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Rede neural

O tráfego de informações de um carro pode ser maior que o de um Boeing 787

Por Paulo Campo Grande | fotos: Delphi e Marco de Bari
26 nov 2012, 14h19 • Atualizado em 9 nov 2016, 12h09
  • geral

    Não é preciso levantar voo para perceber que aviões são máquinas mais sofisticadas que automóveis. Basta comparar o cockpit de um com o painel do outro. Mas, se o critério para medir complexidade for a quantidade de linhas de software que cada um roda em seus sistemas eletrônicos, o carro pode ser considerado o meio de transporte mais complexo. Isso porque muitas das funções do avião não dependem exclusivamente de software, enquanto nos carros atuais praticamente tudo fica a cargo dos programas de computador.

    Segundo o Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE), dos Estados Unidos, um jato sofisticado como o Boeing 787 Dreamliner executa cerca de 6,5 milhões de linhas de software em seus sistemas, enquanto um automóvel topo de linha chega a usar cerca de 100 milhões de linhas de códigos na execução de suas funções.

    O primeiro carro produzido em série a receber um processador foi o Oldsmobile Toronado 1977. Esse microchip tinha como única função controlar os tempos das centelhas das velas. Hoje, as centrais eletrônicas têm atribuições bem mais complexas: do motor aos sistemas de entretenimento, passando pela segurança, tudo é controlado por elas. As mais avançadas não se limitam a gerenciar apenas o veículo, mas também o ambiente à volta. Por meio de câmeras, sensores e sinais de GPS, elas se comunicam com satélites, registrando as condições do trânsito e da pista e identificando sinais e presença de pedestres. Segundo o IEEE, 80% das inovações apresentadas pela indústria são desenvolvimentos de componentes eletrônicos e software. E a expectativa é de que nos próximos anos a capacidade de processamento embarcada nos carros chegue a 300 milhões de linhas de software.

    Sistema nervoso central e periférico

    Modelos topo de linha têm cerca de 70 a 100 centrais inteligentes, ligadas por extensas redes de comunicação a diversos sensores e atuadores

    Funções vitais

    As centrais são capazes de controlar o funcionamento do motor, da transmissão (câmbio e diferencial), do painel de instrumentos (velocímetro, conta-giros, check-up, dispositivos de controle de consumo, head-up display, piloto automático e computador de bordo) e de sistemas como os de direção e suspensão.

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    Conforto

    Sensores de distância, sistemas de estacionamento autônomos, central multimídia (rádio, CD player, Mp3, telefonia, GpS), sistemas de entretenimento (DVD, jogos), ar-condicionado, iluminação da cabine, limpadores de para-brisa e vidros elétricos também são gerenciados por microprocessadores.

    Segurança

    A eletrônica tem papel determinante para sistemas
de segurança como: freios ABS e de emergência, dispositivos de controle de tração e estabilidade, airbags, piloto automático adaptativo, câmeras de visão noturna, leitura de placas e identificação de pedestres, sistemas de mudança involuntária de faixa, de iluminação inteligente e de controle de pressão nos pneus.

    Manutenção

    Consertar um automóvel no futuro poderá ser uma tarefa simples, realizada a distância com o
carro conectado a uma central de comunicação entre a garagem do cliente e a oficina. Mas, dependendo do defeito, poderá ser mais interessante e econômico substituir sistemas inteiros ou mesmo o carro, como ocorre hoje com os dispositivos eletrônicos de uso pessoal como computadores e celulares.

    Próximas atrações Uso racional

    Uma parceria entre Visteon e 3M resultou em um carro especialmente desenvolvido para mercados emergentes. Entre as soluções, o destaque vai para o design modular, com componentes que podem ser instalados ou excluídos de acordo com a preferência do motorista.
Na foto, o porta-luvas cedeu lugar para a ampliação do espaço da cabine.

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    Luzes da ribalta

    A Automotive Lighting passou a oferecer no Brasil sistemas de iluminação diurna por leds e lâmpadas de xenônio
(de 25 watts) que podem ser instaladas em veículos comuns (com ligação para faróis halógenos convencionais), dispensando o emprego
de componentes como reatores.

    Inibidores de apetite

    A empresa química árabe Sabic
trouxe para o Brasil sua linha de resinas termoplásticas com diversas aplicações na indústria automobilística na substituição de vidros e ligas metálicas, ajudando a reduzir o peso dos veículos e, consequentemente, o consumo de combustível.

    Pilha palito

    A americana Eaton desenvolveu
um sistema de controle de energia para carros híbridos que, segundo ela, permite reduzir em até 50% o tamanho das baterias necessárias para a alimentação elétrica do motor.

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