Mineiro se inspira em Elon Musk e cria Cybertruck com chassi de Fusca
Lucas Carvalho, o "Tiu Luquinha", transformou um Fusca velho de R$ 1.000 em uma versão tupiniquim da picape Cybertruck

A Tesla Cybertruck é um carro que desperta interesse em qualquer um que a vê, seja ele positivo ou negativo. Entre aqueles que gostaram está o mineiro Lucas Carvalho, da cidade de Santana Vargem (MG). O rapaz ficou tão fascinado pelo carro que decidiu, por conta própria, criar a sua própria Cybertruck — ou melhor, o Cyberfusca.
“Isso (a Cybertruck) me chamou muita atenção. É um carro que tinha fugido de tudo que a gente está acostumado. Ele é bem diferente, bem futurista. Foi aí que eu decidi que iria fazer esse carro como meu próximo projeto ”, explica Lucas.
É isso mesmo, “próximo projeto”. Em sua carreira de construtor e influenciador, Lucas já coleciona alguns projetos mirabolantes. O primeiro foi uma bicicleta de papelão: “não ficou bonito”, conta ele rindo. Fora isso, ele diz ter trabalhado primeiro auxiliando o também YouTuber, Henrique Carvalho, na construção de um Lamborghini artesanal. Depois, Lucas se aventurou sozinho criando seu próprio canal, “Tiu Luquinha”, há três anos com projetos como o Mini ônibus e o Mini Scania — esse último que até causou problemas com a polícia.

Mas o foco agora é no Cyberfusca, que pelo nome fica bem claro como é feito. “Apareceu um Fusquinha vermelho para eu comprar, que o antigo dono ia vender para o ferro velho. Eu nem sei o porquê. Ele estava muito bom, motor, câmbio, direção. Só a carroceria que estava um pouco ruim”. Foram os primeiros R$ 1.000 gastos na construção do Cyberfusca, que levou um total de oito meses para ser concluído.

Lucas não sabe ao certo quanto gastou nesse projeto, mas estima que toda a construção ficou na casa dos R$ 15.000. Do Fusca original, o motor 1.500 foi o que mais agradou: “só precisei trocar as velas e os cabos de vela. Até o óleo dele estava bom”.
Os espectadores e amigos até pediram para que Lucas instalasse o famoso motor AP, mas não cabia no projeto, já que ele teria que ser montado na dianteira por conta da necessidade de refrigeração. Lucas também cogitou um motor elétrico, mas o preço total, incluindo o das baterias, tornaram a ideia inviável. Mas ele se diz bem satisfeito com o motor 1.500.

Se o motor estava perfeito, era preciso só retirar a carroceria para aproveitar o chassi. Depois de uma limpeza e pintura, ele já estava pronto para receber a nova carroceria. Nesse processo, algumas melhorias foram feitas também, como a substituição da caixa de direção, que estava com bastante folga.

Com a ajuda de um programa de computador, Lucas desenhou e montou cada pedaço da carroceria com as medidas exatas para caberem no chassi do fusca. Toda a estrutura foi feita em metalon e a carroceria, com chapas de aço 18, todas moldadas e soldadas pelo ‘Elon Musk mineiro”, que fez questão de deixá-lo com todas as arestas e ângulos do modelo original.
A carroceria, inclusive, é uma das poucas partes que não pertencem ao carro original. Todo o resto, desde os freios até a suspensão, foram reutilizados. O mesmo vale para a toda a parte dianteira do Fusca, que Lucas optou por utilizá-la pois já nela já haviam os locais demarcados para o tanque de combustível e reservatório do óleo. Para dar uma incrementada, ele instalou um escapamento esportivo para deixar o som do motor mais agradável.
Toda a picape precisa de uma caçamba e, nesse caso, ela teria um toque especial. Isso porque o motor é traseiro, o que exigiu um compartimento secreto para acessá-lo. Lucas também adaptou a parte traseira da carroceria original para utilizar o suporte dos bancos e construir duas portas traseiras para os passageiros.
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Com a carroceria montada, os primeiros testes começaram. Porém, ao finalizar a montagem, faltavam ainda os faróis, algo que foi facilmente contornado com a instalação de uma barra de leds sequenciais, faróis de neblina do Honda Civic e lanternas de Led na traseira.

Com o carro já caracterizado, chegou a hora de passar para a parte de dentro. Todo o painel foi refeito, tendo todos os seus nichos fechados. Lucas também instalou uma multimídia de 9’’, a peça mais tecnológica do carro até aquele momento.
Os novos assentos vieram em seguida. Para finalizar, ele instalou um novo volante, com o mesmo formato da Cybertruck, abertura automática do capô e travas elétricas nas quatro portas.

O último toque foi mudar a cor. Inicialmente, Lucas tinha pensado em deixar o Cyberfusca vermelho, para tentar aproveitar o documento original. Mas o desejo de ter um carro idêntico ao da Tesla falou mais alto, e ele mudou a cor para um prateado metálico.

Com o projeto finalizado, faltava só colocar ele pra andar de verdade. Lucas foi atrás e conseguiu tirar a documentação para rodar legalmente com seu Cyberfusca na rua. A placa foi entregue no último dia 13. Agora ele espera agradar o dono da Tesla: “espero que Elon Musk goste, porque foi um projeto muito inspirado nele”, conta rindo.