolo forte de status na época, a ideia dos primeiros populares nacionais não vingou.

VW Fusca Pé de Boi
Porta-malas do Pé de Boi Cleber Bonato/Quatro Rodas

Os últimos Pé de Boi deixaram a fábrica de São Bernardo do Campo em 1966. O carro popular só voltaria, dessa vez com maior força, desde a chegada do Fiat Uno Mille, em 1990.

Ficha técnica – Volkswagen Pé de Boi

Motor: traseiro, boxer, 4 cilindros, 1 192 cm³, carburação simples, a gasolina
Diâmetro x curso: 77 x 64 mm
Taxa de compressão: 6,6:1
Potência: 36 cv a 3 700 rpm
Torque: 7,7 kgfm a 2 000 rpm
Câmbio: manual de 4 marchas, tração traseira
Dimensões: comprimento, 407 cm; largura, 154 cm; altura, 150 cm; entre-eixos, 240 cm; peso, 680 kg
Suspensão: Dianteira: barras de torção (feixes)Traseira: barras de torção (cilíndricas)
Freios: a tambor, hidráulicos
Pneus: aço 4J x 15, pneus 5,60 x 15

VW Fusca Pé de Boi
Motor 1200 cm³ Acervo/Quatro Rodas

Teste – QUATRO RODAS junho de 1966

Aceleração 0 a 100 km/h – 47,6 s
Velocidade máxima – 107 km/h
Frenagem 80 km/h a 0 – 23,6 m
Consumo – 8,5 a 10 km/l (cidade) e 10 a 12 km/l (estrada)

Preço

Maio de 1966 – Cr$ 5.017.000
Atualizado em abril de 2022 – R$ 119.134 (IGP-DI-FGV)

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